Já se vão 40 anos desde que Robert Cray estreou com "Who's Been Talkin'", e arrancou os cabelos em desespero ao ver sua gravadora Tomato Records quebrar financeiramente na semana em que seu LP chegava às lojas. Parecia um péssimo presságio para uma carreira recém-iniciada. Mas Mr. Cray insistiu com seu blend de Memphis Soul e West Coast Blues em uma série de LPs impecáveis para a Hightone Records, sempre combinando um timbre vocal que evocava Sam Cooke e Al Green com o ataque de Magic Sam e o groove de Grant Green na guitarra. E foi assim até emplacar mundialmente, em 1986, o single "Smokin' Gun", tirado do LP "Strong Persuader", que o lançou para o estrelato. Estrelato que, diga-se de passagem, durou apenas dois ou três anos. Mas Mr. Cray soube aproveitá-lo, mantendo um low profile mesmo nos tempos das vacas gordas, e depois disso passou a administar sua carreira fonográfica através de produções independentes em gravadoras pequenas, fugindo de fórmulas de sucesso fácil, mas sempre mantendo-se fiel ao blend musical personalíssimo que esboçara ao longo dos anos. "That's What I Heard", seu mais novo trabalho, produzido por seu parceiro de longa data Steve Jordan, é mais um passo na aprimoração desse blend musical, mais um mergulho fundo no "lado soul do blues", que mais uma vez passa longe do blues rock cheio de excessos de Buddy Guy, Johnny Winter e Stevie Ray Vaughan. Aqui, ao mesclar originais poderosos com covers fulminantes de Kim Wilson e Tony Joe White (entre outros), Mr. Cray se revela, curiosamente, tanto aquém do seu tempo quanto além do seu tempo, pois sua música, irremediavelmente atemporal, pode apontar tanto pra frente quanto pra trás, depende do momento. Ao ouvinte mais apressado, pode parecer que Mr. Cray vem gravando o mesmo disco há 40 anos. Mas ouvintes mais atentos não tem a menor dúvida de que o "body of work" de Robert Cray só cresce e ganha vulto a cada novo disco. "That's What I Heard" pode não ser um disco obrigatório, caso você já tenha em casa outros LPs de Mr. Cray. Mas... E daí? Já que Robert Cray nunca peca pelo excesso, então peque você.
James Taylor
American Standard
(Fantasy 2020)
Tenho visto pela web um monte de saudosistas estranhando esse novo trabalho de James Taylor. Bobagem. Não há o que estranhar. Desde o início de sua carreira, no final dos Anos 60, Mr. Taylor nunca escondeu que, apesar de seu jeitão folkie e de sua serenidade pop, tudo o que ele sempre quis ser quando crescesse é o grande cantor, pianista, compositor e também ator Hoagy Carmichael. Para quem não sabe quem é Mr. CarmichaeI, talvez baste dizer que é o autor de canções magníficas como "Stardust", "Georgia On My Mind", "Skylark" e "Get Along Without You Very Well", entre muitos outros sucessos dos Anos 30, 40 e 50. Pode ser visto cantando e tocando piano em muitos filmes, como, por exemplo, "Uma Aventura na Martinica" (1943), com Humphrey Bogart e Lauren Bacall, e foi uma figura marcante em shows de TV nos Anos 50 e 60. Muito provavelmente, foi o primeiro singer-songwriter da história da música popular americana, e gravou muitos discos como artista solo, às vezes cantando canções de outros compositores. Como faz Mr. Taylor aqui nesse "American Standard". Das 14 canções do Great American Songbook que ele escolheu para compor este LP, apenas uma é autoria de seu mestre Hoagy Carmichael: "The Nearness Of You". As outras 13 são canções bastante conhecidas, como "Moon River" (de Henry Mancini e Johnny Mercer), "Teach Me Tonight" (de Sammy Cahn & Gene DePaul), "God Bless The Child" (de Billie Holiday & Arthur Herzog Jr), "Old Man River" (de Jerome Kern & Oscar Hammerstein) e "It's Only A Paper Moon" (de Harold Arlen). Todas elas recebem de Mr. Taylor arranjos delicados e vocalizações deliciosas, e se transformam imediatamente em "canções de James Taylor". Personalidade musical forte é isso aí. Só nos resta torcer para que seja um sucesso de vendas, e que ele nos presenteie com outros "American Standards" nos próximos anos.
