Mostrando postagens com marcador Burt Bacharach. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Burt Bacharach. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, maio 12, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEXTA PODERIA TER SIDO UM GRANDE MAESTRO EM ALGUMA ORQUESTRA EUROPÉIA, MAS PREFERIU BRILHAR NO UNIVERSO POP.


O GRANDE COMPOSITOR, ARRANJADOR, MAESTRO
E PRODUTOR ACABA DE COMPLETAR
NADA MENOS QUE 89 ANOS.
AINDA NA ATIVA.

PARA CELEBRAR ESSA DATA ESPECIALÍSSMA,
RESGATAMOS DOIS DOCUMENTÁRIOS SOBRE ELE
PRODUZIDOS PELA BBC.

O PRIMEIRO É UM PANORAMA DE CARREIRA.

E O SEGUNDO É ESPECIFICAMENTE SOBRE A PARCERIA
QUE ELE DESENVOLVEU COM ELVIS COSTELLO
PARA O BELÍSSIMO LP "PAINTED FROM MEMORY" (1998).

DE LAMBUJA, RESGATAMOS TAMBÉM
O CONCERTO NA CASA BRANCA
COM MUITOS CONVIDADOS ILUSTRES
REALIZADO EM SUA HOMENAGEM
QUANDO GANHOU O GERSHWIN PRIZE

ENJOY...












terça-feira, julho 17, 2012

O NOVO DISCO DE JOE JACKSON REDIMENSIONA O FABULOSO LEGADO DE DUKE ELLINGTON


Nos dias de hoje, quem vê Elvis Costello se desdobrando em diversas frentes musicais -- ora gravando um disco de jazz para a Verve Records, ora gravando música erudita para a Deutsche Grammophon, ou então simplesmente oscilando entre o pop classudo de Burt Bacharach, o rock rasgado de sua banda, The Imposters, e flertes com country music ao lado de T-Bone Burnett -- não imagina que, muito antes dele, e fazendo muito menos barulho que ele, um outro artista de sua geração já havia percorrido todos esses caminhos -- de forma muito mais inusitada.

Esse artista é o cantor, pianista e saxofonista inglês Joe Jackson.

Jackson, para quem não lembra direito, foi uma das forças emergentes mais vitais da cena pós-punk inglesa, ao lado de Costello, Graham Parker, Dave Edmunds, Nick Lowe, The Clash e The Pretenders. À frente de um quarteto rápido e rasteiro, ele brilhou em uma sequência impecável de LPs bem desaforados e até hoje muito divertidos de se ouvir: "Look Sharp", "I´m The Man" e "Beat Crazy"

Mas assim que sentiu que a efervecência do pós-punk estava se dissipando, Joe Jackson deixou sua banda de lado e passou a perseguir um projeto musical pop muito requintado, com raízes no cancioneiro clássico americano e no jazz, mas também com um pé nos conceitos pop de seu amigo Thomas Dolby.

Nessa brincadeira, surgiram "Night & Day" e "Body & Soul", dois discos deliciosos e extremamente bem sucedidos comercialmente, onde Joe Jackson explora todas as vocações musicais que tinha até então, e mais algumas.



Pois bem: quase 30 anos se passaram desde então.

De lá para cá, Jackson seguiu explorando novas vocações musicais, criando trilhas sonoras para filmes, sinfonias jazzísticas e peças um tanto quanto idiossincráticas, sem jamais fazer concessões e seguindo firme num projeto artístico que cada vez mais se distanciava de seu trabalho mais consagrado, cujo valor -- tudo indicava a essa altura do campeonato --só iria ser devidamente reconhecido depois que ele morresse ou se aposentasse.

Mas nada disso foi necessário, felizmente.

Depois do retorno triunfal de seu quarteto original dos anos 70 para gravar um ótimo disco de estúdio e uma tournée que resultou num álbum ao vivo espetacular, Jackson parece estar empenhado em não permitir mais que seus projetos musical falem línguas diferentes das que ele já testou no passado, e menos ainda que sejam esnobados por seus velhos fãs.



"For Duke", seu novo trabalho, é um triunfo artístico assombroso.

Partindo do pressuposto de que Duke Ellington nunca teve uma atitude reverente em relação aos arranjos mais conhecidos de seus números clássicos, e sempre tratou de reinventar esse repertório das mais diversas maneiras possíveis, Joe saiu em busca de uma maneira original e pessoal para abordar o universo ellingtoniano.

E achou, sem dificuldades.

