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segunda-feira, maio 21, 2018

O NARIGUDO MAIS GENIAL DO ROCK BRITÂNICO FAZ ANIVERSÁRIO


 O FAMOSO QUEM: A POLÊMICA BIOGRAFIA DE PETE TOWNSHEND
por Michiko Kakutani para The New York Times

“Ninguém sabe o que é ser o homem mau”, escreveu Pete Townshend numa famosa música do The Who. “Ser o homem triste por trás dos olhos azuis/Ninguém sabe o que é/ ser odiado, predestinado a contar apenas mentiras”. Bem, em seu novo livro de memórias, Pete Townshend nos diz exatamente, em outra canção, o que é ser “o homem triste” e o músico que sorri e sorri abertamente “com todas as mudanças” em sua vida. Ele responde à famosa pergunta da banda, “quem é você?”. E possivelmente com mais detalhes que os fãs sempre quiseram conhecer.

Who I Am é um livro sincero, sofrido, voltado para uma busca interior – às vezes eloquente e prolixo, revelador e curiosamente conciso. Nele, Townshend, guitarrista e compositor das músicas do The Who, faz um relato íntimo e doloroso da sua vida como se numa sessão de terapia, e, ao mesmo tempo, narra a história da banda desde quando ela surgiu no cenário musical de Londres nos anos 60 e se tornou o símbolo da rebelião juvenil e do rock-and-roll ruidoso, anárquico.

O autorretrato de Townshend é rude e inclemente. Ele conta como sofreu abusos na infância e os sentimentos de vergonha, raiva e inquietação. Fala do uso de drogas, da luta contra o álcool, da prisão por suspeita de manter consigo fotos tiradas de um website de pornografia infantil.

Os muitos conflitos internos do artista são exaustivamente delineados. Ele conta como ficou dividido entre os anseios espirituais e a “vida rastejante” de uma estrela do rock, entre as pretensões intelectuais e “uma autoestima desesperadamente baixa”, entre seus compromissos com a família e as demandas do “artista infantil, diabólico, o maldito egoísta, que vive na profundeza do seu ser”, que “não deu a mínima importância para a paternidade”.

Seus relatos da angústia mental que sofreu quando criança são terríveis: quando tinha 6 anos foi enviado inexplicavelmente pelos pais para a casa da avó cruel e mentalmente instável, que “acolhia homens da garagem de ônibus e da estação de trem em frente do seu apartamento o tempo todo”; um desses homens, ele sugere, o molestou. (As descrições de Townshend sobre este assunto são vagas. “Consegui manter os detalhes longe do alcance da memória”, diz ele.)

Estas passagens do livro não oferecem somente uma perspectiva da ira mordaz e da violência que animaram as performances de Pete no palco, mas também são temas autobiográficos destacados na ópera-rock da sua banda, Tommy, que relata a história de um menino abusado e traumatizado que se torna uma espécie de messias pop.

Talvez porque o autor adote um enfoque mais voltado para o seu interior, Who I Am não oferece um sentido visceral ou particularmente vívido, como Keith Richards em seu livro Life de 2010, do que foi estar na estrada com uma banda de rock famosa, do que era o tumulto dos anos 60 e 70 visto de dentro, quando o rock and roll estava revolucionando o mundo.

Por respeito à privacidade dos seus colegas de banda ou o desejo de se concentrar na própria história de vida, Pete também se recusa a fazer retratos de Roger Daltrey (que ele chama de “líder inquestionável da banda”, o que é questionável), de Keith Moon ou John Entwistle, que deem muito mais a conhecer as suas personalidades, seu talento musical ou as interações explosivas.

Jimi Hendrix é um dos poucos músicos que realmente adquire vida nestas páginas. Ele é descrito como um “xamã”, que parecia ter “uma luz colorida cintilante” emanando “das pontas dos seus longos e elegantes dedos quando tocava”. Sob certos aspectos, Townshend escreve, “as performances de Hendrix foram emprestadas das minhas – o feedback, a distorção, a encenação teatral da guitarra”, mas seu “gênio artístico reside na maneira como ele criou um som todo próprio: a alma psicodélica, ou o que eu chamo de ‘impressionismo do blues’”.

