quarta-feira, maio 25, 2011

SENHORAS E SENHORES... JOSEPH ARTHUR


“Quando se escreve canções de forma febril como eu faço, você certamente vai produzir muita porcaria e também algumas coisas boas. Se meus discos conseguem manter um nível alto de qualidade, é certamente graças a essa triagem de material que eu tenho sempre que fazer.”


“Eu só escuto minha música quando ela está sendo composta e gravada. Encerrada essa etapa, eu parto para a próxima. Já música dos outros eu gosto de ouvir no carro, e se possível na estrada. Não existe lugar melhor para se refletir sobre o poder da música.”


“Francamente, não sei o que as pessoas vêem em mim. Vendo poucos discos, as letras das minhas canções nem sempre rimam, mas meus shows sempre dão público e meus quadros vendem bem. É engraçado. Vai entender...”


“Essa coisa de pintar quadros durante os shows era estranha no começo, me sentia muito pressionado, mas hoje acontece naturalmente.”


“Se eu tivesse que escolher 3 obras que me definissem, escolheria O Inferno de Dante Alighieri, O Idiota de Fidor Dostoyevski e Easy Rider de Dennis Hopper.”



LPS JOSEPH ARTHUR

Big City Secrets (1997)
Vacancy (EP 1999)
Come To Where I´m From (2000)
Junkyard Hearts (4 EPs 2002)
Redemption´s Son (2002)
Our Shadows Will Remain (2004)
Nuclear Daydream (2006)
Let´s Just Be (2007)
Vagabond Skies (EP 2008)
Foreign Girls (EP 2008)
Temporary People (2008)
The Graduation Ceremony (2011)

WEBSITE OFICIAL

http://www.josepharthur.com/

sexta-feira, maio 20, 2011

TRÊS MULHERÕES: EMMYLOU HARRIS, LUCINDA WILLIAMS E RORY BLOCK (por Chico Marques)


Existe um bom motivo para que artistas tão diferentes quanto Robert Altman, Edward Albee e Woody Allen gostem de contrapor mulheres em números ímpares sempre que promovem investigações sobre o sexo feminino.

Todos aprenderam com Anton Chekhov que o universo feminino é rico e multifacetado demais para caber em números pares. E também complexo ou confuso demais para ser revelado por inteiro num simples contraponto entre duas mulheres.

Essa conversinha mole é só para introduzir três mulheres maduras, brigonas, e com carreiras musicais muito sólidas. Que, apesar de toda a bagagem que ostentam, não cansam de se reinventar de tempos em tempos, e insistem há várias décadas em se afirmar artisticamente num meio que demora muito até finalmente levá-las a sério.

Emmylou Harris, a primeira delas, oscila há mais de 40 anos entre sua alma country e seu coração rock and roll.

A segunda, Lucinda Williams, desafia classificações desde meados dos anos 1970, e faz uso de uma atitude roqueira para poder circular por vários fronts musicais.

Já Rory Block, a terceira, também veterana, é a evidência definitiva de uma mulher branca pode se afirmar como artista de blues -- certamente o universo musical mais misógino de toda a música americana.

Juntas elas revelam, cada uma à sua maneira, o que a música americana tem de melhor: suas raízes, sua pluralidade e sua originalidade -- olha aí, de novo o número três...


Emmylou Harris surgiu na cena musical pelas mãos de Gram Parsons, o lendário comandante da banda seminal de country-rock The Flying Burrito Brothers. Assim que ele embarcou em carreira solo em 1971 num projeto neotradicionalista muito ambicioso, montou uma banda country com músicos do primeiro time de Nashville, que previa uma cantora para eventuais uníssonos e duetos. Pois a cantora escolhida foi justamente Emmylou, com quem Parsons havia trabalhado nos últimos shows que fez com os Burritos. Nascida em Birmingham, Alabama, mas criada em Washington DC e Nova York, ela viu ali sua chance de brincar de June Carter e Patsy Cline. Não tinha nada a perder. Estava com 23 anos, um filho pequeno na bagagem e recém chegada de Nashville, deixando para trás um LP gravado (em 1968) mas nunca lançado e um casamento mal sucedido.

