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quinta-feira, abril 05, 2018

A ANIVERSARIANTE DE HOJE OSCILA ENTRE A COUNTRY MUSIC TRADICIONAL E A MODERNA, MAS SEMPRE MANTEVE UM FLERTE ABERTO COM O ROCK AND ROLL




Emmylou Harris (Birmingham, Alabama, 2 de abril de 1947) é uma cantora e compositora norte-americana de música country, folk e “americana”. Sua voz de soprano torna-a uma das mais distintas cantoras da música popular dos Estados Unidos.

Nascida em família de militares, Emmylou passou a infância e adolescência mudando de cidade em cidade, entre os estados de Alabama, Carolina do Norte e Virgínia. Enquanto estudava teatro na University of North Carolina, ela aprendeu a tocar músicas de Bob Dylan e Joan Baez. Em seguida, mudou-se para Nova York, para dedicar-se apenas à música. Trabalhou como garçonete e apresentou-se em clubes folk. Casou-se em 1969 com o compositor Tom Slocum e, nesse mesmo ano, lançou seu primeiro álbum, Gliding Bird, depois renegado (algumas fontes dão o ano de 1968).

Divorciando-se em seguida, e com uma filha para criar, Emmylou retornou para a casa dos pais, a essa altura donos de uma fazenda perto de Washington, DC. Logo formou um trio e voltou a tocar. Em 1971, enquanto se apresentavam em um pequeno clube, foram descobertos por Chris Hillman, ex-The Byrds, à época na banda de country rock Flying Burrito Brothers. Hillman indicou Emmylou a Gram Parsons, que precisava de uma vocalista. Emmylou participou dos dois discos de Parsons, G.P. (1972) e Grievous Angel (1973) e de uma turnê que rendeu preciosos duetos entre os dois. Com a morte de Parsons ainda em 1973, Emmylou regressou a Washington e formou a Hot Band, com quem finalmente gravaria seu primeiro disco por uma grande gravadora, o aclamado Pieces of the Sky, em 1975. O álbum foi produzido por Brian Ahern, com quem se casaria logo depois.

Com a Hot Band, em suas várias formações, Emmylou gravou a maioria de seus discos seguintes até Brand New Dance, de 1990. A banda revelou os músicos Ricky Skaggs, famoso nos círculos bluegrass e Rodney Crowell, compositor cuja importância transcende a música country, além de ter contado com nomes famosos, como James Burton, o lendário guitarrista de Elvis Presley.

Com o fim da Hot Band, Emmylou formou a acústica The Nash Ramblers, com quem gravou o álbum ao vivo At The Ryman, em 1993. A essa altura, Emmylou já era dona de um prestígio invejável nos meios musicais e já vendera milhões de discos, mas ao invés de sossegar, ela procurava novos caminhos e, em 1995, lançou o seminal Wrecking Ball. Produzido por Daniel Lanois, que já trabalhara com Bob Dylan, U2 e Peter Gabriel, o disco é o resultado de muita ousadia e experimentalismo, com seus climas etéreos e ausência de fórmulas fáceis. Em 2000 saiu o premiado (com o Grammy de Melhor Disco de Folk Contemporâneo) Red Dirt Girl, o primeiro só de composições próprias desde The Ballad of Sally Rose, de 1985. Gravou tambem All the Roadrunning (2006), uma descontraída colaboração com o amigo Mark Knopfler.

Apesar de colocada, para fins de referência, no gênero country, Emmylou transita igualmente pelo folk, country alternativo, rock e, ocasionalmente pelo pop. Sempre interessada pelas raízes da música americana, seus discos quase sempre contêm antigas canções folclóricas, canções gospel e bluegrass. Além de compor, cada vez com mais intensidade, Emmylou gravou praticamente todos os grandes compositores de música popular, de Bob Dylan a Lennon & McCartney, passando por Bruce Springsteen, Hank Williams, Steve Earle, Louvin Brothers, Neil Young e Johnny Cash.

Outra característica sua é a disponibilidade para participar em projetos de outros artistas. Com isso, ela já gravou com nomes tão díspares quanto Sheryl Crow, Ralph Stanley, Marianne Faithfull, Roy Rogers, Beck, Dave Matthews, Bob Dylan e John Denver.

DISCOGRAFIA

Gliding Bird (Jubilee) 1969
Pieces of the Sky (Reprise/Warner Bros.) 1975
Elite Hotel (Reprise/Warner Bros.) 1975
Luxury Liner (Warner Bros.) 1977
Quarter Moon in a Ten Cent Town (Warner Bros.) 1978
Blue Kentucky Girl (Warner Bros.) 1979
Light of the Stable (X-mas album) (Warner Bros.) 1979
Roses in the Snow (Warner Bros.) 1980
Evangeline (Warner Bros.) 1981
Cimarron (Warner Bros.) 1981
Last Date (Warner Bros.) 1982
White Shoes (Warner Bros.) 1983
The Ballad of Sally Rose (Warner Bros.) 1985
Thirteen (Warner Bros.) 1986
Angel Band (Warner Bros.) 1987
Trio (Warner Bros.) 1987 (com Dolly Parton e Linda Ronstadt)
Bluebird (Reprise/Warner Bros.) 1989
Brand New Dance (Reprise/Warner Bros.) 1990
At the Ryman (Warner Bros.) 1992
Cowgirl's Prayer (Elektra/Warner Bros.) 1993
Wrecking Ball (Asylum/Warner Bros.) 1995
Nashville Country Duets (Sundown) 1996 (com Carl Jackson)
Spyboy (Eminent) 1998
Trio II (Elektra) 1999 (com Dolly Parton e Linda Ronstadt)
Western Wall: The Tucson Sessions (Elektra) 1999 (com Linda Ronstadt)
Red Dirt Girl (Nonesuch/Warner Bros.) 2000
Stumble into Grace (Nonesuch/Warner Bros.) 2003
All the Roadrunning (Mercury Records) 2006 (com Mark Knopfler)
All I Intended to Be (Nonesuch Records) 2008
Hard Bargain (Nonesuch Records) 2011








