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sábado, outubro 21, 2017

CELEBRAMOS HOJE O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO TRUMPETISTA MAIS BOCHECHUDO DE TODOS OS TEMPOS


SAUDAMOS O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO
DO FABULOSO TRUMPETISTA DIZZY GILLESPIE
RESGATANDO TRÊS REGISTROS EM VÍDEO
SIMPLESMENTE SENSACIONAIS.

O PRIMEIRO FOI GRAVADO NA BÉLGICA
EM 1958 COM O FABULOSO SONNY STITT.

O SEGUNDO FOI GRAVADO NA DINAMARCA
EM 1971 COM THELONIOUS MONK
E NOVAMENTE SONNY STITT. 

E O TERCEIRO É UM DOCUMENTÁRIO
INTITULADO "DIZZY EN CUBA",
QUE MOSTRA DIZZY DE VOLTA À ILHA
QUARENTA ANOS DEPOIS DE LEVAR
PARA A AMÉRICA E PARA A EUROPA
SUAS AVENTURAS MUSICAIS
COM O JAZZ LATINO.

ENJOY...







quarta-feira, setembro 12, 2012

NOVOS TRIBUTOS ORIGINAIS E INCOMUNS AO GÊNIO MUSICAL DE THELONIOUS MONK


Desde que arriscou alguns dedilhados meio estranhos ao piano quando fazia parte do quinteto de Coleman Hawkins, no final dos anos 40, Thelonious Monk sempre foi visto como um sujeito exótico e imprevisível. Que só era tolerado pelos líderes de bandas onde quem trabalhou por ser absurdamente talentoso.

Ao longo de toda a década de 1950, seu toque inusitado, que combinava elementos de stride piano tradicional com revisões estruturais radicais de muitos conceitos formais do jazz, causou estranheza aos jazzistas mais conservadores. No entanto, alguns músicos mais descolados -- como Charles Mingus, Miles Davis e o jovem John Coltrane -- logo perceberam que ele iria ajudar a virar a cena jazzística de ponta cabeça mais cedo ou mais tarde, e trataram de ficar por perto dele.

Thelonious Monk só foi virar "o Thelonious Monk" para valer no início dos anos 1960, numa série de LPs para a Columbia  produzidos por Teo Macero que fizeram dele uma estrela e uma espécie de gênio musical adorado por todos.

Suas célebres idiossincrasias, no entanto, perderam muito de seu charme quando foram diagnisticadas como desordem mental.

Então, no início dos anos 70, Monk começou a ter dificuldades em comandar sua banda. Conseguia, se muito, participar de grupos grandes de músicos muito amigos, onde se sentia mais seguro. Até que,  por volta de 1973, decidiu se aposentar, e viveu recluso até morrer, em 1982, em seu apartamento em New Jersey, com vista privilegiadíssima para sua Nova York natal.



Pois bem: 30 anos após sua morte, grupos de vários cantos do mundo e várias procedências musicais rendem homenagens a Thelonious Monk.

Recentemente, comentamos aqui o belo e inusitado LP "The Monk Project" do veteraníssimo trombonista Jimmy Owens, lançado no início deste ano.

Hoje vamos comentar rapidamente outros dois:

Um, de um trio islandês muito divertido comandado por um organista, chamado Asa Trio.

E outro, de um pianista vindo da banda de Wynton Marsalis: o craque Eric Reed.



A música do Asa Trio não parece ter limites.

Eles misturam Wayne Shorter com Fiona Apple e John Coltrane com Red Hot Chili Peppers e Jimi Hendrix sem o menor constrangimento, e funcionam como um Medeski Martin & Wood de câmara, mesclando o som encorpado do Hammond B-3 de Agnar Magnussen (devoto declarado de Jimmy Smith) com a bateria de Scott Lemore (devoto de Tony Williams) e a guitarra de Anders Thor (devoto de Jimi Hendrix).

"Asa Tro Plays The Music Of Thelonious Monk" é o primeiro disco de estúdio deles, e é supreendente. Primeiro porque é difícil imaginar um organista fazendo uso dos conceitos musicais que Monk desenvolveu ao piano, baseado principalmente em desconstrução formal e utilização dos silêncios como parte integrante de sua música..Só ouvindo mesmo para sentir o que eles fizeram com o songbook de Monk, com releituras pouco reverentes e, até por isso mesmo, extremamente respeitosas ao espírito de sua música.

O website do Asa Trio http://www.asa-trio.com/ traz de lambuja, para quem quiser conhecer melhor o grupo, dois discos ao vivo que eles não lançaram comercialmente disponíveis para download: um com repertório variado e outro dedicado a John Coltrane.