Charles Lloyd 8
Kindred Spirits Live at The Lobero
(Blue Note 2020)
Charles Lloyd jamais seguiu cartilha alguma em seus mais de 60 anos de carreira musical. É um verdadeiro original americano. O único dos grandes saxofonistas tenor da história do jazz que também toca flauta brilhantemente -- o que é muito estranho, pois as embocaduras dos dois instrumentos são extremamente diferentes. Um dos poucos artistas de jazz da sua geração com formação universitária em música clássica. Apesar de ter surgido na cena do free-jazz contracenando com Ornette Coleman e Eric Dolphy, sempre foi fascinado pelo Rhythm And Blues dos artistas de sua Memphis natal e não sossegou enquanto não trocou o meio do jazz pelo dos roqueiros psicodélicos de Los Angeles e San Francisco, desenvolvendo fusões de jazz com rock, pop e música oriental jamais sonhadas por Miles Davis e seus seguidores. Seus mais recente trabalho, "8: Kindred Spirits (Live At The Lobero)" é mais uma demonstração brilhante do conceito de música sem fronteiras que ele sempre perseguiu. Gravado ao vivo no aniversário de 150 anos do Lobero Theatre, em Santa Barbara, California, traz Mr. Lloyd em grande forma aos 80 anos de idade à frente de um quinteto sensacional no primeiro set, e no segundo set acompanhado por Booker T Jones ao piano e Don Was no contrabaixo. São quatro temas bem distintos -- três deles bem conhecidos de seu público. O primeiro é "Dreamweaver", releitura de um número clássico de meados dos Anos 60, que passeia por sonoridades do mundo inteiro de forma delicada e pacífica ao longo de seus 21 minutos de duração. Quando se recobrar de "Dreamweaver", prepare-se para "Requiem", outra revisão para um número clássico de seu repertório, uma viagem musical pelo útero da civilização com ecos musicais do Grateful Dead, numa jam quase caótica, mas de uma beleza extrema. A seguir, em "La Llorona", temos uma inusitada canção mexicana que abre alas para uma improvisação barroca adorável. E tudo termina com "Part 5 Ruminations", outra jam magnífica, bastante longa (17 minutos) onde Mr. Lloyd mais uma vez nos leva para dimensões musicais absolutamente encantadoras, onde ecos de várias canções muito conhecidas se entrelaçam -- entre elas, "Green Onions", clássico de Booker T Jones. Fãs de longa data de Mr. Lloyd vão cair em êxtase com essa performance contundente desses músicos soberbos. Se você nunca ouviu Charles Lloyd antes, e não sabe por onde começar, recomendo este álbum duplo. Tem também em DVD.
Nesta segunda playlist de ALTOeCLARO no SPOTIFY, o ponto de partida é o rhythm & blues palhaço (e completamente histérico) do fabuloso Louis Jordan e seus implacáveis Tympany Five. Depois disso, passeamos por algumas vertentes modernas do rhythm & blues, até desembocarmos no britpop de Paul Weller e dos Irmãos Liam e Noel Gallagher. E isso nos leva aos Beatles da psicodélica "She Said She Said", que, por sua vez, nos fornece uma passagem sem volta para San Francisco, California, em plena Era Psicodélica, em pleno Verão do Amor. Vá na fé, sem sustos, pois não há a menor chance de embarcar numa bad trip. Boa sexta e sejam bem-vindos a mais esta viagem musical de ALTOeCLARO. (Chico Marques)
Gostem ou não, concordem ou não, o sucesso estrondoso
de Stevie Ray Vaughan no início dos Anos 80 foi, ao mesmo tempo, uma bênção e
uma maldição para os guitarristas de blues. Foi uma bênção porque desde meados dos Anos 70, guitarristas de blues não
conseguiam mais contratos com gravadoras grandes e buscavam refúgio em selos
independentes com pouca visibilidade e má distribuição. De repente, com a chegada de Stevie Ray, as regras do mercado mudaram, e todos os guitarristas virtuosos
que se dispusessem a tocar pisando no acelerador (como Stevie Ray) ganharam, de uma hora para outra, contratos polpudos e um lugar ao sol no mainstream. Veteranos como Johnny
Winter e Alvin Lee, por exemplo, tiveram suas carreiras reativadas do dia para
a noite. E novatos como Kenny Wayne Shepherd, Charlie Sexton e Doyle Bramhall II
passaram a ser considerados por crítica e público como “the next best thing”.