quinta-feira, agosto 20, 2015

RAPIDINHAS: EMMYLOU HARRIS, RODNEY CROWELL, DWIGHT YOAKAM, THE ASTRAL SWANS E DYLAN SNEED

por Chico Marques


De um ano para cá, a Rolling Stone Magazine, que sempre esnobou solenemente a cena musical de Nashville, se rendeu finalmente e abriu seu website e sua revista quinzenal para a country music. 

O motivo principal? 

Tanto lá quanto cá, a cena country sempre atravessa crises sem grandes dificuldades, ao contrário do que acontece com as cenas pop e rock, tradicionalmente mais vulneráveis a tempos difíceis.

Mas não é só isso.

Hoje, em Nashville, as velhas distinções de gênero estão cada vez mais misturadas. Tudo aquilo que nos Anos 1980 ganhou o rótulo genérico Americana, se mesclou de tempos para cá com os conceitos de alt country e alt rock, e agora segue rumo a novas saídas musicais que insistem em desafiar definições.

 Os quatro discos comentados hoje em ALTOeCLARO trazem artistas de gerações e background musicais distintos, cujos trabalhos não só revelam as muitas facetas da country music atual como também  mostram como o gênero ficou vasto e inusitado.

EMMYLOU HARRIS & RODNEY CROWELL
The Traveling Kind
(Nonesuch Records)
Dois anos atrás, quando Emmylou Harris e Rodney Crowell uniram forças novamente em "Old Yellow Moon", um álbum de duetos que retomava a velha parceria entre os dois depois de 35 anos distantes um do outro nos palcos, tudo indicava estarmos diante de um disco de ocasião -- mais ou menos como "All That Roadrunning", que ela gravou com Mark Knopfler em 2006. Mas, na verdade, era bem mais do que isso. E agora. Emmylou e Rodney estão de volta com um segundo disco juntos chamado 'The Traveling Kind". Aqui, ao contrário do disco anterior, 9 das 11 canções do disco são assinadas por Rodney, sendo que 6 delas também levam a assinatura de Emmylou, o que indica um envolvimento bem maior entre os dois do que parecia estar rolando dois anos atrás. Daí, se havia alguma dúvida de que, depois de tantas aventuras musicais ousadas, Emmylou está voltando aos poucos à persona country-rock de seu início de carreira, agora não há mais. As vozes dos dois combinam perfeitamente, o repertório é perfeito, os dois covers escolhidos -- "I Just Wanted to See You So Bad" de Lucinda Williams e "Her Hair Was Red" de Amy Allison -- receberam um tratamento adequadíssimo e o astral da empreitada é ótimo. Ou seja: são dois grandes amigos numa parceria perfeita que tem tudo para perdurar indefinidamente. Isso se Emmylou não chutar o balde lá pelas tantas e reaparecer de repente com uma banda de rock and roll. Todos nós sabemos que ela é quase tão imprevisível quanto Neil Young.

DWIGHT YOAKAM
Second Hand Heart
(Warner Bros Records)
Dwight Yoakam está comemorando 30 anos de carreira com sua musicalidade completamente revitalizada, alternando seus clássicos honky-tonk hillbillies com rocks rasgados e bem melodiosos. Nesse retorno à velha forma, que coincide com seu retorno à Warner Bros Records, onde passou os primeiros 20 anos de sua carreira, Dwight mostra que continua muito influente para toda a nova cena musical de Nashville, que deve muito a ele em termos estilísticos e nem sempre tem consciência disso. Neste "Second Hand Heart" ele dá voz a dez canções -- oito originais de Dwight Yoakam, mais dois covers --  que soam atemporais e ao mesmo tempo urgentes, sempre com um ar levemente nostálgico e empacotadas de forma a agradar a vários públicos. Tudo aqui é tão bom e soa tão bem que dá para imaginar Elvis Presley cantando algumas dessas canções em suas clássicas gravações do finalzinho dos Anos 60 em Memphis. É um disco que já nasce clássico. E que é desde já, sem sombra de dúvida, o grande disco de Americana deste ano.

