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domingo, abril 15, 2018

NOSSO ANIVERSARIANTE É SIMPLESMENTE O MAIOR SOULMAN VIVO, E ISSO MERECE SER DEVIDAMENTE COMEMORADO



Embora considerado por muitos como o último grande artista da geração da música soul, Al Green não soa nada parecido com os seus predecessores. Sua voz é frequentemente comparada a uma combinação perfeita entre “sensual” e “sexy”. Com o seu falsete característico e único, capaz de provocar verdadeiras explosões de arrepios, ele esteve em alta durante todos os anos 70, alcançando o top 10 da paradas diversas vezes.

Albert Greene nasceu em Abril de 1946, em Arkansas. Ainda pequeno começou a atuar com os seus cinco irmãos mais velhos, conhecidos localmente por Greene Brothers. Apesar de serem muito pequenos começaram desde cedo a criar boa reputação e a lançar as sementes para o sucesso. Então, no final dos anos 50, o pai o expulsou de casa quando o encontrou a ouvir o mítico Jackie Wilson, considerado o Elvis Presley negro! Uma vez que a família Greene era profundamente devota à igreja católica, o recém-descoberto interesse musical de Albert foi motivo suficiente para que fosse colocado fora de casa.

Na escola secundária, Al Green começou um grupo com dois colegas, Curtis Rodgers e Palmer James. Em 1968, gravaram a música “Back Up Train” e em poucas semanas assistiram ao sucesso da música nas tabelas de R&B. Ainda assim, o álbum de estreia dos Al Green & Soul Mates não teve o mesmo sucesso.

Ao assinar contrato com o produtor Willie Mitchell, Al Green lançou então o seu primeiro álbum a solo, “Green Is Blues”, que registou um sucesso moderado. O segundo disco “Al Green Next to You” também não elevou Al Green ao patamar do estrelato. Mas quando o álbum “Let’s Stay Together” saiu, o artista nunca mais deixou de ser reconhecido como uma das grandes vozes da História da Música. Foi com este hit clássico -- seu primeiro disco de ouro -- que garantiu um lugar único no coração do público.

Após anos de glória, o artista viveu momentos dramáticos em 1974, quando pouco depois do lançamento do álbum “Al Green Explores Your Mind”, a sua ex-namorada, Mary Woodson White, despejou seobre ele uma frigideira de aveia quente enquanto tomava banho. O motivo teria sido dele em se casar com ela, que se suicidou logo após o ataque, usando o próprio revólver dele, Al Green. Levou semanas para ele se recuperar das queimadoras nas costas e nos braços. De qualquer maneira, sua vida mudou radicalmente daquele momento em diante. Tornou-se pastor pelo Tabernáculo Full Gospel em Memphis. No ano seguinte casou com Shirley Kyles, com quem teve 3 filhas. E passou a se dedicar à religião, alternando LPs soul com LPs gospel – se bem que, ao longo dos Anos 80 e 90, Al se dedicou prioritariamente à sua carreira gospel.

Só em 2003, Al Green regressou com força total à soul music, e então todos se deram conta de que ele era o maior soulman vivo, e que esse legado precisava ser saudado. Seu disco de retorno foi o sensacional “I Can’t Stop”, novamente sob a produção do lendário Willie Mitchell, que também produziu seu disco seguinte, “Everything’s OK”. Em 2008, experimentou sonoridades mais modernosas em “Lay It Down”, lado a lado com nomes da nova geração do R&B como Ahmir Questlove Thompson (do grupo The Roots) e o notável tecladista James Poyser. Continua ativo e correndo a America com seus shows arrebatadores

DISCOGRAFIA
1967 Back Up Train
1969 Green Is Blues
1971 Gets Next to You
1972 Let's Stay Together
1972 I'm Still in Love with You
1973 Call Me
1973 Livin' for You
1974 Explores Your Mind
1975 Al Green Is Love
1976 Full of Fire
1976 Have a Good Time
1977 The Belle Album
1978 Truth N' Time
1980 The Lord Will Make a Way
1981 Higher Plane
1981 Tokyo Live
1982 Precious Lord
1983 I'll Rise Again
1983 The Christmas Album
1983 White Christmas
1983 Al Green Presents the Full Gospel Tabernacle Choir
1984 Trust in God
1985 He Is the Light
1987 Soul Survivor
1989 I Get Joy
1990 From My Soul
1992 Sings Gospel
1992 Love Is Reality
1993 Don't Look Back
1995 Your Heart's in Good Hands
2002 Back2Back Gospel Hits
2003 I Can't Stop
2005 Everything's OK

2008 Lay It Down














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sábado, abril 13, 2013

BOZ SCAGGS VOLTA PARA CASA EM "MEMPHIS"

Ninguém canta como Boz Scaggs.