Com a morte prematura de Parsons em 1973 depois de 2 discos hoje considerados clássicos – “GP” e “Grievous Angel” --, Emmylou Harris herdou sua banda, seu projeto musical e seu repertório inédito, além de um contrato na mesma Warner Bros Records onde Parsons gravava. E então, ela estreou solo em “Angel In The Morning” (1975), desfilando sua voz cristalina e sem excessos num LP magnífico que fazia a ponte entre a herança musical de Nashville e o country rock da Costa Oeste. Em pouco tempo, Emmylou já fazia parte da nova elite de cantoras americanas, ao lado de suas amigas Linda Ronstadt e Bonnie Raitt. Os duetos vocais magníficos que fez ao lado de Bob Dylan no LP “Desire” e a gravação irresistível de “Evangeline”, com The Band, incluída no documentário“The Last Waltz” de Martin Scorsese, colaboraram ainda mais para ampliar ainda mais seu prestígio e, de quebra, seu público.


Ao longo dos anos 1980, no entanto, Emmylou viu sua carreira pouco a pouco perder o foco e seus LPs ficarem cada vez mais formulaicos e desinteressantes. Então, começou a ensaiar uma mudança radical. Aconselhada pelo amigo Neil Young, uniu forças a uma banda de rock and roll que a ajudou nessa virada, e, sob a tutela do produtor Daniel Lanois, renasceu musicalmente na Reprise Records em discos sombrios e estranhamente orgânicos como “Wrecking Ball” e “Spyboy”, onde ela se afirma também como uma compositora de mão cheia – algo inusitado para seus admiradores de longa data. Daí em diante, o interesse em seu trabalho ressurgiu de forma intensa, e ela renasceu artisticamente em performances ao vivo contundentes, sempre com roupas de couro sobre seu corpo esguio e ostentando os mesmos cabelos longos de sempre, só que agora totalmente brancos.


A Emmylou Harris que surge nesse novo Lp, “Hard Bargain”, é a soma de todas as personas musicais que ela criou ao longo de mais de 40 anos de carreira, resgatando o tom delicado e sereno de seu trabalho nos anos 70, mas também incorporando a atitude roqueira de seu trabalho recente. Todas as canções – todas ótimas -- são de sua autoria. A faixa de abertura, “The Road”, é uma homenagem a Gram Parsons e a tudo o que Emmylou aprendeu e vivenciou com ele. A sombria “My Name Is Emmett Till” é uma homenagem inusitada a um velho personagem de Bob Dylan. Já “Dear Kate” é uma ode a sua amiga Kate McGarrigle – mãe de Rufus Wainwright --, falecida ano passado depois de uma longa batalha contra um câncer. A única canção no disco que não é de autoria dela foi composta especialmente para ela. Trata-se da faixa título, uma balada pop lindíssima de Ron Sexsmith que funciona como uma espécie de retrospectiva de vida de uma mulher irriquieta e idealista, que nunca fechou para balanço ao longo de mais de 40 anos de carreira.. Emmylou Harris é – sempre foi -- uma artista notável, do tipo que prefere ousar e quebrar a cara vez ou outra do que optar pelo atoleiro confortável que muitos chamam de “maturidade artística”. Aliás, o título deste LP define impecavelmente a postura de vida e o “state of the art” dessa mulher admirável.


Lucinda Williams é quase tão veterana quanto Emmylou Harris, mas levou mais tempo para aparecer perante o grande público. Nascida em 1953 em Lake Charles, Louisiana, ela é filha de Miller Williams, professor de literatura e poeta de prestígio, com vários livros publicados e passagens por Universidades em todos os cantos dos Estados Unidos, além de Santiago, Chile, e Cidade do México. Lucinda herdou do pai a paixão por country music e blues, e também o espírito aventureiro e o diletantismo artístico que, de certa forma, colaboraram muito para que ela demorasse a achar um foco específico para seu trabalho como cantora e compositora. Perambulou anos e anos entre New Orleans, Austin, Los Angeles e Nova York como artista folk e só foi conseguir uma chance para gravar um LP através do selo Folkways no final dos anos 1970. Mesmo assim, o blend de blues, country e folk de seus trabalhos iniciais não serviu para abrir portas em nenhuma dessas cenas musicais bem distintas, e Lucinda passou a ser vista como uma artista inclassificável pela Indústria Fonográfica -- reconhecidamente avessa a tudo que não soasse como “Thriller”, de Michael Jackson, nos famigerados anos 1980.