THE ASTRAL SWANS
All My Favorite Singers Are Willie Nelson
(Madic Records)
Matthew Swan é uma figuraça. Depois de participar de algumas bandas bandas maluquinhas que deram em nada, com nomes bacanas como Extra Happy Ghost e Hot Little Rocket, ele decidiu sair solo, só que escondido por trás do nome de uma banda. Daí nasceu The Astral Swans, que assina esse disco de estréia deliciosamente intitulado "All My Favorite Singers Are Willie Nelson". Tudo é muito simples: basicamente voz e guitarra com bateria eletrônica e efeitos de sintetizador quase risíveis, que parecem saídos daqueles sintetizadores de primeiríssima geração da década de 60. E, claro, sempre com um mínimo de produção. Mas tudo é muito denso também. As canções são ótimas, divertidas, agradáveis, espirituosas, e funcionam como um recital demo cuja sonoridade lembra desde Lou Reed até o Timbuk Three e o White Stripes. Vale a pena conhecer o trabalho de The Astral Swans. Willie Nelson deve ter adorado a homenagem, mesmo sem entender o motivo.

DYLAN SNEED
Texodus
(Dylan Sneed Records)
Gravado num estúdio da Carolina do Sul com sidemen bem integrados e familiarizados com o repertório, "Taxodus" é uma coleção de ótimas canções de estrada, registradas numa única tarde da forma mais descomplicada possível, como nos velhos tempos. Os temas de Dylan Sneed são recorrentes: fugir da vida corporativa, cair fora da cidade grande e descobrir onde fica o coração a América. E se por um lado não há nada de muito original em seu jeito de cantar -- que lembra às vezes um John Prine menos sonhador, às vezes um Townes Van Zandt sóbrio --, não se pode acusá-lo de não desenvolver um trabalho bem estruturado e envolvente. Se você procura por sonoridades modernosas, veio ao lugar errado. O que temos aqui é country e folk urbanos à moda clássica dos anos 70.  Dylan Sneed é do Brooklyn, Nova York. Tem talento. Um crítico amigo o definiu como "Van Morrison montado numa Harley Davidson". Exageros è parte, é por aí. Vale uma boa conferida.





quarta-feira, abril 01, 2015

"TRACKER": MAIS UM BELO TRIUNFO ARTÍSTICO, ASSINADO COM ORGULHO POR MARK KNOPFLER


Mark Knopfler é um cara admirável.

Podia perfeitamente estar faturando até hoje em cima de seu passado glorioso à frente dos Dire Straits, fazendo tournées com seus ex-companheiros de banda e mantendo sua carreira solo mais próxima do gosto dos fãs mais conservadores -- que idolatram os Straits, mas se mantém refratários a seu trabalho atual.

O caso é que Mark prefere a aventura, e faz questão de correr riscos apostando em trabalhos às vezes conceituais e complexos, outras vezes um pouco mais prosaicos, mas nunca previsíveis.

Quem viu Mark em tournée ao lado de Emmylou Harris sabe bem do que estou falandosabe bem do que estou falando. Com ela, ele mergulhou tão fundo na alma da country music que não sossegou enquanto não atingiu resultados tão relevantes artisticamente quanto os que Gram Parsons experimentou ao lado da mesma Emmylou no início dos Anos 1970.



Três anos atrás, Mark surpreendeu a todos com um álbum duplo intenso e ambicioso chamado "Privateering", onde mergulhou fundo nas diversas sonoridades que compõem o que se convencionou chamar de Americana. 

Com isso, conseguiu uma proeza admirável: chegou ao topo das paradas inglesas com um trabalho introspectivo, soturno e de acesso nada fácil às emissoras de rádio. 

Pior: deu sustentanção a essa inusitada popularidade através um uma tournée prolongada, onde empurrou goela abaixo do público ranheta dos Dire Straits suas novas canções.



Agora, aos 65 anos de idade, Mark Knopfler está de volta com um novo disco mais prosaico e de apelo um pouco mais imediato, chamado simplesmente "Tracker" (um lançamento Verve Records), e composto por apenas 11 canções, todas de sua autoria.

Como o próprio nome do disco já indica, os temas das canções são novamente nostágicos e introspectivos, só que dessa vez a atitude de Mark é bem diferente: ele olha para trás para vislumbrar os rastros que deixou e as pessoas que mais o marcaram, que agora fazem parte de seu passado.

Um belo clássico disso é "Basil", uma canção extremamente delicada sobre sua amizade de longa data com o poeta Basil Bunting, com quem trabalhou nos anos 1970 no jornal The Newcastle Evening Chronicle.

Outro exemplo interessante é "Beryl", sobre sua afeição pela prolífica romancista inglesa Beryl Bainbridge, que esteve no páreo para ganhar o Booker Prize desde o início dos Anos 1970, mas só foi recebê-lo agora, em 2010, um ano depois de sua morte. 

Existe alguma alegria em "Tracker", mas é uma alegria contida, em tom menor, como a que permeia "Laughs And Jokes And Drinks And Smokes", faixa de abertura do disco,  aparentemente sobre os primeiros anos à frente dos Straits, antes da banda emplacar mundialmente no primeiro LP. É também o caso de "Long Call Girl", uma canção de amor delicada e serena, e de "River Towns", um adorável peaaseio pelo countryside da boa e velha Inglaterra. E, claro, tem ainda números intensos como "Skydiver" e "Mighty Man", ambas com a marca inconfundível do mesmo grande compositor de clássicos como "Love Over Gold" e "Why Worry".

Mark Knopfler fecha o disco com um número belíssimo chamado "Wherever I Go", onde ele divide a cena com Ruth Moody, do trio canadense The Wailin’ Jennys, com resultados tão emocionantes que dá vontade de recomeçar a ouvir o disco desde o início.



"Tracker" é um triunfo considerável para a carreira solo em tom menor de Mark Knopfler.