Mas
então Stevie Ray morreu, e veio a maldição. O desinteresse por guitarristas de blues voltou a
tomar conta das grandes gravadoras, e todos esses guitarrristas órfãos de gravadora foram buscar refúgio na
cena independente. Só que agora os selos independentes
com mais projeção no mercado, que antes apostavam na pluralidade musical de
seus contratados, passaram a aceitar em seus elencos apenas artistas de blues que se limitassem a agradar setores mais conservadores de público. Ou seja: novidades ou abordagens musicais desalinhadas não eram mais bem-vindos. Com isso, a cena de blues, passou a ser tomada por uma mesmice musical que por pouco não matou o futuro do gênero. Por sorte, alguns poucos selos independentes conscientes de seu papel nesse
universo musical não embarcaram nessa barca furada. Delmark Records, de
Chicago, é um desses selos. Se continua vivo e atuante desde 1953, sempre lançando
no mercado o que surge de mais relevante na cena de Chicago, é porque soube fazer as
escolhas artísticas certas nos momentos certos, e continua olhando para a frente com carinho e atenção.
O que nos leva a Dave Specter: um
guitarrista extraordinário de 56 anos de idade nascido em Chicago, dono de um toque limpo e elegante na guitarra, sempre com um pé no jazz
e outro no rhythm & blues, capaz de estabelecer diálogos num tom extremamente cool com seus companheiros de banda -- e que, apesar de não ser um neo-tradicionalista, demonstra com frequência um
carinho enorme pelo legado musical de grandes band-leaders como T-Bone Walker,
Johnny Guitar Watson e Philip Walker. Aos 35 anos de carreira e 15 LPs como líder (todos na Delmark), Specter sempre teve um problema: assim como seu
amigo e também guitarrista Anson Funderburgh, achava que não sabia cantar. Daí, quando não gravava
discos instrumentais, convocava cantores amigos seus da noite de Chicago para a linha de frente de sua banda The Bluesbirds. Com isso, ajudou a divulgar para a América e para vários cantos do mundo cantores de blues excepcionais da Windy City, como Lenny Lynn e Barkin' Bill Smith.
Pois não é que, para surpresa geral (inclusive de seu terapeuta), Specter tomou coragem, fez muitas aulas de canto, e agora estreia como cantor nesse seu novo LP, “Blues
From The Inside Out” (Delmark Records), onde passeia por 12 números originais com uma voz pequena mas expressiva, além de bem colocada e eficaz. O LP conta com participações especialíssimas
de seu amigo e professor Jorma Kaukonen e da Liquid Soul Horns, além da cozinha
de Martin Binder (bateria) e Harlam Tenson (baixo) e do suporte luxuoso do
tecladista Brother John Kattke e do percussionista Ruben Alvarez. Specter está muito feliz com o resultado dessa nova aventura: “Trabalhei
minha vida inteira na arte de dar suporte a cantores e de escrever números para
que eles cantassem, e só recentemente veio essa vontade de começar a cantar meu
próprio material. Então me preparei para isso, e o resultado está aí. A ótima
receptividade que tenho recebido me anima ainda mais a continuar compondo para
minha própria voz.”
“Blues From The Inside
Out” não é um disco para quem gosta de guitarristas espalhafatosos. Também não
é um disco para quem tem uma visão estreita do blues. Trata-se de uma salada musical delicada e muito bem combinada, com doses certas de suingue e delicadeza, feita por gente que tem estofo de sobra para experimentar o que bem entender em termos musicais. Às vezes, o som da banda de Specter é bem Chicago. Outras vezes, ganha contornos mais West Coast. E vez ou outra desce em direção ao sul do Mississippi, com ecos dos Meters e dos
Neville Brothers permeando os arranjos e performances de sua
banda. São doze canções que funcionam como um passeio musical pelas regiões culturais mais vitais da América. Quase todas na voz dele -- a excessão é "March Through The Darkness", homenagem à veteraníssima cantora e amiga Mavis Staples, que é cantada por Brother John Kattke. É o único momento do disco em que Specter não achou sua voz soulful o suficiente e optou por recorrer a um cantor mais aparelhado do que ele. Independente disso, não há nada que não funccione bem em "Blues From The Inside Out". É seu disco mais aventuresco até agora, quiçá o melhor disco de sua carreira. Ouçam com prazer e alguma reverência. Dave Specter merece.
DAVE SPECTER É ENTREVISTADO PELO WEBSITE MAKING A SCENE! AQUI
Chico Marques nasceu em 1960 e devorou música diariamente ao longo desses quase 60 anos. Trabalhou como produtor, apresentador e programador musical na Enseada FM e na Litoral FM, ambas no Litoral Paulista.
