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quarta-feira, setembro 24, 2014

ROD PIAZZA & THE MIGHTY FLYERS: QUASE 50 ANOS FIÉIS AO ESPÍRITO DO WEST COAST BLUES


Rod Piazza é uma das figuras mais emblemáticas da cena do blues da California desde meados dos anos 60.

Desenvolveu um estilo que mescla o som encorpado e meio truculento do Chicago Blues com a suavidade do West Coast Blues -- tudo isso mesclado com toques de jazz bastante incomuns em gaitistas de blues.

Aluno muito aplicado de George 'Harmonica" Smith -- ex-sideman de Muddy Waters, que mudou de Chicago para Los Angeles por não aguentar mais o frio glacial da Capital do Blues --, Rod Piazza acabou virando seu aluno, e depois amigo e parceiro musical.

Primeiro no lendário grupo Bacon Fat -- talvez a única banda com dois gaitistas na história do blues -- que, sob a supervisão do grande produtor Mike Vernon, marcou época na cena do blues da Costa Oeste no final dos Anos 1960.

Depois, em diversas parcerias musicais ao longo dos Anos 1970, ao lado de grandes ícones do blues ainda na ativa

Não desgrudaram um do outro até o início dos anos 80, quando a saúde de Smith começou a falhar.

Piazza cuidou de seu amigo e professor até ele falecer, em 1983.


Foi mais ou menos por aí que Rod Piazza montou os Mighty Flyers com sua mulher, a pianista Honey Piazza, e uma penca de amigos -- entre eles os superguitarristas Kid Ramos e Rick Holstrom.

Com apenas dois discos para a Black Top Records, Rod, Honey e os Mighty Flyers se transformaram rapidamente na banda de blues mais badalada dos nightclubs de Los Angeles, recebendo eventualmente o amigo e fã Bruce Willis como crooner convidado.

De lá para cá, já gravaram quinze discos deliciosos que, se por um lado não trazem grandes novidades, servem para afirmar Rod Piazza cada vez mais como um bom cantor e compositor e um excelente band-leader que sempre consegue extrair performances inspiradíssimas de seus bandmates.



"Emergency Situation", novo disco de Rod Piazza & The Mighty Flyers,, traz duas novidades.

Uma deles é seu retorno ao selo Blind Pig depois de uma longa temporada na Delta Groove Records.

E outra é a frequência com que suas diversas gaitas dividem a cena com os saxofones de Ron Dziubla e Jim Jedekin.

Convenhamos: poucos gaitistas ousam enfrentar um saxofone como receio de levar a pior.

Dois saxofones então... é loucura.

Mas o caso é que estamos falando de Rod Piazza, não de um gaitista qualquer.

Ele é uma fera do West Coast Blues -- um grande craque tanto nas gaitas cromáticas quanto nas gaitas diatônicas, o que não é comum --, e a julgar por "Emergency Call", continua perigosíssimo.

O mesmo pode-se dizer dos implacáveis e rápidos no gatilho The Mighty Flyers, cuja formação atual conta com Honey Piazza (piano & Vocal), Henry Carvajal (guitarra e vocal), Norm Gonzales (baixo acústico) e David Kida (bateria).


A essa altura do campeonato, Rod Piazza já é mais veterano que a maioria de seus ídolos musicais.

São 66 anos de vida -- 48 deles de vida profissional dedicada ao blues

Mesmo assim, alguns puristas do blues ainda insistem em tratá-lo como um jovem artista desvinculado das tradições do blues.

Alguns mais despeitados até o acusam de ter crescido na sombra do prestígio de George Harmonica Smith.

Tudo bobagem.

Basta sentir o sopro forte de qualquer uma de suas gaitas para constatar que Rod Piazza não só é um grande mestre do blues moderno, mas também é, provavelmente, a maior autoridade em seu instrumento em todo o Sul da California.

Não é pouca coisa.








WEBSITE OFICIAL
http://www.themightyflyers.com/index2.htm

DISCOGRAFIA
http://www.allmusic.com/artist/rod-piazza-mn0000293614/discography

AMOSTRAS GRÁTIS

sexta-feira, julho 20, 2012

O MESTRE DA GUITARRA JUNIOR WATSON RETORNA COM SEU JUMP BLUES IMPLACÁVEL


Mike "Junior" Watson é uma das figuras mais conhecidas da cena blueseira de Los Angeles, e um dos guitarristas mais respeitados dentro do que se convencionou chamar "Wesr Coast Blues" -- um mix bem dosado do Swing do Texas com o Jump Blues de Kansas City e o Blues de Chicago.