Com esse disco, ele prova que não precisa ter um projeto ambicioso em mãos, como "Privateering", para conseguir voar alto: basta dispor uma coleção de canções magníficas bem encadeadas, bem executadas, e exemplarmente produzidas como essas.

Simples, não?

Em última análise, "Tracker" é um disco extremamente verdadeiro da primeira à ultima faixa, um belíssimo trabalho, de altíssimo gabarito -- se não fosse, com certeza não levaria a assinatura de Mark Knopfler na capa.





DISCOGRAFIA COMENTADA

AMOSTRAS GRÁTIS





quarta-feira, novembro 05, 2014

LUCINDA WILLIAMS DECLARA INDEPENDÊNCIA E COLHE UM BELO TRIUNFO ARTÍSTICO


Lucinda Williams não é -- na verdade, nunca foi -- uma artista fácil.

Talentosa e temperamental, ela sempre foi cobiçada pela Indústria Fonográfica por suas habilidades como compositora, mas sempre foi considerada problemática como artista solo por desafiar produtores e executivos constantemente em nome de um perfeccionismo que muitas vezes soava mais como um capricho pessoal do que propriamente como uma atitude artística fundamentada.

Nascida em 1953 em Lake Charles, Louisiana, ela é filha de Miller Williams, professor de literatura e poeta de prestígio, com vários livros publicados e passagens por Universidades em todos os cantos dos Estados Unidos, além de Santiago, Chile, e Cidade do México.

Lucinda herdou do pai a paixão por country music e blues, e também o espírito aventureiro e o diletantismo artístico que, de certa forma, colaboraram muito para que ela demorasse a achar um foco claro para seu trabalho como cantora e compositora.

Perambulou anos e anos entre New Orleans, Austin, Los Angeles e Nova York como artista folk e só foi conseguir uma chance para gravar um LP através do selo Folkways no final dos anos 1970.

Mesmo assim, o blend de blues, country e folk de seus trabalhos iniciais não serviu para abrir portas em nenhuma dessas cenas musicais bem distintas.

E então ela passou a ser vista como uma artista inclassificável pela Indústria Fonográfica, que, por sua vez, era assumidamente avessa a qualquer coisa que não soasse como “Thriller”, de Michael Jackson, naqueles famigerados primeiros anos da década de 80.


Mas Lucinda insistiu, e conseguiu lançar seu LP seguinte pelo selo inglês Rough Trade, que operava basicamente com bandas independentes, como The Smiths e outras.

Com isso, conseguiu chamar a atenção de quem estava atento às novas manifestações musicais vindas do outro lado do Atlântico.

E então, suas canções começaram a ser descobertas e gravadas por gente como Mary Chapin Carpenter, Linda Ronstadt e, claro, Emmylou Harris.

Tudo isso abriu finalmente as portas de um selo americano, Elektra Records, onde Lucinda gravou o excelente “Sweet Old World” (1993), novamente mesclando diversos gêneros musicais.

Mas, dessa vez, deu a sorte de emplacar um single nas paradas country: a irresistível “Passionate Kisses”.


Foi quando sua carreira finalmente começou a decolar.

Seu trabalho seguinte, “Car Wheels On A Gravel Road”, resultado de um parto complicadíssimo envolvendo confusões com vários produtores – entre eles, Rick Rubin e Roy Bittan – e duas gravadoras em litígio, acabou vendo a luz do dia pela Mercury Records, e finalmente trouxe o reconhecimento do grande público ao trabalho de Lucinda Williams – que passou a ser vista como um Townes Van Zant ou um Steve Earle de saias, ou coisa que o valha.

De lá para cá, a carreira de Lucinda Williams parou de apresentar problemas -- ao menos, por algum tempo.

Apesar de continuar insistindo em desafiar classificações, ela foi muito bem recebida no selo Lost Highway, especializado em artistas country desalinhados do mainstream de Nashville.

Passou a gravar discos de 2 em 2 anos, sempre alternando canções de amor e desespero com números de rock and roll fulminantes, abraçando diversos segmentos de público e tornando-se cada vez mais popular.


Pois agora chegou a hora dela declarar independência e montar seu próprio selo: Highway 20 Records.

“Down Where The Spirit Meets The Bone”, seu mais novo trabalho, é altamente desafiador, e retoma uma veia mais rústica que havia se perdido em discos anteriores, produzidos por craques como Don Was, sempre de olho no mercado.

Trata-se de um álbum duplo com 20 -- ótimas -- canções e 105 minutos de duração que funciona como uma viagem pelo universo temático de Lucinda Williams: as relações imperfeitas e o amor que se confunde com outros sentimentos e se perde.

Temos aqui menos melancolia e mais atitude que o habitual -- uma atitude bluesy, truculenta, bem crua, forjada em guitarras rasgadas, como o próprio título do disco sugere.

Pode-se dizer sem engano que o disco 1 é mais mundano, funcionando do umbigo para fora, enquanto o disco 2 lida com temas mais pessoais, do umbigo para dentro.

Ou seja: tem desde comentários sociais contundentes como "West Memphis" e "East Side Of Town" quanto canções de amor rasgadas como "Everything But The Truth" e "This Old Heartache" -- isso além de um poema de seu pai que ela decidiu musicar, entitulado "Compassion", a abre o disco.