Mas Lucinda insistiu, e lançou seu LP seguinte pelo selo inglês Rough Trade, que operava basicamente com bandas independentes, como The Smiths e outras. Com isso, conseguiu chamar a atenção de quem estava atento às novas manifestações musicais vindas do outro lado do Atlântico. E então, suas canções começaram a ser descobertas e gravadas por gente como Mary Chapin Carpenter, Linda Ronstadt e, claro, Emmylou Harris. Tudo isso abriu finalmente as portas de um selo americano, Elektra Records, onde Lucinda gravou o excelente “Sweet Old World” (1993), novamente mesclando diversos gêneros musicais. Mas, dessa vez, deu a sorte de emplacar um single nas paradas country: a irresistível “Passionate Kisses”.


Foi quando sua carreira finalmente começou a decolar. Seu trabalho seguinte, “Car Wheels On A Gravel Road”, resultado de um parto complicadíssimo envolvendo confusões com vários produtores – entre eles, Rick Rubin e Roy Bittan – e duas gravadoras em litígio, acabou vendo a luz do dia pela Mercury Records, e finalmente trouxe o reconhecimento do grande público ao trabalho de Lucinda Williams – que passou a ser vista como um Townes Van Zant ou um Steve Earle de saias, ou coisa que o valha.

De lá para cá, a carreira de Lucinda Williams sedimentou sem problemas. Apesar de continuar insistindo em desafiar classificações, ela foi muito bem recebida no selo Lost Highway, especializado em artistas country desalinhados do mainstream de Nashville. Passou a gravar de 2 em 2 anos, sempre alternando canções de amor e desespero com números de rock and roll fulminantes. Sua popularidade e seu prestígio não param de crescer desde então.


“Blessed”, seu trabalho mais recente, foi produzido por Don Was e conta com participações muito especiais de Elvis Costello e Matthew Sweet em várias faixas. Se por um lado traz uma sonoridade mais uniforme, por outro expande o alcance de Lucinda como cantora e compositora em números extremamente inusitados. Como ‘Soldier´s Song”, escrita sob o ponto de vista de uma combatente na Guerra do Iraque -- quase tão contundente quanto “Powderfinger” de Neil Young. Ou ainda “Seeing Black”, em que tenta mergulhar no calvário pessoal do amigo Vic Chesnutt, falecido no ano passado. Alem do mais, como resistir à doce melancolia de números como “Sweet Love”, “I Don´t Know How You´re Living” e “Kiss Like Your Kiss”? Aposto que nem Bob Dylan conseguira.

Lucinda Williams tem fama de perfeccionista, e não raro se desentende com os produtores de seus discos. Consta que dessa vez ela só aceitou o padrão sonoro mais uniforme proposto por Don Was para “Blessed” depois que sua gravadora autorizou que a primeira edição viesse acompanhada de um bonus disc com as demos originais das 12 canções, gravadas de forma descompromissada na cozinha de sua casa. Ouvir esses demos apenas com acompanhamento de um violão equivale a ser convidado a invadir sua intimidade, como se estivéssemos revendo um filme através de seus storyboards. Bobagem discutir com Lucinda Williams. A moça sabe muito bem o que faz, e onde quer chegar.



Outra que sempre soube o que faz e onde queria chegar é Aurora “Rory” Block, novaiorquina de Greenwich Village nascida em 1949 que começou a tocar guitarra aos 10 anos de idade incentivada pelos pais -- que sempre a levavam para ver todo tipo de música que o bairro abriga tradicionalmente desde sempre. Seu pai era dono de uma sapataria e violinista de uma banda folk chamada Elektra String Band Project, da qual Rory fez parte, e com a qual gravou um disco aos 12 anos. Teve aulas com Reverend Gary Davis e outros bluesmen que viviam em Nova York nos anos 1960, e aos 15 anos, emancipada pelos pais, caiu na estrada para conhecer a música do sul dos Estados Unidos in loco. Foi quando cruzou o caminho de Skip James e Mississipi John Hurt, suas duas maiores influências musicais na juventude. O caso é que, depois de gravar seu disco solo de estréia -- aos 16 anos -- na Chrysalis Records, em Berkeley, Califórnia, Rory nunca mais sossegou em sua busca pelas raízes americanas. Curiosamente, só foi descoberta pelo grande público – da noite para o dia, a velha piada pronta de sempre – no início dos anos 1990, quando já tinha 10 Lps gravados e 20 anos de carreira nas costas.