Sua primeira providência foi retirar todos os metais dos arranjos de Ellington e substituí-los por teclados e guitarras, para depois reinventar os andamentos e dar ao repertório um toque bem "lush", com climas musicais oscilando entre o cocktail bar, clubes de jazz e cabarets pós-modernos -- tudo isso sem jamais diluir os originais, ou sufocá-los com arranjos mal dimensionados.

Muitos jazzófilos mais tradicionalistas torceram o nariz para "For Duke".

Acharam o que Jackson fez uma heresia musical, e um desrespeito pára com Ellington.

Mas não é não.

É um trabalho ousado, corajoso, extremamente intrincado, que reúne num mesmo conceito musical músicos de naturezas muito diferentes -- como Iggy Pop e Sharon Jones, o guitarrista Steve Vai, o contrabaixista Christian McBride, a violinista Regina Carter e até a cantora brasileira Lilian Vieira, que faz uma releitura para "Perdido" que é quase um sambinha.

E, cá entre nós, eu que achava a versão que os Neville Brothers fizeram 20 e poucos anos atrás para "Caravan" um achado musical, fiquei completamente boquiaberto com a diversidade de idiomas culturais e musicais que Joe Jackson conseguiu afluir para sua releitura desse clássico ellingtoniano.

"For Duke" é um triunfo que é porque Joe Jackson partiu do presuposto de que Ellington jamais se importaria que a essência de sua música servisse de ponto de partida para investigações pessoais de outros artistas de naturezas diferentes da dele, e mergulhou fundo.

Ouça com carinho e deixe-se envolver, pois vale a pena.

Você provavelmente ficará espantado não só com as possibilidades que o universo ellingtoniano oferece, mas também com o altíssimo gabarito dos arranjos e das investidas musicais regidas por Jackson.

A este bravo príncipe punk que perdeu deliberadamente o caminho de casa e vagou sem rumo muito claro por exílios os mais diversos por tantos anos -- mas jamais irá admitir isso, até porque "angry young men" como ele não costumam ter vocação para filho pródigo --, minhas saudações:

Benvindo de volta, Mr. Jackson, estávamos com saudades.



BIO-DISCOGRAFIA
 http://www.allmusic.com/artist/joe-jackson-mn0000784732

WEBSITE OFICIAL
 http://joejackson.com/

AMOSTRAS GRÁTIS

terça-feira, maio 17, 2011

QUANDO COMPOSITORES VIRAM ARRANJADORES, QUE SE TRANSFORMAM EM PRODUTORES, E DEPOIS SE TORNAM ARTISTAS SOLO (por Chico Marques)


Semana passada, Burt Bacharach completou 83 anos de idade.

Para quem não sabe, foi ele quem inaugurou bem no início dos anos 1960 a tendência (hoje vista com naturalidade) do compositor pop ser também o arranjador e às vezes até o produtor dos artistas que cantam suas canções. Antes de Bacharach, os compositores trabalhavam horas e horas em novas canções e as entregavam às editoras musicais das gravadoras, que, por sua vez, faziam o que bem entendiam com elas, sem jamais consultar o compositor sobre o destino de sua obra.

Bacharach foi tão bem sucedido no comando dessas múltiplas funções que a tendência virou febre. De uma hora para outra, todos os segmentos musicais populares nos Estados Unidos concluíram que, para manter a cena da música gravada sempre revitalizada, a salvação da lavoura seria incentivar constantemente a ascensão desses jovens candidatos a gênios pop aos postos de comando na produção dos artistas contratados pelas gravadoras.


Por alguns poucos anos, isso funcionou dentro das regras estipuladas pelos Capitães da Indústria Fonográfica. Mas então, quando perceberam que estavam com a faca e o queijo na mão, esses jovens artistas que nunca se sentiram confortáveis como funcionários de gravadoras, resolveram que estava na hora de virar a mesa, chutar o pau da barraca e tornarem-se produtores independentes.

Burt Bacharach mais uma vez saiu na frente de todos os outros. Por volta de 1966, ele se desvinculou dos compromissos do dia a dia e passou a escolher com quem queria trabalhar. É dessa época sua parceria vitoriosa com Dionne Warwicke, numa seqüência memorável de singles vitoriosos. Paralelo a isso, passou a escrever música para o cinema e para a Broadway, e a gravar seus próprios discos para a independente A&M Records, do amigo Herb Alpert e Jerry Moss, trabalhando com cantores convidados e controle criativo total. Direto para o Olimpo Pop, sem escalas.