Já o pianista e band leader Eric Reed vai na contramão disso tudo em "The Baddest Monk", seu segundo songbook dedicado às composições de Monk. Apesar disso, seria leviano afirmar que seu disco é reverente a Monk, até porque Eric comete algumas ousadias no mínimo curiosas.

Nas sete composições originais de Monk que escolheu para o disco, Reed promove abordagens muito pessoais, que às vezes se assemelham um pouco às de Monk pelo uso eventual de técnicas de stride piano, mas que quase sempre remetem a pianistas alunos de Monk, como McCoy Tyner e Herbie Hancock, que o influenciaram de forma mais intensa.

O disco, no entanto, traz dois números compostos em homenagem a Monk: "Monk Buerre Rouge" e "The Baddest Monk", ambos de autoria de Reed. Neles, para surpresa geral, sua banda soa quase exatamente como a de Monk. ,

E, com isso a homenagem ao grande mestre ganha um contorno extremamente diferente, nada sisudo, nitidamente bem humorado.








São discos muito simpáticos e nada óbvios.

Que reverenciam, cada um à sua maneira, a memória e o gênio musical de Thelonious Monk.

E que servem como termômetro para que possamos avaliar melhor qual foi exatamente o legado musical desse grande mestre, trinta anos depois de sua morte, e quarenta anos depois dele ter-se aposentado em definitivo.

Não há muito o que dizer depois de tudo isso, a não ser:

Vida Longa a Thelonious Monk!


BIO-DISCOGRAFIAS

WEBSITES OFICIAIS

AMOSTRAS GRÁTIS

domingo, julho 29, 2012

JIMMY OWENS MIRA NO UNIVERSO MUSICAL DE THELONIOUS MONK E ALCANÇA O NIRVANA



Norman Granz, lendário fundador da Verve Records nos anos 50, e também da Pablo Records nos 70, sempre incentivou seus artistas a gravar discos conceituais.

Não porque tivesse alguma predileção por eles.

É que discos conceituais -- que podiam tanto ser songbooks de grandes compositores quanto tributos a grandes artistas -- saiam do forno com relativa facilidade nas sessões de gravações com artistas de jazz tarimbados e com conhecimento vasto do repertório alheio.

E ele, Norman Granz, como todo dono de gravadora, nunca gostou de ver seus contratados perdendo tempo precioso nos estúdios caríssimos que alugava a peso de ouro em Nova York ou Los Angeles. Não é à toa que a maioria dos discos da Verve e da Pablo trazem sempre nas fichas técnicas as datas em que foram registrados -- um, dois, no máximo três dias.

Pois essas empreitadas de Norman Granz conceituando discos fizeram escola e passaram a ser adotadas por produtores de diversas gravadoras, servindo com pretexto para montar sessões all-star a um custo assessível e até para promover à condição de band-leaders artistas talentosos que, por um motivo ou outro, nunca conseguiram se afirmar como artistas solo e que permaneceram na cena apenas como -- excelentes -- sidemen.


Jimmy Owens é um desses casos.

Trumpetista da pesada, com um sopro robusto e exuberante, ele tocou na banda de Miles Davis, no início dos anos 60, mas não teve a sorte de participar de nenhum de seus discos de estúdio.

Trabalhou também nas bandas de Lionel Hampton, Charles Mingus e Dizzy Gillespie, sem chamar muito a atenção de ninguém.

Apareceu um pouco mais intensamente em 1966, quando passou a integrar a That Jones/Mel Lewis Orchestra e o New York Jazz Sextet, e nos anos 1970 em grupos como como o Mingus Dinasty e o Chuck Israels´ National Jazz Ensemble.

Mas, mesmo assim, só foi ganhar alguma notoriedade quando participou durante dois anos da house band do popular programa da BBC-TV de David Frost.

Os discos de Jimmy Owens gravados como band-leader são pouco mais de meia dúzia e todos de primeira grandeza -- só que, infelizmente, conhecidos apenas por iniciados.

Ou seja: muito pouco para alguém que está prestes a completar 70 anos de idade e 55 de carreira.



Por tudo isso, e por seus méritos artísticos também, "The Monk Project", esse novo trabalho de Jimmy Owens, soa muito especial, e vai muito além dos discos tributos ligeiros que pipocam no mercado, que quase sempre se limitam a saudar os artistas homenageados de forma cerimoniosa.

Aqui, Jimmy Owens reúne jazzistas de peso como seu velho parceiro de muitas empreitadas musicais, o veterano pianista Kenny Barron, e também o "tuba master" Howard Johnson, que se alterna no sax barítono, para tomar a frente de uma banda de músicos jovens e impetuosos: Wycliffe Gordon (trombone), Marcus Strickland (sax tenor), Kenny Davis (contrabaixo) e Winard Harper (bateria).