Se engana quem pensa que, por tocar blues acústico, Rory Block é uma neo-tradicionalista do gênero. Não é bem assim. Rory segue tradições musicais mais por prazer do que por obrigação. De blueswoman xiita ela não tem absolutamente nada. Seus LPs recentes refletem bem isso. Apesar de “The Lady & Mr. Johnson”, seu songbook de Robert Johnson gravado em 2006, ser extremamente reverente ao approach musical original das gravações de Johnson, o mesmo não pde ser dito de “Blues Walkin´ Down Like A Man”, seu tributo a Son House de 2008, e do recém-lançado “Shake ‘Em On Down”, todo dedicado a Mississipi Fred McDowell. Na medida em que conviveu bastante com os dois em seus anos finais, Rory sentiu-se à vontade para brincar com seus repertórios e reinventá-los à sua maneira, sem a reverência que demonstrou quando abordou o repertório de Robert Johnson.


Em “Shake ‘Em On Down”, Rory introduz o songbook de Mississipi Fred McDowell com duas canções próprias onde conta histórias que viveu ao lado dele, chamadas “Steady Freddie” e “Mississipi Man”. Foge de números batidos como “You Gotta Move” e “I Do Not Play No Rock And Roll” e privilegia canções menos conhecidas de seu repertório, como “The Breadline” e “What´s The Matter Now”. Impossivel não se emocionar com o desconcertamente coral afro que Rory introduz em “Ancestral Home” e também na faixa título. E o que dizer das novas roupagens que ela deu para clássicos como “Kokomo Blues” e “Write Me A Few Of Your Lines”?

Além de tudo isso, tem as revisões que ela fez em “Good Morning Little Schoolgirl” e “The Girl I'm Lovin'”, eliminando das letras insinuações de pedofilia ao trocar girl por boy, para assim amenizar o alto teor sexual das versões originais, compostas numa época em que não havia nada de errado em um homem maduro e bem estabelecido na vida se encantar por jovens estudantes uniformizadas. Ora, quem nunca flertou com esse fetiche clássico, que atire a primeira pedra.

A intenção de Rory com essa intervenção foi nobre: poupar a memória de seu mentor musical de controvérsias inúteis, conduzindo as alterações nas letras originais das canções de forma carinhosa e criativa, para com isso garantir que a obra de Mississipi Fred McDowell perdure com as novas gerações e possa ser cantada por mulheres sem constrangimentos. Vale a pena conhecer essa homenagem ao legado musical desse um bluesman gigantesco, e o esforço impressionante de Rory Block em reinventá-lo para deixá-lo mais vivo de que nunca.

E tenham a certeza que essa sua grandeza de espírito se aplica igualmente a suas companheiras de geração Emmylou Harris e Lucinda Williams.

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EMMYLOU HARRIS
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS
http://altoeclaro.blogspot.com/2011/05/senhoras-e-senhores-emmylou-harris.html

LUCINDA WILLIAMS
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS
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RORY BLOCK
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS

http://altoeclaro.blogspot.com/2011/05/senhoras-e-senhores-rory-block.html

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HIGHLIGHTS
EMMYLOU HARRIS - "Hard Bargain"







HIGHLIGHTS

LUCINDA WILLIAMS - "Blessed"







HIGHLIGHTS

RORY BLOCK - "Shake ‘Em On Down"




quinta-feira, maio 19, 2011

SENHORAS E SENHORES... EMMYLOU HARRIS


“Demorei muito até me sentir segura como compositora. Algumas dessas canções que estou gravando agora foram compostas 20, 25 anos atrás, e depois abandonadas. É engraçado resgatar canções que pareciam perdidas para sempre.”


“Ao contrário da maioria das mulheres que eu conheço, não consigo fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo. Talvez por isso tenha demorado tanto a me afirmar como compositora. Não consigo compor quando estou em tournée, ou fazendo alguma outra coisa. Preciso parar tudo e dizer: Pronto, agora é hora de compor.”


“Muitas canções que eu cantava nos anos 1970 eu não consigo cantar mais, pois deixaram de fazer sentido. Não combinam mais comigo a essa altura da vida. Mas outras, como Pancho & Lefty de Townes Van Zandt, ou Evangeline de Robbie Robertson, ou ainda as canções de Gram Parsons... essas eu pretendo continuar cantando até sair de cena.”