Pois bem: Booker T. Jones e Todd Rundgren não tiveram o prazer de pertencer a essa aristogracia de compositores, arranjadores, maestros e produtores pop como Burt Bacharach, Jimmy Webb e Quincy Jones. Mas conseguiram – Booker na soul music e Todd no pop e no rock experimental – imprimir suas personalidades musicais em praticamente todos os projetos em que se envolveram aos longo dos últimos 45, 50 anos. Seja como artistas solo ou como arranjadores e produtores.


Booker T Jones nasceu num ghetto em Memphis, Tennessee, em 1943. Pianista e organista de talento natural, conseguiu a duras penas estudar música na Universidade de Indiana. Mas não aguentou ficar muito tempo por lá, pois era arrimo de família. Bem no início dos anos 1960, voltou para Memphis e aceitou um emprego nos pequenos Estúdios Stax como arranjador e músico. Rapidamente ganhou reconhecimento internacional à frente da banda da casa Booker T & The MG´s com singles instrumentais como “Green Onions” e "Soul Limbo".

O sucesso estrondoso do Booker T & The MG´s foi emblemático naqueles tempos de luta pelos direitos civis. Composta por dois negros – Booker T no órgão e Al Jackson na bateria – e dois brancos – Steve Cropper na guitarra e Donald “Duck” Dunn no baixo –, o Booker T & The MG´s não só reinventou a música instrumental dançante do sul dos Estados Unidos como também forneceu a moldura musical para a recém-nascida soul music de Memphis, nos discos seminais de Wilson Pickett, Otis Redding, Carla Thomas e vários outros. Era difícil acreditar que toda aquela genialidade musical do time de músicos da Stax brotasse a toque de caixa e em horário comercial, mas era a pura verdade.


Booker T & The MG´s permaneceu ativo e frequentando o topo das paradas ao longo dos anos 60, enquanto Booker T. Jones e Steve Cropper se escolavam como produtores. No início dos anos 1970, no entanto, cada um foi cuidar de sua vida. Booker T Jones encerrou sua longa associação com a Stax e assinou como artista solo com a A&M Records, onde iniciou uma parceria com sua então mulher, Priscilla Coolidge. Paralelo a isso, passou a atuar como produtor independente com bastante frequência. Foi o responsável, entre muitas outras coisas, pela sonoridade crossover dos discos de standards de Willie Nelson, na série iniciada com “Stardust”. De tempos em tempos, só para sentir o gostinho da estrada, Booker T Jones convocava seus velhos perceiros Cropper & Dunn para atualizar o som do Booker T & The MGs e saíam por aí atuando como banda de apoio de Bob Dylan e de Neil Young. Seus discos solo -- todos muito bons, alguns deles vencedores de Grammies -- revelaram algo insuspeito: além de ser o organista mais festejado da cena pop da América, ele também sabia cantar. E bem.


“The Road From Memphis” é seu LP mais recente. É um trabalho impecável, onde as sonoridades e o swing pedestre de Memphis se integram a todas as vertentes musicais da música negra americana com uma organicidade impressionante. Abrilhantado por participações especiais de Sharon Jones, Matt Berninger (The National) e Yim Yames (My Morning Jacket), “The Road From Memphis” é uma aula de maturidade musical e um atestado de 50 anos de excelentes serviços prestados à música popular. O destaque vai para “The Bronx”, a faixa de encerramento -- uma parceria brilhante com Lou Reed que desperta uma vontade insuspeita de ouvir o LP inteiro novamente. Parafraseando o saudoso Ezequiel Neves, é um disco perfeito para ouvir enquanto se faz faxina na casa. Embala na medida certa, oscilando entre o soul modernoso e o soul atemporal. Se isso não é maturidade musical, eu não sei mais o que é.


Já Todd Rundgren é um caso semelhante, ainda que num universo musical totalmente diferente. Nascido em 1948 na Philadelphia, ele apareceu em 1968 à frente do curioso grupo Nazz, que mesclava sunshine pop, rock psicodélico de San Francisco e uma atitude londrina. Seria apenas uma banda a mais tentando um lugar ao sol se não fosse pela excelência das composições de Todd – em particular, “Hello It´s Me”, sucesso na época, que chamou a atenção do empresário de Bob Dylan, Albert Grossman. Grossman contratou Todd para seu recém-nascido selo Bearsville mesmo sem saber como fazer com que seus múltiplos talentos coubessem num disco. Na dúvida, permitia que ele experimentasse todas as idéias musicais que viesse na sua cabeça, e depois os dois definiam em comum acordo como montar os LPs..