Sobre Mick Jagger, Pete Townshend faz esta observação pessoal: “Ele é o único homem com quem desejei seriamente fazer sexo e parecia ser muito bem dotado”. Quanto a Keith Richards, Townshend diz que se lembra de vê-lo se aquecendo nos bastidores em 1963 girando os braços como a hélice de um moinho; quando notou que Richards não usou aquele movimento no show que fizeram juntos mais tarde, “decidiu adotá-lo” – e naturalmente isso se tornou uma das suas marcas registradas no palco, como a detonação de guitarras, que era sempre aguardada pelos fãs do grupo.

Em Who I Am, Pete descreve as proezas mais conhecidas do The Who: suas brigas com Hendrix para saber quem se apresentaria em primeiro lugar no Monterey Pop Festival de 1967; seus confrontos com Abbie Hoffman em Woodstock; e as famosas destruições de quartos de hotel pela banda – incluindo uma comemoração de aniversário de Keith Moon particularmente escandalosa que acabou com um Lincoln Continental meio submerso numa piscina. O grupo foi proibido de se hospedar nos hotéis da cadeia Holiday Inn para sempre.

Infelizmente, tais descrições tendem a parecer uma repetição de histórias que o autor já contou centenas de vezes antes; há alguma coisa truncada e vagamente superficial nelas. Na verdade, a edição do livro todo às vezes parece peculiar: embora o leitor obtenha muita informação sobre as lutas de Townshend com a infidelidade conjugal e a bebida, outros trechos do livro estão repletos de “cortes que quebram a continuidade da narrativa”, que a tornam irregular e imprevisível e diminuem o ritmo do livro.

O que Townshend consegue fazer com insight, verve e às vezes grandiosidade é descrever como o The Who e sua música evoluíram; como o grupo “se dispôs a expressar a alegria e a raiva” da geração que chegava à maturidade no “deserto adolescente” que era a Grã-Bretanha após a Segunda Guerra Mundial, sob a sombra da bomba atômica e profundamente distanciada do sistema de classes estabelecido. É por isso que o som original do The Who – com toda a gritaria e distorção, guitarras destroçadas e a bateria frenética de Moon, era tão agressivo e explosivo.

Este é o Pete Townshend teórico do rock – familiar para os fãs, que leram seus ensaios e críticas de música, ouviram suas entrevistas repletas de reflexão. Pete conta com toda sinceridade, nestas páginas, da influência que artistas como Kinks e Bob Dylan exerceram sobre ele, lembrando que quando se sentou pela primeira vez para escrever músicas para o The Who, ele se isolou na cozinha do seu flat em Ealing e ouviu inúmeras vezes músicas como The Freewheeling’ Bob Dylan; Better Git It in Your Soul, de Charles Mingus, do Mingus Ah Um; Devil’ Jump, de John Lee Hooker; e Green Onions, do Booker T and The MG’s.

Aqui ele prova também ser uma espécie de historiador do rock, ao descrever o ambiente musical na Grã-Bretanha dos anos 60, quando o rock explodiu. Descreve como isso mudou drasticamente a velha ordem representada pelo swing que seu pai, clarinetista e saxofonista, tocava numa banda chamada Squadronaires. E explica como o The Who ampliou as fronteiras do rock, criando um dos primeiros álbuns mais aclamados, como (The Who Sell Out de 1967) e foi pioneiro na criação de uma ópera-rock, Tommy, em 1969.

Com diz o autor, o predomínio do Who começou a ser corroído com a ascensão do rock punk nos anos 70. “Embora músicas como My Generation e Won’t Get Fooled Again tenham se tornado hinos de uma época particular”, ele escreve, em 1981 “um abismo se abriu entre a banda e a nova geração”. Muitos leitores, contudo, podem alegar que o movimento punk na verdade deve muito ao Who, em termos de atitude de desafio e o som propulsivo, intrépido.

Numa entrevista para a Rolling Stone em 1970, Pete afirmou com grandiloquência que o rock era “o veículo primordial para tudo. É o veículo primordial para dizer alguma coisa, para reprimir alguma coisa, para criar alguma coisa, para matar e criar”. Ele defende com veemência este argumento – e a contribuição do Who para a causa – nas páginas deste livro profundamente sentido, e muitas vezes pesado.

(TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO)


ÁLBUNS DE ESTÚDIO
Who Came First (1972)
Rough Mix (com Ronnie Lane) (1977)
Empty Glass (1980)
All The Best Cowboys Have Chinese Eyes (1982)
Scoop (1983)
White City: A Novel (1985)
Another Scoop (1987)
The Iron Man: A Musical (1989)
Psychoderelict (1993)
Lifehouse Chronicles (box set de 6 CDs) (2000)
Lifehouse Elements (2000)
Scoop 3 (2001)

Scooped (2002)

ÁLBUNS AO VIVO
Deep End Live! (1986)
A Benefit For Maryville Academy (1999)
The Oceanic Concerts (com Raphael Rudd) (2001)
Magic Bus - Live From Chicago (2004)
Live Sadler's Wells 2000 (2000)
Live The Empire 1998 (2000)
Live The Fillmore 1996 (2000)
Live La Jolla Playhouse 22/06/01 (2001)
Live La Jolla Playhouse 23/06/01 (2001)
Live Bam 1993 (2003)
Live Brixton Academy '85 (2004)














plus...






segunda-feira, outubro 09, 2017

O ANIVERSARIANTE DESTE DOMINGO FOI O PILAR DE SUSTENTAÇÃO DO SOM E DA FÚRIA DESENCADEADOS POR THE WHO DURANTE QUASE 40 ANOS


HOJE SERIA O ANIVERSÁRIO DE 73 ANOS
DO LENDÁRIO BAIXISTA DO WHO
JOHN ENTWHISTLE,
O HOMEM QUE MANTINHA A BANDA NO CHÃO
ENQUANTO KEITH MOON ESPANCAVA SEUS TAMBORES
E PETE TOWNSHEND VOAVA PELO PALCO
COM SUA GUITARRA EM MÃOS.

SAUDAMOS SUA MEMÓRIA
RESGATANDO UM BELO SHOW DELE
COM SUA BANDA ALTERNATIVA THE OX
AO VIVO NO B B KING'S CLUB EM NEW YORK
UM ANO ANTES DE SUA MORTE.

ENJOY...





segunda-feira, outubro 02, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE SÁBADO FOI O REI DO GLAM ROCK, MAS PODERIA TER SIDO MUITO, MUITO MAIS DO QUE ISTO.


MARC BOLAN VIVEU RÁPIDO DEMAIS
E SAIU DE CENA AOS 30 ANOS DE IDADE.

HOJE, NO SEU ANIVERSÁRIO
DE 70 ANOS DE NASCIMENTO,
SAUDAMOS ESTE GRANDE ÍCONE
DO ROCK BRITÂNICO
RESGATANDO UM DOCUMENTÁRIO
INTITULADO "THE FINAL WORD"
SOBRE SUA VIDA E OBRA.

ENJOY...






sexta-feira, agosto 25, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEXTA É O FELIZARDO MARIDÃO DE DIANA KRALL


PARA CELEBRAR O ANIVERSÁRIO DE MR COSTELLO,
RESGATAMOS UM DOCUMENTÁRIO BELÍSSIMO
SOBRE O DISCO QUE ELE E BURT BACHARACH
COMPUSERAM E GRAVARAM JUNTOS EM 1998,
PAINTED FROM MEMORY

ENJOY...













segunda-feira, agosto 21, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE SÁBADO É O MAGNÍFICO BATERISTA INGLÊS GINGER BAKER


AQUI, UMA BELA PERFORMANCE
DO GINGER BAKER TRIO
NO 26º DEUTSCHE JAZZ FESTIVAL
EM FRANKFURT
(29 DE SETEMBRO DE 1995)












quarta-feira, agosto 16, 2017

NOSSO NOTÁVEL ANIVERSARIANTE DESTE DOMINGO É O ELEGANTE PIANISTA DE JAZZ GEORGE SHEARING


NASCIDO HÁ EXATOS 98 ANOS,
ESSE ELEGANTÉRRIMO PIANISTA DE JAZZ
VINDO DA BOA E VELHA INGLATERRA
CONSEGUIU ENCANTAR OS AMERICANOS,
E DE QUEBRA TODO O PLANETA TERRA.

FIQUEM COM UM BELO CONCERTO
DO SAUDOSO GEORGE SHEARING
AO LADO DO TAMBÉM SAUDOSO MEL TORMÉ
NO NEWPORT JAZZ FESTIVAL EM 1989.

ENJOY...








sexta-feira, julho 21, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESSA SEXTA FOI O MAIOR MENESTREL POP INGLÊS DOS ANOS 60 E 70, E CONTINUA CIRCULANDO POR AÍ


O MENESTREL POP CAT STEVENS
COMPLETA 69 ANOS DE IDADE
EM EXCELENTE FORMA,
SEGUINDO PELO MUNDO AFORA
FAZENDO SHOWS IMPECÁVEIS
ONDE MESCLA CANÇÕES ANTIGAS
COM CANÇÕES MAIS RECENTES.