“Me sinto muito orgulhosa de ter ajudado a revelar novos talentos como Gilliam Welch e Patti Griffin, gravando as canções delas antes de qualquer outra artista, e as chamando para abrir meus shows. É uma via de mão dupla, faz bem a ambas as partes envolvidas. Para mim, é sempre um prazer e um privilégio conviver com gente talentosa.”


“Eu me sinto muito bem por estar viva, gravando discos e na estrada há mais de 40 anos. Vi muitos amigos se perderem nessa estrada. Não me sinto uma sobrevivente. Sou é muito teimosa. Aprendi desde cedo a me precaver contra as doenças da estrada. Não dou sopa para o azar.”



LPS EMMYLOU HARRIS
Gliding Bird (1968)
Pieces Of The Sky (1975)
Elite Hotel (1976)
Luxury Liner (1977)
Quarter Moon In A Ten Cent Town (1978)
Blue Kentucky Girl (1979)
Light Of The Stable (1979)
Roses In The Snow (1980)
Evangeline (1981)
Last Date (1982)
White Shoes (1983)
The Ballad Of Sally Rose (1985)
Thirteen (1986)
Angel Band (1987)
Trio (with Linda Ronstadt & Dolly Parton 1987)
Bluebird (1989)
Brand New Dance (1990)
At The Ryman (1992)
Cowgirl´s Prayer (1993)
Wrecking Ball (1995)
Trio II (with Linda Ronstadt & Dolly Parton 1996)
Spyboy (1998)
Western Wall (with Linda Ronstadt 1999)
Red Dirt Girl (2000)
Stumble Into Grace (2003)
All The Roadrunnin´ (with Mark Knopfler 2006)http://www.blogger.com/img/blank.gif
Real Live Roadrunnin´ (with Mark Knopfler 2006)
All I Intended To Be (2008)
Hard Bargain (2011)

WEBSITE OFICIAL
http://www.emmylouharris.com/

SENHORAS E SENHORES... LUCINDA WILLIAMS


“Tenho períodos muito prolíficos como compositora. Quando gravei West, em 2007, sobraram tantas canções que hoje, 2 LPs mais tarde, ainda tenho algumas guardadas para um próximo trabalho. Em compensação, tenho outras começadas há 10, 20 anos que ainda não consegui terminar -- e nem sei se vou conseguir.”


“Meus discos favoritos são os primeiros de Bob Dylan e Dusty In Memphis, de Dusty Springfield. Não me pergunte o porquê. Não vou saber responder. E minha canção favorita é By The Time I Get To Phoenix, de Jimmy Webb.”


“Quando começo a compor alguma canção, sempre estou falando de uma determinada pessoa. Conforme essa canção evolui, essa pessoa vai desaparecendo. Quando termino, passa a ser uma canção sobre todo mundo. Ou sobre ninguém.”


Car Wheels On A Gravel Road foi regravado algumas vezes até ficar do jeito que eu queria, mas desde então nunca mais achei necessário ser tão preciosista em relação à produção de um disco. Hoje tudo flui com muito mais facilidade. Continuo determinada, mas fiquei muito mais objetiva com o passar dos anos.”


“Me sinto livre e muito criativa aos 58 anos de idade, mas não é fácil conviver com a idéia de que a morte está cada vez mais perto.”



LPS LUCINDA WILLIAMS
Ramblin´ (1979)
Happy Woman Blues (1980)
Lucinda Williams (1988)
Sweet Old World (1992)
Car Wheels On A Gravel Road (1998)
Essence (2001)
World Without Tears (2003)
Live At The Fillmore (2005)
West (2007)
Little Honey (2009)
Blessed (2011)

WEBSITE OFICIAL
http://www.lucindawilliams.com/

SENHORAS E SENHORES... RORY BLOCK


“Toco guitarra desde os 10 anos, mas meu caso de amor com o blues só começou aos 14 anos, em 1964, quando vi Stefan Grossman tocando em Washington Square, pertinho da loja dos meus pais, no Village. Stefan me deu de presente seu LP Really The Country Blues, que ouvi até furar.”


