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quarta-feira, abril 15, 2015

SCOTT WEILAND ESTÁ DE VOLTA COM UMA BANDA DE PRIMEIRA E UM ÁLBUM IMPECÁVEL


Eu sou admirador incondicional de Scott Weiland.

Na primeira vez que ouvi o Stone Temple Pilots,
foi na saudosa Rádio Enseada FM
através do cd de estréia da banda
que meu amigo Marcelo 'Panda" Belluzzo 
tinha comprado na Blaster Discos 
e não via a hora de programar na emissora.

Pensei a princípio que fosse uma banda de Seattle.
Quando vi que eles eram de Los Angeles, 
eu pensei comigo mesmo: 
"Esse cara não só é o herdeiro de Jim Morrison, 
como ainda vai engolir toda essa molecada 
lá do andar de cima da Costa Oeste".

Errei feio na minha previsão. 

Scott revelou ter uma personalidade atrapalhada 
e uma carreira errante demais. 
Independente disso, continuei achando o Stone Temple Pilots 
bem melhor que todas as bandas de Seattle juntas, 
incluindo o Nirvana.



Quando Scott tentou uma carreira solo,
 gravou um disco tão estranho quanto magnífico:
 "12-Bar Blues", fortemente influenciado por Kurt Weill,
 extremamente idiossincrático,
 e que foi muito mal digerido pelos fãs dos Pilots.
 Fiasco total de vendas.

O jeito foi voltar para sua velha banda
 e calcular melhor seus próximos passos.
 O que teria sido fácil, se Scott não gostasse tanto de heroína
 e não tivesse tanta dificuldade em cumprir compromissos de trabalho.

Sua passagem pelo Velvet Revolver foi genial e desastrosa,
 tudo ao mesmo tempo.
 Todos os discos solo que gravou antes e depois disso tudo
 são bastante confusos e sem foco.
 Mas todos, até aquele com canções de Natal,
 são estranhamente intensos e bons.

Concluindo: não deve ser fácil ser Scott Weiland,
 mas com certeza deve ser muito divertido.


Pois Scott Weiland está de volta, 
com uma banda nova chamada The Wildabouts
 e um LP novo chamado "Blaster"
 (lançamento Softdrive Records).

Fãs dos Stone Temple Pilots vão respirar aliviados:
 "Blaster" aposta na mesma alquimia que fazia
 dos álbuns da banda produtos finais tão equilibrados,
 com rocks vigorosos se alternando com baladas melódicas
 do início ao fim do disco,
mas sempre com uma surpresa ou outra pelo caminho.

Fãs do Velvet Revolver também vão respirar aliviados,
 pois os rocks vigorosos de que falei no parágrafo acima
 são, na verdade, um pouco mais do que apenas rocks vigorosos:
 são rocks truculentos e mito violentos,
 como os que brilham nos dois discos que Scott Weiland
 gravou com o Slash, Duff McKagan e Matt Sorum,
 todos membros do Guns & Roses original.

Eu acho que um dos motivos principais
 pelo qual Scott tem sérias dificuldades
 em forjar uma carreira solo para si próprio
 é o fato de gostar demais de fazer parte de bandas.



"Blaster" não esconde isso. 

Os rapazes dos Wildabouts fazem de tudo para acomodar bem Scott, 
e deixá-lo o mais à vontade possível, 
sacrificando inclusive sua própria identidade musical em prol da dele. 

O resultado final é muito bom, 
soa às vezes como os Pilots, 
outras vezes como o VR. 

O problema é que tudo é sempre familiar demais. 
E isso, neste caso, pode ser tanto uma bênção 
quanto uma maldição para The Wildabouts. 

Torço para que nos próximos álbuns 
-- se houverem outros álbuns com eles -- 
Scott permita que desenvolvam uma cara própria. 
É uma banda muito boa. 
Pode brilhar muito mais.

E as canções são todas ótimas. 
Na verdade, uma melhor que a outra. 
Se eu tiver que escolher minhas favoritas, 
fico com as mais mansas: 
“Way She Moves”, 
“Youth Quake”,
“Beach Pop”,
e a estranhíssima “Circles”.

Mas os rocks são ótimos também, 
verdadeiras patadas musicais, 
vide "Modzilla"
"Way She Moves"


Eu recomendo "Blaster". 

É o melhor disco solo de Scott Weiland
 desde sua estréia em "12-Bar Blues". 

É o mais bem resolvido
 e menos idiossincrático também.