Herdeiro musical de T-Bone Walker e Luther Tucker, Junior surgiu na cena impulsionado por seu amigo e professor Mike "Hollywood Fats" Mann, e logo se revelou um ás da guitarra capaz de passear por qualquer gênero musical, sempre com bom humor e uma levada implacável.

Foi parceiro do grande gaitista Rod Piazza durante dez anos, na primeira encarnação de sua banda, The Mighty Flyers.

Mais adiante, uniu forças ao baixista Larry Taylor e ao baterista Fito de la Parra, últimos remanescentes da formação original do Canned Heat, e juntos cunharam uma expressão sofisticada e pluralista para o tradicional boogie frenético da banda.

Atuou como sideman de bandas de amigos gaitistas como James Harman, William Clarke, Kim Wilson, Lynwood Slim, John Nemeth e Mitch Kashmar, e vem desenvolvendo um belo trabalho ao lado do excelente pianista Fred Kaplan, com quem divide a cena tanto em discos quanto gigs sempre muito elogiadas.


Como artista solo, no entanto, Junior Watson sempre deixou a desejar.

Por melhores que fossem seus discos solo, eles tinham um defeito grave: eram esporádicos demais.

Seu primeiro LP, "Long Overdue", foi gravado em 1987 para a  Black Top Records,  é predominantemente instrumental e funciona como um showcase impecável para o estilo de Watson, sempre econômico e espirituoso, privilegiando sua interação com seus companheiros de banda em detrimento de arrombos virtuosísticos inócuos e inoportunos.

Seu segundo disco solo só foi surgir quinze anos mais tarde, em 2002: "If I Had A Genie", gravado em parceria com o pianista Gene Taylor, tem uma levada bem diferente, é completamente descontraído, e foi gravado ao vivo no estúdio sem maiores requintes de produção.



Só agora, dez anos mais tarde, é que Junior Watson tomou coragem e achou uma brecha na sua agenda de sideman para arriscar uma terceira investida solo.

"Jumpin´ Wit Junior" reprisa, de certa forma, a parceria com seu velho parceiro Fred Kaplan, que vem desde o tempo em que tocavam nas bandas de Hollywood Fats.

Mas é um disco mais rude e mais ligeiro que "Long Overdue", gravado 25 anos atrás.

Primeiro porque os dois foram atrás daquela sonoridade clássica dos estúdios de Chicago dos anos 50 que Fred Kaplan já haviam expermentado em vários discos anteriormente -- seus e de amigos como Kim Wilson --, deixando inclusive o mix final em mono.

Segundo porque eles novamente gravaram tudo ao vivo no estúdio, sem overdubs e sem perder tempo, como se fazia antigamente, e o resultado final é deliciosamente expontâneo.

O repertório de "Jumpin´ Wit Junior" é bem suingado e segue em ritmo de festa, alternando clássicos do blues com números originais de Watson e Kaplan, e mais algumas pequenas excentricidades, como uma versão divertidíssima para o tema do seriado "Bonanza".



Enfim, que já viu Junior Watson num palco -- e ele já tocou duas vezes aqui no Brasil --, sabe perfeitamente bem do que ele é capaz.

Sabe também que ele é, ao lado de Little Charlie Baty, Jimmie Vaughan e Kid Ramos, um dos guitarristas mais safos e mais divertidos do Oeste Americano.

Sim, porque erra quem pensa que, no blues, rapidez é documento.

Não é mesmo.

Quem é rápido demais, normalmente não tem tempo de ser malicioso com seu instrumento, não consegue interagir com sua banda e passa ao largo do verdadeiro prazer de tocar esse tipo de música.

Ouçam "Jumpin´ Wit Junior" de Junior Watson e vocês vão entender o que estou falando.

Acreditem: um "twang" na sua Harmony Stratotone modelo 1963 vale mais que mil palavras.



BIO-DISCOGRAFIA
 http://www.allmusic.com/artist/junior-watson-mn0000304962

WEBSITE PESSOAL
http://juniorwatson.com

 AMOSTRAS GRÁTIS