“Em Nova York, nos anos 60, eu era menina e já corria os nightclubs atrás de artistas de blues que cidade, sempre acompanhado de meu pai, e tive a sorte de conhecer, conviver e aprender com Skip James, Fred McDowell, Bukka White, Son House, Mississipi John Hurt, Reverend Gary Davis e vários outros grandes mestres”.


“Minha mãe era uma ótima cantora. Tinha muitos discos de Leadbelly e Muddy Waters em casa. Já meu pai era um bom violinista, e gostava mais de country e folk. Tenho a quem puxar.”


“Nos anos 1960, enquanto minhas amigas ouviam os Beatles e os Rolling Stones, eu estava interessada mesmo é em velhos discos 78 rotações de Willie Brown. Não me pergunte porque. Não tenho explicação para isso.”


“Não acho que esses grandes artistas de blues, que conviveram com o racismo e com separatismos de diversos tipos, consigam entender porque tantos brancos tem tanto interesse na música que eles fazem.”



LPS RORY BLOCK
Rory Block (1975)
I´m In Love (1976)
Intoxication So Bitter Sweet (1977)
How To Play Blues Guitar (1978)
You´re The One (1979)
High Heeled Blues (1981)
In The Christmas Spirit (1966)
Blue Horizon (1983)
Rhinestones & Steel Strings (1984)
I´ve Got A Rock In My Sock (1986)
House Of Hearts (1987)
Color Me Wild (1990)
Mama´s Blues (1991)
Ain´t I A Woman (1992)
Angel Of Mercy (1994)
When A Woman Gets The Blues (1995)
Turning Point (1996)
Tornado (1996)
Confessions Of A Blues Singer (1998)
I´m Every Woman (2002)
Women In (E)Motion (2002)
Last Fair Deal (2003)
Rory Block In Concert (2004)
From The Dust (2005)
The Lady & Mr. Johnson (2006)
Blues Walkin´ Like A Man – Tribute to Son House (2008)
Shake´Em On Down – Tribute to Fred McDowell (2011)

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http://www.roryblock.com/

terça-feira, maio 17, 2011

QUANDO COMPOSITORES VIRAM ARRANJADORES, QUE SE TRANSFORMAM EM PRODUTORES, E DEPOIS SE TORNAM ARTISTAS SOLO (por Chico Marques)


Semana passada, Burt Bacharach completou 83 anos de idade.

Para quem não sabe, foi ele quem inaugurou bem no início dos anos 1960 a tendência (hoje vista com naturalidade) do compositor pop ser também o arranjador e às vezes até o produtor dos artistas que cantam suas canções. Antes de Bacharach, os compositores trabalhavam horas e horas em novas canções e as entregavam às editoras musicais das gravadoras, que, por sua vez, faziam o que bem entendiam com elas, sem jamais consultar o compositor sobre o destino de sua obra.

Bacharach foi tão bem sucedido no comando dessas múltiplas funções que a tendência virou febre. De uma hora para outra, todos os segmentos musicais populares nos Estados Unidos concluíram que, para manter a cena da música gravada sempre revitalizada, a salvação da lavoura seria incentivar constantemente a ascensão desses jovens candidatos a gênios pop aos postos de comando na produção dos artistas contratados pelas gravadoras.


Por alguns poucos anos, isso funcionou dentro das regras estipuladas pelos Capitães da Indústria Fonográfica. Mas então, quando perceberam que estavam com a faca e o queijo na mão, esses jovens artistas que nunca se sentiram confortáveis como funcionários de gravadoras, resolveram que estava na hora de virar a mesa, chutar o pau da barraca e tornarem-se produtores independentes.

Burt Bacharach mais uma vez saiu na frente de todos os outros. Por volta de 1966, ele se desvinculou dos compromissos do dia a dia e passou a escolher com quem queria trabalhar. É dessa época sua parceria vitoriosa com Dionne Warwicke, numa seqüência memorável de singles vitoriosos. Paralelo a isso, passou a escrever música para o cinema e para a Broadway, e a gravar seus próprios discos para a independente A&M Records, do amigo Herb Alpert e Jerry Moss, trabalhando com cantores convidados e controle criativo total. Direto para o Olimpo Pop, sem escalas.