Sua banda de apoio é, basicamente, The Imposters, cedida gentilemente pelo amigo Elvis Costello.

E as participações especiais de guitarristas de naturezas tão diferentes quanto Bill Frisell e Tony Joe White já deixam claro que "Down Where The Spirit Meets The Bone" trafega por diversas vertentes musicais -- nenhuma delas estranha a Lucinda Williams.


Se o disco tem algum defeito, é justamente ser longo demais, e menos conciso que outros grandes discos de Lucinda, como "Car Wheels In A Gravel Road" e Essence" -- mas antes pecar pelo exagero do que pelo racionamento de talento.

O importante é que Lucinda Williams não nega fogo em momento algum em "Down Where The Spirit Meets The Bone", e se afirma como uma artista inconformada com as regras do mercado musical respaldada por de um "cult following" grande o suficiente para aplaudir suas atitudes e dar sinal verde para que ela siga o rumo que achar melhor em sua carreira.

Pois foi isso que ela fez aqui.

"Down Where The Spirit Meets The Bone" não é só um triunfo artístico indiscutível.

É o álbum que a coloca definitivamente no mesmo patamar artístico de seus contemporâneos Bob Dylan, Neil Young, Joni Mitchell e John Hiatt.

Nada mal para uma garota rebelde da Louisiana.



WEBSITE OFICIAL
http://lucindawilliams.com/?fp=true

DISCOGRAFIA
http://www.allmusic.com/artist/lucinda-williams-mn0000837215/discography

AMOSTRAS GRÁTIS
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sexta-feira, outubro 31, 2014

BEN HARPER SURPREENDE E RETORNA AO ÚTERO MATERNO EM "CHILDHOOD HOME"


Ben Harper é um dos artistas mais ecléticos da cena musical anglo-americana.

Aos 44 anos de idade, já velho conhecido do público brasileiro, ele é um dos artistas mais intensos da cena musical americana e um compositor de talento raro, que a cada nova investida se revela ainda mais interessante.

Possui uma carreira extremamente sólida, tanto em termos artísticos quanto em vendagens, e pode se dar ao luxo de experimentar o que quiser que seu público endossa e prestigia.



Só isso pode explicar a virada radical que ele promoveu nesse "Childhood Home", um lindo disco country em parceria com ninguém menos que sua mãe, a cantora e musicista Ellen Harper.

Depois de trafegar pelo rock, pelo blues, e também pela soul music e por ritmos caribenhos, Ben decidiu resgatar a pureza country absoluta dos discos clássicos do saudoso cantor-compositor Gram Parsons nos delicados discos em dueto que gravou com Emmylou Harris entre 1972 e 1973, pouco antes de morrer.

E não é que Ben conseguiu? Sua voz casa perfeitamente com a de sua mãe, com quem alterna a primeira e a segunda voz em canções etéreas que irão surpreender até o purista country mais linha dura.

É um disco emocionante, atemporal, repleto de canções originais que, de tão familiares, parecem clássicos do gênero -- mas, surpreendentemente, não são.




Quem ainda hoje insiste em duvidar da grandeza artística de Ben Harper, precisa ouvir esse disco com urgência.

Tem que ser do primeiríssimo time para conseguir produzir algo dessa grandeza -- ainda mais depois de sua incursão vitoriosa pelo blues no disco que gravou com o gaitista Charlie Musselwhite no ano passado.

Guardadas as devidas proporções, Ben e Ellen Harper fazem com a country music o mesmo que João Gilberto faz com o samba.

Convenhamos: não é pouca coisa.
WEBSITE OFICIAL
http://www.benharper.com/

DISCOGRAFIA
http://www.allmusic.com/artist/ben-harper-mn0000792733/discography

AMOSTRAS GRÁTIS

sexta-feira, maio 20, 2011

TRÊS MULHERÕES: EMMYLOU HARRIS, LUCINDA WILLIAMS E RORY BLOCK (por Chico Marques)


Existe um bom motivo para que artistas tão diferentes quanto Robert Altman, Edward Albee e Woody Allen gostem de contrapor mulheres em números ímpares sempre que promovem investigações sobre o sexo feminino.

Todos aprenderam com Anton Chekhov que o universo feminino é rico e multifacetado demais para caber em números pares. E também complexo ou confuso demais para ser revelado por inteiro num simples contraponto entre duas mulheres.

Essa conversinha mole é só para introduzir três mulheres maduras, brigonas, e com carreiras musicais muito sólidas. Que, apesar de toda a bagagem que ostentam, não cansam de se reinventar de tempos em tempos, e insistem há várias décadas em se afirmar artisticamente num meio que demora muito até finalmente levá-las a sério.

Emmylou Harris, a primeira delas, oscila há mais de 40 anos entre sua alma country e seu coração rock and roll.

A segunda, Lucinda Williams, desafia classificações desde meados dos anos 1970, e faz uso de uma atitude roqueira para poder circular por vários fronts musicais.

Já Rory Block, a terceira, também veterana, é a evidência definitiva de uma mulher branca pode se afirmar como artista de blues -- certamente o universo musical mais misógino de toda a música americana.

Juntas elas revelam, cada uma à sua maneira, o que a música americana tem de melhor: suas raízes, sua pluralidade e sua originalidade -- olha aí, de novo o número três...