SAUDAMOS CAT STEVENS
RESGATANDO DOIS MOMENTOS
BEM LEGAIS DE SUA LONGA CARREIRA:

PRIMEIRO, NUM POCKET-SHOW
TOTALMENTE ACÚSTICO
PARA UMA PLATEIA SELETA
EM LOS ANGELES, 1971.

E SEGUNDO NO SHOW DE ENCERRAMENTO
DO FESTIVAL DE VIÑA DEL MAR 2015,
AQUI AO LADO, NO CHILE.

ENJOY...












quinta-feira, junho 22, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA QUARTA FEIRA É O MAIS IRREVERENTE SIR DO IMPÉRIO BRITÂNICO EM TODOS OS TEMPOS.


NOSSO ANIVERSARIANTE DE HOJE,
RAYMOND DOUGLAS DAVIES,
LIDEROU AO LADO DE SEU IRMÃO
DAVID RUSSELL GORDON DAVIES
(OU SIMPLESMENTE DAVE DAVIES)
A BANDA DE ROCK INGLESA
MAIS "INGLESA" DE TODOS OS TEMPOS:
THE KINKS (1964-1996)

EM CARREIRA SOLO NOS ÚLTIMOS 21 ANOS,
RAY DAVIES PERMANECE ATIVO
E AOS 73 ANOS DE IDADE
E ACABA DE LANÇAR
UM NOVO DISCO ELOGIADÍSSIMO,
QUE COMENTAREMOS AQUI
EM ALTO&CLARO
AO LONGO DA PRÓXIMA SEMANA.

FIQUEM COM UM SHOW CLÁSSICO DOS KINKS
GRAVADO NA TOURNÉE AMERICANA DE 1979
E COM UMA DELICIOSA PERFORMANCE SOLO
EM GLASTONBURY SETE ANOS ATRÁS.

ENJOY...













sexta-feira, junho 02, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEXTA É SIMPLESMENTE O BATERISTA MAIS SÓBRIO E CLASSUDO QUE O ROCK AND ROLL JÁ TEVE O PRAZER DE CONHECER


NOSSO ANIVERSARIANTE DESSA SEXTA
É O BATERISTA DOS ROLLING STONES:
O JAZZMAN CHARLIE WATTS.

PARA CELEBRAR SEUS 76 ANOS DE IDADE
RESGATAMOS UMA PERFORMANCE GENIAL
DA CHARLIE WATTS BIG BAND EM 1988,
REUNINDO O CRÈME DE LA CRÈME
DOS MÚSICOS DE JAZZ LONDRINOS
NUM MESMO PALCO.

ENJOY...









quinta-feira, junho 01, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESSA QUINTA É SIMPÁTICO, BEBERRÃO, BEM-HUMORADO, NARIGUDO E TOCA SLIDE GUITAR COMO NINGUÉM NA BOA E VELHA INGLATERRA


CELEBRAMOS OS 70 ANOS BEM VIVIDOS
DESSE GRANDE GUITARRISTA INGLÊS
QUE FAZ PARTE DOS ROLLING STONES
RELEMBRANDO SEU ÚLTIMO SHOW COMO
GUITARRISTA DOS FACES DE ROD STEWART
E TAMBÉM RESGATANDO OS REGISTROS
DA LENDÁRIA TOURNÉE QUE ELE FEZ EM 1988
COMO MEMBRO DA BANDA DE BO DIDDLEY

ENJOY...









sábado, maio 20, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESSA SEXTA É O MAIOR CANTOR-COMPOSITOR DE ROCK QUE A BOA E VELHA INGLATERRA JÁ PRODUZIU.


NOSSO AMIGO NARIGUDO ESTÁ COMPLETANDO
NADA MENOS QUE SETENTA E DOIS ANOS
EM PLENA FORMA
E NA ESTRADA COM THE WHO.

NÓS AQUI CELEBRAMOS A DATA
RESGATANDO DOIS SHOWS
SIMPLESMENTE ESPETACULARES.

O PRIMEIRO DELES É DE PETE TOWNSHEND
SOLO NA ACADEMY OF MUSIC
NO BROOKLYN, NY, EM 1993.

E O SEGUNDO É O ANTOLÓGICO
CONCERTO DO THE WHO
NO ROYAL ALBERT HALL
COM UMA PENCA DE CONVIDADOS
EM 2000.

ENJOY...