Mostrando postagens com marcador Bobby Womack. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bobby Womack. Mostrar todas as postagens

domingo, março 08, 2020

CHICO MARQUES E ALTO&CLARO SAÚDAM 13 ANIVERSARIANTES ILUSTRES DA SEMANA DE 1 A 7 DE FEVEREIRO COM UMA PLAYLIST ESPECIALÍSSIMA NO SPOTIFY



Chico Marques é um iconoclasta
desde a mais tenra idade.
Nascido em Santos em 1960,
estudou Literatura Inglesa
na Universidade de Brasília,
atuou como publicitário
e foi produtor musical
em emissoras de rádio e TV.
Vive na Polinésia Francesa,
onde trabalha como editor
de THE BORA BORA REVIEW
e ALTO&CLARO.

domingo, julho 03, 2016

2 OU 3 COISAS SOBRE "A CURE FOR LONELINESS", NOVO LP DE PETER WOLF

por Chico Marques


Pode ser difícil de acreditar para os mais jovens, mas, ao longo de toda a primeira metade da década de 70, Peter Wolf brilhava na linha de frente de uma banda sensacional -- hoje meio esquecida -- que promovia performances ao vivo tão vigorosas a ponto de rivalizar diretamente com os Rolling Stones.

A J. Geils Band era implacável em todos sentidos: tinha um repertório demolidor focado no rhythm and blues dos Anos 60 mas com uma velocidade típica dos Anos 70, quase todo assinado pelo engraçadíssimo cantor Peter Wolf e pelo endiabrado tecladista Seth Justman.

Claro que a harmonica anfetaminada de Magic Dick, o suingue acelerado da guitarra de Jay Geils e a cozinha rapidíssima de Stephen Jo Bladd e Daniel Klein sempre fizeram toda a diferença.



Mas diferenças artísticas e pessoais fizeram com que Peter Wolf deixasse a banda no início dos Anos 80 para seguir carreira solo, justo no momento em que a banda vendia milhões de discos.

Eles bem que tentaram seguir em frente sem Wolf, mas não teve jeito:

Ele não era apenas a voz da banda, era também a cara dela. 



Não se pode dizer que a carreira solo de Peter Wolf nunca tenha prosperado como merecia.

Mas o fato é que ela nunca decolou para valer rumo ao estrelato, até porque Wolf nunca facilitou muito as coisas para agradar ao grande público.

Fiel ao rhythm and blues praticado desde os tempos da J Geils Band, Wolf começou a experimentar novas saídas musicais como compositor, trabalhando com diversos parceiros e mudando de mala e cuia para a cena independente para poder trabalhar em paz, sem interferências de executivos de gravadoras.



Agora, Peter Wolf está de volta com solo em 32 anos: A Cure for Loneliness (um lançamento Concord Records), um disco leve e descompromissado onde assume seus 70 anos de idade sem olhar muito para trás e não permitindo em momento algum que isso pese nas suas costas.

A mistura musical que permeia o disco é tão curiosa que chega a ser risível. Vai do folk urbano classudo ao country dor de corno sem a menor cerimônia, passando por números de rock and roll, soul music, cajun e até gospel, quase todos compostas em parceria com e especialista Will Jennings.  

As excessões são It Was Always So Easy (To Find an Unhappy Woman), uma balada country de Moe Bandy que fez algum sucesso em 1974, Tragedy, um número clássico do grupo de doo-wop DeLons e Love Stinks, número de rock clássico do repertório de sua própria J Geils Band, que aqui recebe um arranjo bluegrass engraçadíssimo.



Tem um número musical em A Cure For Loneliness que foge um pouco ao tom do desencanado que predomina no disco.

Trata-se de It’s Raining, composta em parceria com o amigo soulman Don Covay, falecido ano passado.

Wolf propôs ao também amigo e soulman Bobby Womack gravar a canção em dueto, numa homenagem a Don Covay.

Mas então, pouco antes de entrarem em estúdio, para surpresa geral, Bobby Womack faleceu.

O jeito foi gravá-la sozinho, num arranjo bem pedestre, à moda de Memphis, e dedicá-la a esses dois grandes mestres e parceiros musicais.

Como um tributo à longevidade e à teimosia em seguir em frente, sempre.