Nesta
primeira playlist de ALTOeCLARO, procurei resgatar em 13 canções o espírito das
clássicas programações da madrugada da Enseada FM, de Santos SP, que eu, com
muito prazer, tive a honra de conduzir ao longo da década de 1990 até 2002 --
quando a emissora “ajoelhou e rezou” e passou a fazer parte da Rede Gospel Aleluia
FM. É um passeio musical sem fronteiras, começando por um blues à moda de New
Orleans onde os Rolling Stones e Billy Preston dão uma aula de safadeza
musical, passando por branquelos nada azedos reinventando clássicos da Motown e
da Stax-Volt, seguindo em direção ao rock and roll rasgado das roadhouses
americanas e tomando o caminho de volta guiado por alguns dos maiores ícones da
música popular em todos os tempos. Seja bem-vindo a esta viagem musical. (Chico Marques)
Chico Marques nasceu em 1960 e devorou música diariamente ao longo desses quase 60 anos. Trabalhou como produtor, apresentador e programador musical na Enseada FM e na Litoral FM, ambas no Litoral Paulista.
Serge
Gainsbourg, nome artístico de Lucien Ginzburg foi um músico, cantor, ator,
diretor, pintor, poeta e compositor francês. Famoso por ser uma das figuras
mais importantes da música popular francesa, ele era frequentemente famoso
pelos seus trabalhos provocativos e escandalosos. Também era conhecido por ser
um artista talentoso que trabalhou com diversos gêneros da música, tais como
jazz, mambo, rock and roll, reggae, disco, new wave, pop e yé-yé e funk.
Gainsbourg tinha um estilo musical único e individualista difícil de
categorizar. Escreveu canções para diversos intérpretes, dentre os quais
destacam-se Juliette Gréco, Françoise Hardy, France Gall, Brigitte Bardot,
Jacques Dutronc, Catherine Deneuve, Alain Chamfort, Alain Bashung, Anna Karina,
Isabelle Adjani, Vanessa Paradis e para sua esposa Jane Birkin, mãe da sua
filha Charlotte Gainsbourg.
Nascido
em Paris, França, Gainsbourg era filho de migrantes judeus-ucranianos, que
fugiram para Paris após a revolução russa de 1917. Joseph Ginsburg, seu pai,
era músico de formação clássica, cujo trabalho era tocar piano em cassinos e
cabarés da cidade luz. Este ensinou seus filhos a tocaram piano, Gainsbourg e
sua irmã gêmea Liliane.
A
infância de Gainsbourg foi profundamente afetada pela ocupação da Alemanha
Nazista sob a França na segunda guerra mundial. A estrela amarela, usada como
símbolo para identificar judeus, assombrou o jovem Gainsbourg, somente anos
mais tarde ele foi capaz de usar o símbolo e as experiências vividas como
inspiração criativa para sua obra.
Durante
a ocupação alemã, a família judia foi capaz mover se de Paris para Limoges,
viajando com documentos falsos. Limoges estava na zona livre sob a
administração do governo Vichy, porém a mesma era ainda um refúgio perigoso
para os judeus. Após a guerra, Gainsbourg conseguiu trabalho ensinando música e
pintando em uma escola fora de Páris, em Mesnil-Le-Roi. A escola foi criada sob
supervisão dos rabinos locais, para as crianças órfãs de deportados
assassinados. Aqui Gainsbourg escutou relatos nazistas sobre perseguição e
genocídio. Antes dos 30 anos de idade, Gainsbourg foi um pintor desiludido, mas
que ganhava a vida tocando piano em bares.
Fumante
inveterado, alcoólatra assumido, Gainsboug previu, numa entrevista ao jornal
francês Libération, que morreria do coração em 1990. Errou por pouco, em 2 de
março de 1991, morreu de ataque cardíaco. Foi sepultado na seção judaica do
cemitério Montparnasse em Paris. O presidente francês, François Mitterrand
disse sobre ele na ocasião "Ele foi nosso Baudelaire, nosso Apollinaire...
Ele elevou a música ao nível de arte". Sua casa é um endereço bem
conhecido, frequentemente é coberta por grafitis e poemas.
Desde
sua morte, a música de Gainsbourg tem alcançado status de lendária na França, e
ganhado seguidores no mundo da língua inglesa, com inúmeros artistas
influenciados pelo seus arranjos.(da Wikipedia)