Emmylou Harris surgiu na cena musical pelas mãos de Gram Parsons, o lendário comandante da banda seminal de country-rock The Flying Burrito Brothers. Assim que ele embarcou em carreira solo em 1971 num projeto neotradicionalista muito ambicioso, montou uma banda country com músicos do primeiro time de Nashville, que previa uma cantora para eventuais uníssonos e duetos. Pois a cantora escolhida foi justamente Emmylou, com quem Parsons havia trabalhado nos últimos shows que fez com os Burritos. Nascida em Birmingham, Alabama, mas criada em Washington DC e Nova York, ela viu ali sua chance de brincar de June Carter e Patsy Cline. Não tinha nada a perder. Estava com 23 anos, um filho pequeno na bagagem e recém chegada de Nashville, deixando para trás um LP gravado (em 1968) mas nunca lançado e um casamento mal sucedido.

Com a morte prematura de Parsons em 1973 depois de 2 discos hoje considerados clássicos – “GP” e “Grievous Angel” --, Emmylou Harris herdou sua banda, seu projeto musical e seu repertório inédito, além de um contrato na mesma Warner Bros Records onde Parsons gravava. E então, ela estreou solo em “Angel In The Morning” (1975), desfilando sua voz cristalina e sem excessos num LP magnífico que fazia a ponte entre a herança musical de Nashville e o country rock da Costa Oeste. Em pouco tempo, Emmylou já fazia parte da nova elite de cantoras americanas, ao lado de suas amigas Linda Ronstadt e Bonnie Raitt. Os duetos vocais magníficos que fez ao lado de Bob Dylan no LP “Desire” e a gravação irresistível de “Evangeline”, com The Band, incluída no documentário“The Last Waltz” de Martin Scorsese, colaboraram ainda mais para ampliar ainda mais seu prestígio e, de quebra, seu público.


Ao longo dos anos 1980, no entanto, Emmylou viu sua carreira pouco a pouco perder o foco e seus LPs ficarem cada vez mais formulaicos e desinteressantes. Então, começou a ensaiar uma mudança radical. Aconselhada pelo amigo Neil Young, uniu forças a uma banda de rock and roll que a ajudou nessa virada, e, sob a tutela do produtor Daniel Lanois, renasceu musicalmente na Reprise Records em discos sombrios e estranhamente orgânicos como “Wrecking Ball” e “Spyboy”, onde ela se afirma também como uma compositora de mão cheia – algo inusitado para seus admiradores de longa data. Daí em diante, o interesse em seu trabalho ressurgiu de forma intensa, e ela renasceu artisticamente em performances ao vivo contundentes, sempre com roupas de couro sobre seu corpo esguio e ostentando os mesmos cabelos longos de sempre, só que agora totalmente brancos.


A Emmylou Harris que surge nesse novo Lp, “Hard Bargain”, é a soma de todas as personas musicais que ela criou ao longo de mais de 40 anos de carreira, resgatando o tom delicado e sereno de seu trabalho nos anos 70, mas também incorporando a atitude roqueira de seu trabalho recente. Todas as canções – todas ótimas -- são de sua autoria. A faixa de abertura, “The Road”, é uma homenagem a Gram Parsons e a tudo o que Emmylou aprendeu e vivenciou com ele. A sombria “My Name Is Emmett Till” é uma homenagem inusitada a um velho personagem de Bob Dylan. Já “Dear Kate” é uma ode a sua amiga Kate McGarrigle – mãe de Rufus Wainwright --, falecida ano passado depois de uma longa batalha contra um câncer. A única canção no disco que não é de autoria dela foi composta especialmente para ela. Trata-se da faixa título, uma balada pop lindíssima de Ron Sexsmith que funciona como uma espécie de retrospectiva de vida de uma mulher irriquieta e idealista, que nunca fechou para balanço ao longo de mais de 40 anos de carreira.. Emmylou Harris é – sempre foi -- uma artista notável, do tipo que prefere ousar e quebrar a cara vez ou outra do que optar pelo atoleiro confortável que muitos chamam de “maturidade artística”. Aliás, o título deste LP define impecavelmente a postura de vida e o “state of the art” dessa mulher admirável.


Lucinda Williams é quase tão veterana quanto Emmylou Harris, mas levou mais tempo para aparecer perante o grande público. Nascida em 1953 em Lake Charles, Louisiana, ela é filha de Miller Williams, professor de literatura e poeta de prestígio, com vários livros publicados e passagens por Universidades em todos os cantos dos Estados Unidos, além de Santiago, Chile, e Cidade do México. Lucinda herdou do pai a paixão por country music e blues, e também o espírito aventureiro e o diletantismo artístico que, de certa forma, colaboraram muito para que ela demorasse a achar um foco específico para seu trabalho como cantora e compositora. Perambulou anos e anos entre New Orleans, Austin, Los Angeles e Nova York como artista folk e só foi conseguir uma chance para gravar um LP através do selo Folkways no final dos anos 1970. Mesmo assim, o blend de blues, country e folk de seus trabalhos iniciais não serviu para abrir portas em nenhuma dessas cenas musicais bem distintas, e Lucinda passou a ser vista como uma artista inclassificável pela Indústria Fonográfica -- reconhecidamente avessa a tudo que não soasse como “Thriller”, de Michael Jackson, nos famigerados anos 1980.