"The Monk Project" não comete o erro de ser cerimonioso com a memória e o legado musical de Thelonious Monk, até porque os músicos que conviveram com Monk -- e Jimmy Owens teve esse prvilégio --, nunca deixaram de se impressionar com sua capacidade de reinventar suas trilhas musicais constantemente, e também de aceitar o desafio de seguir seus passos, sempre largos e inusitados.

O resultado da abordagem de Owens nesse disco é simplesmente soberbo.

Uma conjunção perfeita de experiências musicais de ex-parceiros e alunos de Monk com admiradores distantes, que mal conseguem esconder o fascínio de serem angolidos pela delicadeza multidemensional dos arranjos monkianos providenciados por Owens, Barron e Johnson.

Sim, porque o que "The Monk Project" saúda é a essência da música de Thelonious Monk, e o quão importante ela foi para o jazz dos anos 60 e 70, e o quanto ela pode ser vital para os novos rumos do jazz nesse novo século.

Ou seja: ao contrário dos discos tributos em geral, esse aqui olha para a frente.

E vê longe.



Não deveria ser surpresa para ninguém que Jimmy Owens abordasse o trabalho de Monk dessa forma.

Seu conceito de trabalho no saudoso grupo Mingus Dinasty, que trabalhava o repertório e os conceitos musicais de Charles Mingus, seguia mais ou menos pelo mesmo caminho, e de cerimonioso não tinha nada.

A surpresa, na verdade, fica mesmo por conta de Owens só agora estar tendo sua grande chance de se afirmar como o grande músico e band-leader que é.

Se você faz parte da legião de admiradores de Thelonious Monk, prepare-se para fortes emoções com esse "The Monk Project".

Já se este for seu primeiro contato com o universo musical desse grande mestre da música do Século XX, prepare-se:

Vai ser uma experiência e tanto....



BIO-DISCOGRAFIA
http://www.allmusic.com/artist/jimmy-owens-mn0000085955

WEBSITE OFICIAL
http://jimmyowensjazz.com/

AMOSTRAS GRÁTIS
 

sexta-feira, abril 06, 2012

A VOLTA TRIUNFAL DO JAZZ CRISTALINO DE CHICK COREA E GARY BURTON


A reclamação mais constante que se ouve da produção jazzística do pianista Chick Corea é que é cerebral demais e divertida de menos.

Só que essa reclamação nunca valeu para os deliciosos discos que grava de tempos em tempos ao lado do vibrafonista Gary Burton.

Corea e Burton formam uma parceria extremamente bem sucedida que já dura 38 anos, e que se renova a cada 12 meses numa nova série de shows que, eventualmente, acabam virando discos também.

Em todas essas apresentações -- e também em todos esses LPs -- a sensação que fica é que os dois estão sempre brincando no palco como se fossem seus heróis musicais Milt Jackson e John Lewis.

E, claro, se divertindo mais do que a platéia.



“Hot House” é o oitavo e mais recente desses LPs.

Aqui, eles passeiam por um repertório bem variado, que inclui temas de Art Tatum, Bill Evans, Dave Brubeck, Tadd Dameron e Thelonious Monk.

Perfeitamente combinados com eles, temos também uma releitura lindíssima de “Eleanor Rigby”, de John Lennon e Paul McCartney, e dois números clássicos da bossa nova assinados por Tom Jobim: “Chega de Saudade” e “O Amor Em Paz”.

Aliás, passear é um termo adequadíssimo para definir o que eles fazem nesses encontros musicais.

De qualquer maneira, o resultado final desses encontros é sempre jazz impressionista de primeiríssima grandeza.

Para fugir um pouco ao descompromisso do repertório habitual deles nos últimos tempos, os dois números de encerramento de “Hot House” são originais intrincados -- mas nem por isso sisudos -- de Chick Corea, que contam com a participação da Harlem String Orchestra: “My Ship” e “One For Mozart”.

Ah, que bom seria se todos os casamentos fossem prósperos e saudáveis quanto o desses dois...


INFO
http://www.allmusic.com/artist/chick-corea-p66463/biography
http://www.allmusic.com/artist/gary-burton-p6212/biography

DISCOGRAFIAS
http://www.allmusic.com/artist/chick-corea-p66463/discography
http://www.allmusic.com/artist/gary-burton-p6212/discography

WEBSITES OFICIAIS
http://www.chickcorea.com/
http://www.garyburton.com/

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