Acho que Scott nunca vai conseguir fazer
 o disco perfeito que todos esperam dele,
 até porque, aos 48 anos de idade,
 ele continua sempre o primeiro a conspirar
 contra qualquer modalidade de perfeição.

Eu prefiro gostar de "Blaster" como ele é,
 apesar dele só sinalizar com ousadias mais para o final do disco.
Mas está de bom tamanho para o momento.

Se essa banda conseguir aturar Scott mais um ou dois anos,
 quem sabe não tenhamos alguma surpresa maior logo logo...







AMOSTRAS GRÁTIS






quarta-feira, novembro 05, 2014

MARIANNE FAITHFULL DÁ ADEUS À AMARGURA EM SEU NOVO LP "GIVE MY LOVE TO LONDON"


Marianne Faithfull é um caso complicado.

Linda e muito popular em 1964, quando ganhou o mundo com o compacto “As Tears Go By”, de Mick Jagger & Keith Richards, ela conseguiu impor através de sua voz frágil e docemente ríspida um padrão novo e original que, de tão pessoal, poucas cantoras ousaram tentar seguir na época.

Extremamente bem sucedida a princípio, foi terrivelmente prejudicada por seu casamento turbulento com Mick Jagger, por suas pretensões como atriz e, last but not least, pela dependência de heroína e pelas constantes tentativas de suicídio.

Demorou muito para Marianne perceber que nada daquilo tudo apontava para lugar algum.

Foi quando tentou retomar sua carreira musical.

Em vão.


Passou a primeira metade dos anos 1970 num limbo artístico muito cruel.

Só conseguiu achar foco para seu carreira ao se reinventar por completo, já em plena era punk, com o LP “Broken English” -- certamente o trabalho mais contundente de uma cantora-compositora inglesa naquela período.

Daí em diante, encontrou um público fedelíssimo que nunca mais iria abandoná-la.

Mergulhou de cabeça no repertório de Kurt Weill em “20th Century Blues”, e gravou vários LPs alternando canções próprias com outras de seus amigos Tom Waits e Nick Cave.

Seis anos atrás, recuperada de uma mastectomia, topou fazer “Easy Come Easy Go”, um álbum de covers com duetos para acabar com todos os outros álbuns de covers com duetos -- onde contracenou com amigos como Antony, Rufus Wainwright, Nick Cave, e até Keith Richards.

Ano retrasado, voltou, com um LP mais inusitado ainda. “Horses & High Heels” inteiramente gravado em New Orleans com os jovens músicos do excelente grupo Lower 911, e o resultado foi desconcertante e inusitado, contrapondo a abordagem musical sombria de Marianne com o frescor musical desses jovens músicos.


Agora, ela está de volta com "Give My Love To London", uma álbum de extremos emocionais, segundo ela própria, produzido brilhantemente por Rob Ellis e Dimitri Tikovo e mixado por Flood, produtor do U2.

E mais uma vez, Marianne reúne em torno dela convidados estelares com canções escritas especialmente para ela: Nick Cave, Brian Eno, Roger Waters, Anna Calvi, Steve Earle e Tom McRae, todas perefeitamente adequadas a ela.

É um LP belíssimo, de uma delicadeza absoluta.

Se no seu disco anterior Marianne nos brindou com uma releitura lindíssima de "Going Back", de Carole King e Gerry Goffin, aqui ela reinventa de forma magnífica o clássico dos Everly Brothers "The Price Of Love", acrescentando à canção uma densidade existencial que ela nunca sonhou ter antes.

E tem uma versão tão dilacerada e contundente de "I Get Along Without You Very Well" de Hoagy Carmichael que deixa a versão clássica de Billie Holiday no chinelo.

Para completar, suas novas composições são todas ótimas, provas irrefutáveis de que ela, com o passar dos anos, conseguiu tornar-se uma compositora de mão cheia.

Em praticamente todas elas, Marianne promove um resgate emocional intenso e extremamente verdadeiro.


Marianne Faithfull está com 68 anos de idade.

A cada disco que lança, ela não cansa de nos surpreender positivamente.

Já foi ao Inferno e voltou algumas vezes, sempre encarnando uma Ofélia junkie que possui todas as características de uma personagem trágica,

Menos uma:

Insiste em permanecer viva, ativa, e bem.


WEBSITE OFICIAL
http://mariannefaithfullofficial.tumblr.com/

DISCOGRAFIA
http://www.allmusic.com/artist/marianne-faithfull-mn0000651107/discography

AMOSTRAS GRÁTIS

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