Mas Lucinda insistiu, e lançou seu LP seguinte pelo selo inglês Rough Trade, que operava basicamente com bandas independentes, como The Smiths e outras. Com isso, conseguiu chamar a atenção de quem estava atento às novas manifestações musicais vindas do outro lado do Atlântico. E então, suas canções começaram a ser descobertas e gravadas por gente como Mary Chapin Carpenter, Linda Ronstadt e, claro, Emmylou Harris. Tudo isso abriu finalmente as portas de um selo americano, Elektra Records, onde Lucinda gravou o excelente “Sweet Old World” (1993), novamente mesclando diversos gêneros musicais. Mas, dessa vez, deu a sorte de emplacar um single nas paradas country: a irresistível “Passionate Kisses”.


Foi quando sua carreira finalmente começou a decolar. Seu trabalho seguinte, “Car Wheels On A Gravel Road”, resultado de um parto complicadíssimo envolvendo confusões com vários produtores – entre eles, Rick Rubin e Roy Bittan – e duas gravadoras em litígio, acabou vendo a luz do dia pela Mercury Records, e finalmente trouxe o reconhecimento do grande público ao trabalho de Lucinda Williams – que passou a ser vista como um Townes Van Zant ou um Steve Earle de saias, ou coisa que o valha.

De lá para cá, a carreira de Lucinda Williams sedimentou sem problemas. Apesar de continuar insistindo em desafiar classificações, ela foi muito bem recebida no selo Lost Highway, especializado em artistas country desalinhados do mainstream de Nashville. Passou a gravar de 2 em 2 anos, sempre alternando canções de amor e desespero com números de rock and roll fulminantes. Sua popularidade e seu prestígio não param de crescer desde então.


“Blessed”, seu trabalho mais recente, foi produzido por Don Was e conta com participações muito especiais de Elvis Costello e Matthew Sweet em várias faixas. Se por um lado traz uma sonoridade mais uniforme, por outro expande o alcance de Lucinda como cantora e compositora em números extremamente inusitados. Como ‘Soldier´s Song”, escrita sob o ponto de vista de uma combatente na Guerra do Iraque -- quase tão contundente quanto “Powderfinger” de Neil Young. Ou ainda “Seeing Black”, em que tenta mergulhar no calvário pessoal do amigo Vic Chesnutt, falecido no ano passado. Alem do mais, como resistir à doce melancolia de números como “Sweet Love”, “I Don´t Know How You´re Living” e “Kiss Like Your Kiss”? Aposto que nem Bob Dylan conseguira.

Lucinda Williams tem fama de perfeccionista, e não raro se desentende com os produtores de seus discos. Consta que dessa vez ela só aceitou o padrão sonoro mais uniforme proposto por Don Was para “Blessed” depois que sua gravadora autorizou que a primeira edição viesse acompanhada de um bonus disc com as demos originais das 12 canções, gravadas de forma descompromissada na cozinha de sua casa. Ouvir esses demos apenas com acompanhamento de um violão equivale a ser convidado a invadir sua intimidade, como se estivéssemos revendo um filme através de seus storyboards. Bobagem discutir com Lucinda Williams. A moça sabe muito bem o que faz, e onde quer chegar.



Outra que sempre soube o que faz e onde queria chegar é Aurora “Rory” Block, novaiorquina de Greenwich Village nascida em 1949 que começou a tocar guitarra aos 10 anos de idade incentivada pelos pais -- que sempre a levavam para ver todo tipo de música que o bairro abriga tradicionalmente desde sempre. Seu pai era dono de uma sapataria e violinista de uma banda folk chamada Elektra String Band Project, da qual Rory fez parte, e com a qual gravou um disco aos 12 anos. Teve aulas com Reverend Gary Davis e outros bluesmen que viviam em Nova York nos anos 1960, e aos 15 anos, emancipada pelos pais, caiu na estrada para conhecer a música do sul dos Estados Unidos in loco. Foi quando cruzou o caminho de Skip James e Mississipi John Hurt, suas duas maiores influências musicais na juventude. O caso é que, depois de gravar seu disco solo de estréia -- aos 16 anos -- na Chrysalis Records, em Berkeley, Califórnia, Rory nunca mais sossegou em sua busca pelas raízes americanas. Curiosamente, só foi descoberta pelo grande público – da noite para o dia, a velha piada pronta de sempre – no início dos anos 1990, quando já tinha 10 Lps gravados e 20 anos de carreira nas costas.

Se engana quem pensa que, por tocar blues acústico, Rory Block é uma neo-tradicionalista do gênero. Não é bem assim. Rory segue tradições musicais mais por prazer do que por obrigação. De blueswoman xiita ela não tem absolutamente nada. Seus LPs recentes refletem bem isso. Apesar de “The Lady & Mr. Johnson”, seu songbook de Robert Johnson gravado em 2006, ser extremamente reverente ao approach musical original das gravações de Johnson, o mesmo não pde ser dito de “Blues Walkin´ Down Like A Man”, seu tributo a Son House de 2008, e do recém-lançado “Shake ‘Em On Down”, todo dedicado a Mississipi Fred McDowell. Na medida em que conviveu bastante com os dois em seus anos finais, Rory sentiu-se à vontade para brincar com seus repertórios e reinventá-los à sua maneira, sem a reverência que demonstrou quando abordou o repertório de Robert Johnson.