Dessa brincadeira saíram álbuns estranhos e multifacetados como “The Ballad Of Todd Rundgren”, “Something Anything” e “A Wizard, A True Star”, que, mesmo desafiando definições e classificações de mercado, eram aclamados pelo público, em parte pelo sucesso estrondoso de singles como “I Saw The Light”, “It Couldn´t Have Made Any Difference” e “We Gotta Get You a Woman”. Ninguém sabia dizer se Todd Rundgren era um artista de rock, de pop ou de música progressiva. Mas, por outro lado, ninguém se importava muito com essas definições. E ele seguiu em frente, sempre experimentando sonoridades diferentes, em discos que nunca custavam muito caro e eram sempre rentáveis. Paralelamente a isso, Todd fazia parte do grupo pop progressivo Utopia, e ainda deixou sua marca como produtor em discos que marcaram época, como “We´re An American Band” e “Shinin On” do Grand Funk Railroad e, claro, o inesquecível álbum de estréia dos New York Dolls.


Mas então chegaram os anos 1980, que exigiam definição de mercado para todo tipo de música o que era lançada, e Todd Rundgren se viu numa encruzilhada. Entre tornar sua música previsível e se render às armadilhas da Indústria Fonográfica e seguir adiante com seus experimentos musicais numa cena independente ainda bastante insipiente, ele optou pela segunda alternativa. Montou um estúdio no Hawaii, onde sobreviveu confortavelmente como produtor, e, de tempos em tempos, gravava algum disco, sempre fora dos padrões habituais, apresentando sua produção mais recente. Suas tournées continuaram concorridas e seus LPs clássicos foram reeditados pela Rhino e nunca deixaram de vender bem.


E agora, para surpresa geral, ele está de volta com um LP curioso: “Johnson”, uma homenagem ao centenário de nascimento de Robert Johnson, com 12 releituras pouco ou nada reverentes de algumas de suas canções mais emblemáticas. Convenhamos: um disco de Todd Rundgren homenageando Robert Johnson soa em princípio tão inadequado quanto um disco de Lulu Santos cantando Cartola. Mas, estranhamente, "Johnson" funciona bem. Foi feito por encomenda para a gravadora e editora que detém atualmente a exclusividade dos direitos da obra de Robert Johnson, mas estranhamente não possui fonogramas com esse material gravado -- e Todd providenciou para que tivesse. Com certeza, não vai agradar aos fãs mais ardorosos do legado musical de Robert Johnson. Mas, vencida a resistência inicial, confesso que não vi nada de errado com a homenagem de Todd. Pelo contrário: são versões muito enxutas e urgentes, com uma sonoridade muito clara e muito pesada, e uma carga dramática sempre muito intensa. É um projeto bem realizado, ocasionalmente brilhante, e que não ofende a memória de Robert Johnson. Para quem está acostumado com as idiossincrasias de Todd Rundgren, nada disso é motivo de espanto.


Booker T Jones e Todd Rundgren são artistas populares e produtores musicais de linhagens muito diferentes. Booker é sério até demais. Todd é completamente maluco. Ambos guardam em comum o mesmo senso aventuresco, o mesmo inconformismo com regras mercadológicas que sufocam a criatividade dos artistas, e a mesma autosuficiência de quem está em cena há quase 50 anos.

Nunca fizeram questão de ser aristocratas pop como Burt Bacharach e Jimmy Webb. Mas também nunca apostaram baixo. Nunca apostaram no certo. E nunca fizeram cara feia quando tiveram que correr riscos.

Até porque Booker T Jones, lá em Memphis, e Todd Rundgren, no Hawaii, sabem muito bem que no dia em que não houver mais risco algum a correr no seu métier, é sinal de que o jogo acabou para eles.

Convenhamos: a julgar por seus novos Lps, ainda é cedo pra vestir o pijama e ir pra cama.

------------------------------------------------------------------------

BOOKER T JONES
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS

http://altoeclaro.blogspot.com/2011/05/senhoras-e-senhores-booker-t-jones.html

TODD RUNDGREN
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS

http://altoeclaro.blogspot.com/2011/05/senhoras-e-senhores-todd-rundgren.html

------------------------------------------------------------------------

HIGHLIGHTS
BOOKER T JONES - "The Road From Memphis"








HIGHLIGHTS
TODD RUNDGREN - "Johnson"