Pois bem: Booker T. Jones e Todd Rundgren não tiveram o prazer de pertencer a essa aristogracia de compositores, arranjadores, maestros e produtores pop como Burt Bacharach, Jimmy Webb e Quincy Jones. Mas conseguiram – Booker na soul music e Todd no pop e no rock experimental – imprimir suas personalidades musicais em praticamente todos os projetos em que se envolveram aos longo dos últimos 45, 50 anos. Seja como artistas solo ou como arranjadores e produtores.


Booker T Jones nasceu num ghetto em Memphis, Tennessee, em 1943. Pianista e organista de talento natural, conseguiu a duras penas estudar música na Universidade de Indiana. Mas não aguentou ficar muito tempo por lá, pois era arrimo de família. Bem no início dos anos 1960, voltou para Memphis e aceitou um emprego nos pequenos Estúdios Stax como arranjador e músico. Rapidamente ganhou reconhecimento internacional à frente da banda da casa Booker T & The MG´s com singles instrumentais como “Green Onions” e "Soul Limbo".

O sucesso estrondoso do Booker T & The MG´s foi emblemático naqueles tempos de luta pelos direitos civis. Composta por dois negros – Booker T no órgão e Al Jackson na bateria – e dois brancos – Steve Cropper na guitarra e Donald “Duck” Dunn no baixo –, o Booker T & The MG´s não só reinventou a música instrumental dançante do sul dos Estados Unidos como também forneceu a moldura musical para a recém-nascida soul music de Memphis, nos discos seminais de Wilson Pickett, Otis Redding, Carla Thomas e vários outros. Era difícil acreditar que toda aquela genialidade musical do time de músicos da Stax brotasse a toque de caixa e em horário comercial, mas era a pura verdade.


Booker T & The MG´s permaneceu ativo e frequentando o topo das paradas ao longo dos anos 60, enquanto Booker T. Jones e Steve Cropper se escolavam como produtores. No início dos anos 1970, no entanto, cada um foi cuidar de sua vida. Booker T Jones encerrou sua longa associação com a Stax e assinou como artista solo com a A&M Records, onde iniciou uma parceria com sua então mulher, Priscilla Coolidge. Paralelo a isso, passou a atuar como produtor independente com bastante frequência. Foi o responsável, entre muitas outras coisas, pela sonoridade crossover dos discos de standards de Willie Nelson, na série iniciada com “Stardust”. De tempos em tempos, só para sentir o gostinho da estrada, Booker T Jones convocava seus velhos perceiros Cropper & Dunn para atualizar o som do Booker T & The MGs e saíam por aí atuando como banda de apoio de Bob Dylan e de Neil Young. Seus discos solo -- todos muito bons, alguns deles vencedores de Grammies -- revelaram algo insuspeito: além de ser o organista mais festejado da cena pop da América, ele também sabia cantar. E bem.


“The Road From Memphis” é seu LP mais recente. É um trabalho impecável, onde as sonoridades e o swing pedestre de Memphis se integram a todas as vertentes musicais da música negra americana com uma organicidade impressionante. Abrilhantado por participações especiais de Sharon Jones, Matt Berninger (The National) e Yim Yames (My Morning Jacket), “The Road From Memphis” é uma aula de maturidade musical e um atestado de 50 anos de excelentes serviços prestados à música popular. O destaque vai para “The Bronx”, a faixa de encerramento -- uma parceria brilhante com Lou Reed que desperta uma vontade insuspeita de ouvir o LP inteiro novamente. Parafraseando o saudoso Ezequiel Neves, é um disco perfeito para ouvir enquanto se faz faxina na casa. Embala na medida certa, oscilando entre o soul modernoso e o soul atemporal. Se isso não é maturidade musical, eu não sei mais o que é.


Já Todd Rundgren é um caso semelhante, ainda que num universo musical totalmente diferente. Nascido em 1948 na Philadelphia, ele apareceu em 1968 à frente do curioso grupo Nazz, que mesclava sunshine pop, rock psicodélico de San Francisco e uma atitude londrina. Seria apenas uma banda a mais tentando um lugar ao sol se não fosse pela excelência das composições de Todd – em particular, “Hello It´s Me”, sucesso na época, que chamou a atenção do empresário de Bob Dylan, Albert Grossman. Grossman contratou Todd para seu recém-nascido selo Bearsville mesmo sem saber como fazer com que seus múltiplos talentos coubessem num disco. Na dúvida, permitia que ele experimentasse todas as idéias musicais que viesse na sua cabeça, e depois os dois definiam em comum acordo como montar os LPs..