Desde seu excelente disco de estréia, gravado na virada dos anos 60 para os 70 com o pessoal da Muscle Schoals Rhythm Section, sua voz estranhamente maleável e sua postura “laid-back” vem intrigando a Indústria Fonográfica, que sempre tentou, mas nunca conseguiu, rotulá-lo para o mercado, mesmo depois dele ter emplacado alguns singles muito bem sucedidos nas paradas.

Aliás, uma pequena correção. Tem alguém que canta parecido com Boz Scaggs, sim: o soulman de Memphis Al Green -- ou vice-versa, já que os dois são compenheiros de geração e surgiram na cena musical mais ou menos ao mesmo tempo, só que em lugares diferentes. Na medida em que Scaggs nunca se definiu claramente como um artista de rock, de pop ou de R&B, parecia uma boa idéia tomar emprestado um pouco daquela levada pedestre dos singles soul de Memphis produzidos por Willie Mitchell para Al Green em seus discos gravados na motorizada e frenética Los Angeles.

Em “Slow Dancer”, seu grande LP de 1974, produzido pelo craque Johnny Bristol, Scaggs chegou muito próximo de assumir em definitivo essa sua persona soul. Só não foi adiante porque David Foster o desviou dessa rota no disco seguinte, “Silk Degrees”, emplacando “Lowdown”, clássico absoluto da era disco, que catapultou Boz Scaggs ao estrelato do dia para a noite, depois de dez anos de trabalho árduo tentando sair da periferia do big business musical.

Apesar de nunca ter conseguido, nem de longe, igualar o sucesso de “Silk Degrees”, Boz Scaggs vem mantendo uma regularidade muito peculiar em seu trabalho nesses 35 anos, apostando suas fichas em discos com um sotaque R&B bastante acentuado, e sempre acompanhado de músicos de primeira em suas tournées.

Tudo bem que os tempos mudaram, e o gosto do público também mudou, mas seu estilo inconfudível e seu padrão de qualidade permaneceram intactos em discos excelentes como "Some Change" (1994) e "Come On Home" (1998).



E então, eis que aos 69 anos de idade, Boz Scaggs ressurge com esse inesperado “Memphis”, uma homenagem à cidade que ele tanto admira musicalmente.

Inesperado porque, apesar de trazer apenas duas canções inéditas de sua autoria para abrir e fechar essa coleção de clássicos – nada óbvios, diga-se de passagem -- da soul music, elas são as primeiras que ele grava desde “Dig”, de 2001. Inesperado também porque "Memphis” escancara algo que Scaggs sempre sugeriu: que gostaria de ter sido um artista de Hi Records. Não foi nada acidental a escolha do velho e lendário estúdio de Willie Mitchell, o Royal Recordings Studio, como base para as sessões de gravação de "Memphis". Era lá mesmo que ele "tinha" que ser gravado.

O produtor (e baterista) Steve Jordan fez de tudo para resgatar o clima das velhas gravações. Chamou o tecladista Spooner Oldham, o baixista Willie Weeks e o guitarrista Ray Parker Jr. para compor a banda e trabalhar os arranjos. Só faltou mesmo fazer uma sessão de mesa branca para invocar a presença da alma do velho e genial produtor no estúdio. O resto eles fizeram.

E os resultados são estupendos. Na segunda faixa, “So Good To Be Here”, de Al Green, Scaggs já está completamente em casa, soltando seu falsete inconfundível nos momentos chave da canção e dando um toque ainda mais suave à gravação original. O mesmo acontece em “Rainy Night In Geórgia”, de Tony Joe White, e em “Can I Change My Mind”, grande sucesso de Tyrone Davis, ambas impecáveis e precisas ao extremo.

Outro dado curioso em “Memphis” é a sutil homenagem prestada por Scaggs ao grande artista novaiorquino Willy DeVille, que brilhou na cena pós-punk americana no grupo Mink DeVille. Duas das canções de seu álbum de estréia, “Cabretta”, de 1979, estão aqui, em releituras um tanto quanto surpreendentes. “Mixed Up Shook Up Girl”, por exemplo, perdeu seu jeitão latin-soul e subiu aos céus graças a um coro negro delicadíssimo. Já “Cadillac Walk” ficou menos urgente e mais perigosa. Coisa de quem tem bagagem de sobra para usar como bem entender.



“Memphis” tem muito mais que isso para mostrar, mas eu paro por aqui e deixo o resto por conta de Boz Scaggs e sua banda magnífica, e por conta de vocês, claro!.

Acreditem, “Memphis” é um disco que tem aquele gostinho de chegar em casa depois de um bom tempo distante.

Não tem contra-indicações. É, provavelmente, o melhor disco de covers que vocês irão ouvir em 2013. Não é pouca coisa.



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