WEBSITE PESSOAL

DISCOGRAFIA COMENTADA

AMOSTRAS GRÁTIS




terça-feira, abril 07, 2015

VAN MORRISON PRODUZ UM DISCO DE DUETOS QUE É TUDO MENOS FROUXO E PREVISÍVEL.



Van Morrison faz 70 anos de idade este ano.

Quando um artista chega a essa faixa de idade, fica mais e mais difícil chegar em alguma gravadora com um projeto para um disco novo em mãos, pois essa gravadora certamente irá encaminhá-lo à "divisão de projetos especiais", que, por sua vez, vai propor a este artista -- até porque não sabe fazer outra coisa -- um disco de duetos, com canções antigas recicladas e convidados estelares. 

Pois bem: chegou a vez de Van Morrison ter que gravar o seu disco de duetos, com canções antigas recicladas e convidados estelares. 

E como não podia deixar de ser, ele fez isso de uma maneira completamente honesta e inusitada, o que fica claro no título seco, curto e grosso do disco: "Duets: Re-Working The Catalogue" (um lançamento RCA). 

Em outras palavras: Sem firulas, please!




Para a surpresa geral, acho que inclusive da sua gravadora, todas as canções mais conhecidas de Morrison -- "Brown Eyed Girl", "Domino", "I've Been Working", "Moondance", "Caravan", "Wild Night", "Jackie Wilson Said", "Have I Told You Lately" -- ficaram de fora de "Duets: Re-Working The Catalogue"

As canções escolhidas são todas, ou quase todas, "album tracks" pouco conhecidas, pinçadas dos discos que ele gravou de 1980 para cá, logo após seu breve estrelato nos Anos 1970.

O critério para essas escolhas de canções aparentemente foi determinado em comum acordo com os artistas escolhidos para contracenar com ele.

Joss Stone, por exemplo, já cantava "Wild Honey" em seus shows, e agora teve a chance de cantá-la ao lado do autor Van Morrison -- o que a deixou lisonjeada, com certeza, mas deixou, antes de mais nada, nosso baixinho irlandês completamente encantado por ela, por seu talento, seu tamanho e sua gostosura. Quem não vibra com mulheres grandalhonas que atire a primeira pedra...

Simbiose semelhante acontece em "Irish Heartbeat", que Mark Knopfler incluiu nos shows de sua última tournée, dois anos atrás. Aqui, nesse dueto com Morrison, aflora uma delicadeza ímpar, onde predomina uma serenidade folk-pop a toda prova.

Em "Born To Sing", um número bem mais truculento, o lendário cantor inglês Chris Farlowe, com quem Morrison rivalizava em meados dos Anos 60 nas paradas inglesas, une forças a  ele e os dois praticamente reivindicam a mesma profissão de fé com suas vozes possantes e encorpadas.

Algo semelhante acontece em "Whatever Happned to P J Proby", número composto dez anos atrás, em que Morrison evoca um grande cantor da década de 1960 que desapareceu por completo da Cena dos Anos 1980 para cá. Pois não é que Morrison localizou P J Proby, e os dois juntos gravaram uma versão definitiva para essa canção?

São gravações assim que fazem de "Duets: Re-Working The Catalog" um ítem complementar muito interessante na discografia de Van Morrison.




Mas "Duets: Re-Working The Catalogue" ainda reserva outros momentos gloriosos, como "How Can A Poor Boy" ao lado de Taj Mahal, ou "Some Peace Of Mind" com o saudoso Bobby Womack, ou ainda "Lord If I Ever Needed Someone" com a magnífica Mavis Staples, que leva nosso querido Mr. Morrison direto aos céus nas asas de um anjo negro.

Se eu, pessoalmente, tiver que escolher uma favorita, fico com "Fire In The Belly", onde Morrison e Steve Winwood trafegam pelo inesgotável território da soul music que ambos sempre souberam defender tão bem.

"Duets: Re-Working The Catalogue" é o trigésimo quinto disco de Van Morrison, e não é um ítem fundamental na sua carreira, e nem pretende ser. Mas é, com certeza, o disco de duetos mais honesto, vibrante e satisfatório que você já ouviu em muitos e muitos anos.

Tentaram empacotar Van Morrison à sua revelia. Não conseguiram. 

Aos quase 70 anos de idade, ele continua indomável.

Van Morrison é a prova derradeira de que Deus não só existe, como é Irlandês.












AMOSTRAS GRÁTIS