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terça-feira, fevereiro 10, 2015

AEROSMITH PASSA O PASSADO A SUJO, E MOSTRA O QUANTO FORAM GRANDES NOS ANOS 1970

É consenso que o Aerosmith foi nos anos 70 o equivalente americano aos Rolling Stones.

Apesar dos dois grupos serem muito diferentes musicalmente, é inegável que nenhuma outra banda americana conseguiu combinar o ataque de dois guitarristas e de um vocalista de forma tão intensa e tão bem resolvida quanto esses rapazes de Boston.

Além do mais, o cantor Steven Tyler e seu parceiro Joe Perry formavam no início uma dupla de compositores implacável, e combinavam tão bem que um parecia ser a extensão do outro -- e é inegável que boa parte da magia que explode na do Aerosmith em seus melhores momentos vem justamente dessa simbiose.

Com o passar do tempo, e com o desgaste natural depois de seis anos de exposição constante ao público. muito dessa magia foi-se perdendo.

Depois de uma série de 5 LPs extremamente bons -- "Aerosmith", "Draw The Line", "Toys In The Attic", "Rocks" e "Draw The Line" --, o Aerosmith naufragou em meio a várias modalidades de excessos: de drogas, de bebidas, de estrelismo, de má administração em geral e de péssimo empresariamento.    


Faliram nos 80, se separaram, perderam todo o patrimônio e chegaram ao ponto de, depois de venderem iates e mansões, acabarem morando em hotéis duvidosos da Oitava Avenida, em Nova York, junto com boa parte dos traficantes da área. Foram ao fundo do poço.



Mas, graças ao sempre extremamente paciente David Geffen, da geffen Records, que não só os contratou como também supervisionou o rehab deles todos, o Aerosmith ressurgiu nas cinzas em meados dos Anos 1980 e alcançou novamente o estrelato na ddécada seguinte, conquistando uma nova legião de fãs ardorosos com LPs mais AOR como "Pump", "Get A Grip" e "Nine Lives".

Da virada do Século 21 para cá, no entanto, o Aerosmith perdeu a relevância em discos medonhos como "Just Push Play" e "Music From Another Dimension!". 

Seguem excursionando incessantemente e mantém sua legião de fãs graças a um "stage act" fortíssimo, mas estão correndo o sério risco de virar uma atração nostálgica, já que não conseguem mais conquistar novas fatias de público.

Ainda assim, seguem na esperança de um "third time around" que provavelmente não virá.


Daí, para manter a dignidade e a auto-estima da banda em dia, o jeito é recorrer a material de arquivo -- e por sorte, o Aerosmith tem material de arquivo de sobra guardado desde os Anos 70 nas geladeiras da Columbia Records.



Esse novo álbum duplo "Up In Smoke" (um lançamento Columbia Records) resgata duas performances bem intensas da banda, gravadas para emissoras de rádio e que por muitos anos circularam por aí em bootlegs de péssima qualidade sonora.

A primeira performance foi gravada no Estúdio de uma Emissora de Ohio em 1973, quando o Aerosmith promovia seu primeiro álbum, lutava por exposição ao público e mal conseguia disfarçar o prazer de estar levado sua música a um público que ainda não os conhecia.

São dez números no total: cinco do primeiro LP, "Aerosmith", e outros cinco do segundo, "Get Your Wings", que já estava gravado mais ainda aguardava lançamento.  

Já a segunda performance é de um show ao vivo na Philadelphia em 1978, com 18 canções, que foi transmitido ao vivo por uma Emissora de Rádio da cidade.

Aqui já temos os rapazes do Aerosmith em pleno estrelato e em plena maturidade musical, desfilando um repertório dos três discos seguintes em performances fulminantes -- melhores inclusive do que as do álbum duplo clássico "Live Bootleg", gravado na mesma torunée de 1978.

Não é, de forma alguma, um disco fundamental na discografia da banda.

Mas são performances excelentes, despojadas, sem frescuras, cujo resgate não só é extremamente bem-vindo como certamente irá proporcionar momentos muito agradáveis aos fãs clássicos da banda, podendo eventualmente, quem sabe, abduzir um ou outro novo adepto.

Pode acreditar: elas são vigorosas o suficiente para isso.




Segue abaixo o tracklist deste álbum duplo indispensável para os fãs incondicionais dos primeiros 5 discos do Aerosmith:

01. Make it (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (4:19)
02. Somebody (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (4:29)
03. Write Me (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (4:43)
04. Dream On (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (4:45)
05. One Way Street (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (7:28)
06. Walkin' The Dog (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (4:14)
07. Pandora's Box (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (8:10)
08. Rattlesnake Shake (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (0:58)
09. Train Kept A Rollin' (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (5:50)
10. Mama Kin (Radio Broadcast Studio Session Ohio 1973) (4:43)
11. Intro (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (1:31)
12. Rats In The Cellar (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (3:41)
13. I Wanna Know Why (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (3:00)
14. Big Ten Inch Record (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (3:37)
15. Walk This Way (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (4:05)
16. Sight For Sore Eyes (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (3:41)
17. Seasons Of Wither (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (5:24)
18. Sweet Emotion (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (5:03)
19. Lord Of The Thighs (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (7:21)
20. Kings And Queens (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (5:15)
21. Chip Away The Stone (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (4:05)
22. Get The Lead Out (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (3:18)
23. Get It Up (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (4:01)
24. Draw The Line (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (4:37)
25. Same Old Song And Dance (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (5:00)
26. Toys In The Attic (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (5:14)
27. Milk Cow Blues (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (5:30)
28. Train Kept A' Rollin' (Radio Broadcast Live Philadelphia 1978) (4:22)