Em “Shake ‘Em On Down”, Rory introduz o songbook de Mississipi Fred McDowell com duas canções próprias onde conta histórias que viveu ao lado dele, chamadas “Steady Freddie” e “Mississipi Man”. Foge de números batidos como “You Gotta Move” e “I Do Not Play No Rock And Roll” e privilegia canções menos conhecidas de seu repertório, como “The Breadline” e “What´s The Matter Now”. Impossivel não se emocionar com o desconcertamente coral afro que Rory introduz em “Ancestral Home” e também na faixa título. E o que dizer das novas roupagens que ela deu para clássicos como “Kokomo Blues” e “Write Me A Few Of Your Lines”?

Além de tudo isso, tem as revisões que ela fez em “Good Morning Little Schoolgirl” e “The Girl I'm Lovin'”, eliminando das letras insinuações de pedofilia ao trocar girl por boy, para assim amenizar o alto teor sexual das versões originais, compostas numa época em que não havia nada de errado em um homem maduro e bem estabelecido na vida se encantar por jovens estudantes uniformizadas. Ora, quem nunca flertou com esse fetiche clássico, que atire a primeira pedra.

A intenção de Rory com essa intervenção foi nobre: poupar a memória de seu mentor musical de controvérsias inúteis, conduzindo as alterações nas letras originais das canções de forma carinhosa e criativa, para com isso garantir que a obra de Mississipi Fred McDowell perdure com as novas gerações e possa ser cantada por mulheres sem constrangimentos. Vale a pena conhecer essa homenagem ao legado musical desse um bluesman gigantesco, e o esforço impressionante de Rory Block em reinventá-lo para deixá-lo mais vivo de que nunca.

E tenham a certeza que essa sua grandeza de espírito se aplica igualmente a suas companheiras de geração Emmylou Harris e Lucinda Williams.

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EMMYLOU HARRIS
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS
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LUCINDA WILLIAMS
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS
http://altoeclaro.blogspot.com/2011/05/senhoras-e-senhores-lucinda-williams.html

RORY BLOCK
DISCOGRAFIA, FOTOS E ENTREVISTAS

http://altoeclaro.blogspot.com/2011/05/senhoras-e-senhores-rory-block.html

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HIGHLIGHTS
EMMYLOU HARRIS - "Hard Bargain"







HIGHLIGHTS

LUCINDA WILLIAMS - "Blessed"







HIGHLIGHTS

RORY BLOCK - "Shake ‘Em On Down"




quinta-feira, maio 19, 2011

SENHORAS E SENHORES... EMMYLOU HARRIS


“Demorei muito até me sentir segura como compositora. Algumas dessas canções que estou gravando agora foram compostas 20, 25 anos atrás, e depois abandonadas. É engraçado resgatar canções que pareciam perdidas para sempre.”


“Ao contrário da maioria das mulheres que eu conheço, não consigo fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo. Talvez por isso tenha demorado tanto a me afirmar como compositora. Não consigo compor quando estou em tournée, ou fazendo alguma outra coisa. Preciso parar tudo e dizer: Pronto, agora é hora de compor.”


“Muitas canções que eu cantava nos anos 1970 eu não consigo cantar mais, pois deixaram de fazer sentido. Não combinam mais comigo a essa altura da vida. Mas outras, como Pancho & Lefty de Townes Van Zandt, ou Evangeline de Robbie Robertson, ou ainda as canções de Gram Parsons... essas eu pretendo continuar cantando até sair de cena.”


“Me sinto muito orgulhosa de ter ajudado a revelar novos talentos como Gilliam Welch e Patti Griffin, gravando as canções delas antes de qualquer outra artista, e as chamando para abrir meus shows. É uma via de mão dupla, faz bem a ambas as partes envolvidas. Para mim, é sempre um prazer e um privilégio conviver com gente talentosa.”


“Eu me sinto muito bem por estar viva, gravando discos e na estrada há mais de 40 anos. Vi muitos amigos se perderem nessa estrada. Não me sinto uma sobrevivente. Sou é muito teimosa. Aprendi desde cedo a me precaver contra as doenças da estrada. Não dou sopa para o azar.”



LPS EMMYLOU HARRIS
Gliding Bird (1968)
Pieces Of The Sky (1975)
Elite Hotel (1976)
Luxury Liner (1977)
Quarter Moon In A Ten Cent Town (1978)
Blue Kentucky Girl (1979)
Light Of The Stable (1979)
Roses In The Snow (1980)
Evangeline (1981)
Last Date (1982)
White Shoes (1983)
The Ballad Of Sally Rose (1985)
Thirteen (1986)
Angel Band (1987)
Trio (with Linda Ronstadt & Dolly Parton 1987)
Bluebird (1989)
Brand New Dance (1990)
At The Ryman (1992)
Cowgirl´s Prayer (1993)
Wrecking Ball (1995)
Trio II (with Linda Ronstadt & Dolly Parton 1996)
Spyboy (1998)
Western Wall (with Linda Ronstadt 1999)
Red Dirt Girl (2000)
Stumble Into Grace (2003)
All The Roadrunnin´ (with Mark Knopfler 2006)http://www.blogger.com/img/blank.gif
Real Live Roadrunnin´ (with Mark Knopfler 2006)
All I Intended To Be (2008)
Hard Bargain (2011)

WEBSITE OFICIAL
http://www.emmylouharris.com/