STUDIO
ALBUMS
1958 Du chant à la une
1959 N°2
1961 L'Étonnant
1962 Serge Gainsbourg N°4
1963 Gainsbourg Confidentiel
1964 Gainsbourg Percussions
1968 Bonnie & Clyde (with Brigitte Bardot)
1968 Initials B.B.
1969 Jane Birkin/Serge Gainsbourg
1971 Histoire de Melody Nelson
1973 Vu de l'extérieur
1975 Rock around the bunker
1976 L'Homme à tête de chou 85
1979 Aux armes et cætera
1981 Mauvaises nouvelles des étoiles
1984 Love on the Beat
1987 You're Under Arrest
LIVE
ALBUMS
1980:
Enregistrement public au Théâtre Le Palace
1986:
Gainsbourg Live (Casino de Paris)
1989: Le
Zénith de Gainsbourg
2009: 1963
Théâtre des Capucines
SELECTED
FILM SCORES
1967: Anna
1968: Le Pacha
1969: Slogan
1970: Cannabis
(instrumental)
1976: Je
t'aime moi non plus – Ballade de Johnny-Jane (instrumental)
1977: Madame
Claude (instrumental)
1977: Goodbye
Emmanuelle (instrumental)
1980: Je vous
aime (only three pieces sung by Gainsbourg)
Ronnie
Lane nasceu no East End de Londres. Após deixar a escola aos 16 anos, conheceu
Kenney Jones em um pub, e eles formaram um grupo chamado "The Outcasts".
Inicialmente guitarrista-base, não demorou muito para que decidisse passar para
o baixo. Em 1965, durante uma visita ao J60 Music Bar em Manor Park, Londres,
procurando por um baixo novo, Lane conheceu Steve Marriott, um funcionário do
lugar. Ele comprou o baixo, e foi para a casa de Marriott ouvir alguns discos;
foi então que Marriott o apresentou à sua coleção de álbuns da Motown e da
Stax. Os dois decidiram formar uma banda, convidando seus amigos Jones
(bateria) e Jimmy Winston (que passou da guitarra para o órgão). Marriott foi
escolhido para ser o vocalista.
Os
Small Faces logo progrediram dos ensaios para apresentações em bares, passando
para shows profissionais. A banda lançou vários singles de sucesso, como
"Tin Soldier, "Sha-La-La-La-Lee" e "Itchkoo Park", mas
terminou em 1969 com a saída de Marriott. Para seu lugar foi convidado Rod
Stewart, e o grupo então passou a se chamar The Faces.
Lane
deixou os Faces em 1973 e montou sua própria banda, Slim Chance, gravando o
álbum Anymore For Anymore, demonstrando influências de rock britânico, folk e
country. Depois de um sucesso inicial com os compactos "How Come" e
"The Poacher", ele assinou contrato com a Island Records, lançando
Ronnie Lane's Slim Chance e One For The Road. Gravou um álbum com Pete
Townshend, Rough Mix, e um último disco solo, See Me.
Ronnie
foi diagnosticado com esclerose múltipla no final dos anos 70 (sua mãe também
sofria da mesma doença), e em 1983 passou a utilizar cadeira de rodas. Devido
ao alto custo financeiro de seu tratamento, seus amigos organizaram um show de
caridade no Royal Albert Hall, o A.R.M.S. Concert, apresentando Eric Clapton,
Jimmy Page, Steve Winwood, Bill Wyman, Charlie Watts e Kenney Jones, entre
outros.
Lane
se mudou para o Texas em 1984, onde o clima era mais benéfico à sua saúde, e se
esforçou para continuar tocando, se apresentando pela última vez em 1992 em um
show de Ron Wood. Rod Stewart continuava a fazer doações para o tratamento de
Ronnie, pois os ex-integrantes do The Small Faces não recebiam os royalities
por seu trabalho (resultado de um contrato com a gravadora Immediate). Graças
aos esforços do baterista Kenney Jones, os dois integrantes sobreviventes
eventualmente conseguiram receber seus direitos nos anos 90.
Um
álbum de gravações ao vivo para a BBC estava prestes a ser lançado para
arrecadar fundos para seu tratamento quando Lane morreu de pneumonia em 4 de
junho de 1997. Encontra-se sepultado no Cemitério Maçônico, Trinidad, Colorado
nos Estados Unidos.(da Wikipedia)
STUDIO
ALBUMS
1974 - Anymore
for Anymore
1974 - Ronnie
Lane's Slim Chance
1976 - One for
the Road
1979 - See Me
LIVE
ALBUMS
1997 - You
Never Can Tell (The BBC Sessions)
2000 - Live in
Austin
2001 - Rocket
69 (ao vivo na TV alemã)
ANTOLOGIES
1997 - Kuschty
Rye (The Singles 1973-1980)
1999 - Tin and
Tambourine
1999 - April
Fool
2001 - How
Come
2003 - Ain't
No One Like
2006 - Just
For a Moment
COLLABORATIONS
1970 - Happy
Birthday (com Pete Townshend)
1972 - I Am
(com Pete Townshend)
1976 -
Mahoney's Last Stand (com Ronnie Wood)
1976 - With
Love (com Pete Townshend)
1977 - Rough
Mix (com Pete Townshend)
1980 - The
Legendary Majik Mijits (com Steve Marriott)