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sexta-feira, setembro 05, 2014

CHEGA ÀS LOJAS "STEP BACK", O ADEUS FESTIVO E EMOCIONANTE DE JOHNNY WINTER

A morte do guitarrista texano Johnny Winter dois meses atrás, em meio às festividades de seus 70 anos de carreira, foi um choque terrível para seus admiradores espalhados pelo mundo inteiro.

Winter era, sem sombra de dúvidas, o legítimo herdeiro de Jimi Hendrix.

Os dois eram os únicos guitarristas da Geração Woodstock capazes de reinventar o modo de usar a guitarra num número de rock and roll.

Difícil dizer qual dos dois era mais inusitado ou original.

Ambos eram selvagens e inclassificáveis..


Johnny Winter era um assombro.

O som e a fúria do blues e do rock and roll transmutados na figura de um albino chiquérrimo com cabelos longos, inúmeras tatuagens espalhadas pelo corpo, voz ríspida e um ataque sempre surpreendente na sua Gibson Firebird.

Brilhou de forma contundente tanto nos palcos quanto em LPs memoráveis, e foi uma das estrelas mais emblemáticas do rock americano na primeira metade dos anos 70.

Mas, depois de muitos problemas com heroína, ele se encheu do estrelato na cena roqueira e, bem no auge de sua popularidade, decidiu voltar às suas origens blueseiras em discos soberbos ao lado de alguns de seus heróis musicais, que ainda estavam vivos e menos ativos do que gostariam.

Eram eles: Muddy Waters, James Cotton, Pinetop Perkins, Big Walter Horton e Willie Dixon.


Johnny gravou os melhores discos de sua carreira com eles e se divertiu um bocado como patrão e produtor deles todos.

Mas pagou caro por isso.

Sua gravadora quebrou, ele perdeu seu contrato com a Columbia e foi obrigado a migrar da cena mainstream para a cena alternativa para conseguir sobreviver -- isso enquanto via guitarristas jovens como Stevie Ray Vaughan surgirem e tomarem o lugar que era seu por direito.

O caso é que, infelizmente, sua figura, que era considerada exótica dos desbundados anos 70, passou a ser considerada bizarra nos caretésimos Anos 80. Sinal dos tempos.

Mas Johnny seguiu em frente mesmo assim.

Apesar de ter Inverno no sobrenome, não havia tempo ruim para Johnny Winter.

Aceitou sua sina e retomou sua carreira de forma não menos que espetacular em discos excelentes para a independente Alligator Records, do amigo Bruce Iglauer. e depois para o selo Point Blank, do Grupo Virgin.


Passou a gravar discos cada mais mais esporádicos, mas nunca parou de excursionar.

Todos sabiam que ele estava longe de sua melhor forma: sua voz não era mais a mesma, seu ataque na guitarra não era mais tão truculento e inusitado como antes, e muitas vezes ele só conseguia se apresentar sentado, pois a osteoporose -- doença comum entre albinos, agravada pelos anos em que fez uso de heroína -- não permitia que ele permanecesse em pé por muito tempo sem sentir dor.

Mesmo assim, nem mesmo nos momentos mais difíceis, ele nunca cogitou parar.

Nesses últimos dois anos, gravou dois discos muito bons para o selo Megaforce.

O primeiro deles foi "Roots", repleto de participações especiais estelares, onde Johnny parecia ter redescoberto o prazer de tocar e gravar em estúdio.

E o segundo, "Step Back", que Johnny finalizou pouco antes de morrer, está chegando agora às lojas.



"Step Back" não traz nenhuma grande surpresa, soa como uma continuação de seu disco anterior, o que, por si só, já é um excelente ponto de partida.

Traz Johnny Winter nitidamente feliz e satisfeito, passeando por um repertório clássico de blues e rhythm and blues que é a cara dele, tocando surpreendentemente rápido e cantando bem melhor que vinha cantando nos últimos tempos.

"Step Back" deixa transparecer que todos os convidados sabiam que Johnny não iria permanecer aqui por muito mais tempo, daí fizeram questão de contracenar com ele da forma mais festiva e positiva possível antes que tivesse que saír de cena em definitivo.

Daí, é muito importante saudar a presença de espírito de Eric Clapton, Billy Gibbons, Brian Setzer, Leslie West, Ben Harper, Joe Bonamassa e Joe Perry, que não negaram fogo a essa empreitada final de Johnny Winter, e ajudaram a fazer desse 'Step Back" uma despedida em altíssimo astral para esse guitarrista fabuloso.

Que, dois meses depois de ter partido, já faz uma falta enorme.





WEBSITE OFICIAL
http://www.johnnywinter.net/

DISCOGRAFIA
http://www.allmusic.com/artist/johnny-winter-mn0000819983/discography

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