Dessa brincadeira saíram álbuns estranhos e multifacetados como “The Ballad Of Todd Rundgren”, “Something Anything” e “A Wizard, A True Star”, que, mesmo desafiando definições e classificações de mercado, eram aclamados pelo público, em parte pelo sucesso estrondoso de singles como “I Saw The Light”, “It Couldn´t Have Made Any Difference” e “We Gotta Get You a Woman”. Ninguém sabia dizer se Todd Rundgren era um artista de rock, de pop ou de música progressiva. Mas, por outro lado, ninguém se importava muito com essas definições. E ele seguiu em frente, sempre experimentando sonoridades diferentes, em discos que nunca custavam muito caro e eram sempre rentáveis. Paralelamente a isso, Todd fazia parte do grupo pop progressivo Utopia, e ainda deixou sua marca como produtor em discos que marcaram época, como “We´re An American Band” e “Shinin On” do Grand Funk Railroad e, claro, o inesquecível álbum de estréia dos New York Dolls.


Mas então chegaram os anos 1980, que exigiam definição de mercado para todo tipo de música o que era lançada, e Todd Rundgren se viu numa encruzilhada. Entre tornar sua música previsível e se render às armadilhas da Indústria Fonográfica e seguir adiante com seus experimentos musicais numa cena independente ainda bastante insipiente, ele optou pela segunda alternativa. Montou um estúdio no Hawaii, onde sobreviveu confortavelmente como produtor, e, de tempos em tempos, gravava algum disco, sempre fora dos padrões habituais, apresentando sua produção mais recente. Suas tournées continuaram concorridas e seus LPs clássicos foram reeditados pela Rhino e nunca deixaram de vender bem.


E agora, para surpresa geral, ele está de volta com um LP curioso: “Johnson”, uma homenagem ao centenário de nascimento de Robert Johnson, com 12 releituras pouco ou nada reverentes de algumas de suas canções mais emblemáticas. Convenhamos: um disco de Todd Rundgren homenageando Robert Johnson soa em princípio tão inadequado quanto um disco de Lulu Santos cantando Cartola. Mas, estranhamente, "Johnson" funciona bem. Foi feito por encomenda para a gravadora e editora que detém atualmente a exclusividade dos direitos da obra de Robert Johnson, mas estranhamente não possui fonogramas com esse material gravado -- e Todd providenciou para que tivesse. Com certeza, não vai agradar aos fãs mais ardorosos do legado musical de Robert Johnson. Mas, vencida a resistência inicial, confesso que não vi nada de errado com a homenagem de Todd. Pelo contrário: são versões muito enxutas e urgentes, com uma sonoridade muito clara e muito pesada, e uma carga dramática sempre muito intensa. É um projeto bem realizado, ocasionalmente brilhante, e que não ofende a memória de Robert Johnson. Para quem está acostumado com as idiossincrasias de Todd Rundgren, nada disso é motivo de espanto.


Booker T Jones e Todd Rundgren são artistas populares e produtores musicais de linhagens muito diferentes. Booker é sério até demais. Todd é completamente maluco. Ambos guardam em comum o mesmo senso aventuresco, o mesmo inconformismo com regras mercadológicas que sufocam a criatividade dos artistas, e a mesma autosuficiência de quem está em cena há quase 50 anos.

Nunca fizeram questão de ser aristocratas pop como Burt Bacharach e Jimmy Webb. Mas também nunca apostaram baixo. Nunca apostaram no certo. E nunca fizeram cara feia quando tiveram que correr riscos.

Até porque Booker T Jones, lá em Memphis, e Todd Rundgren, no Hawaii, sabem muito bem que no dia em que não houver mais risco algum a correr no seu métier, é sinal de que o jogo acabou para eles.

Convenhamos: a julgar por seus novos Lps, ainda é cedo pra vestir o pijama e ir pra cama.

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BOOKER T JONES
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS

http://altoeclaro.blogspot.com/2011/05/senhoras-e-senhores-booker-t-jones.html

TODD RUNDGREN
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS

http://altoeclaro.blogspot.com/2011/05/senhoras-e-senhores-todd-rundgren.html

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HIGHLIGHTS
BOOKER T JONES - "The Road From Memphis"








HIGHLIGHTS
TODD RUNDGREN - "Johnson"