terça-feira, dezembro 05, 2017

ENCAIXOTANDO FINALMENTE OS LENDÁRIOS BBC TAPES DOS ROLLING STONES

por Chico Marques


Existia nos Anos 60 uma "lei não escrita" no Reino Unido que obrigava as emissoras de rádio de toda a Grã-Bretanha a produzir e fazer broadcasts de apresentações ao vivo de artistas ingleses ou não. É que os Sindicatos pressionavam a BBC para que suas emissoras de rádio não tocassem simplesmente discos industriais, e produzissem gravações de estúdio prestigiando os músicos, que recebiam um cachê padrão por essas apresentações e tinham que ceder a propriedade desses tapes para a emissora estatal que os gravou -- no caso, a BBC.

O que se percebe ao ouvir o legado de toda uma geração de artistas nessas apresentações ao vivo é que dificilmente algum músico inglês tocou de má vontade nesses programas, até porque estar na BBC -- Rádio ou TV -- era sempre motivo de muito orgulho para qualquer artista britânico.

(Se bem que, de acordo com o amigo pesquisador e produtor musical Rene Ferri, Chuck Berry -- que nunca primou pela simpatia -- tocou com extrema má vontade certa vez num programa da BBC por conta de um cachê que exigiu que fosse pago adiantado, gerando um contratempo, pois era fim de semana e o caixa da BBC estava fechado. Alguns funcionários correram e fizeram uma vaquinha para conseguir pagar o cachê de Berry, o que atrasou a gravação por uma hora. Mesmo assim, assim que recebeu o cachê pedido para tocar 60 minutos seguidos, Berry tocou com os olhos grudados num relógio na parede do estúdio, e assim que completou os 60 minutos combinados ele simplesmente desplugou sua guitarra no meio de uma música e foi embora.)

Consta que essa "lei não escrita" foi "revogada" no inicio dos Anos 70, quando os programas de TV da BBC como o "Old Grey Whistle Test" passaram a ser muito visados pelos artistas, que passaram a se apresentar de graça em troca de promoção e prestígio. Mesmo assim, DJs como John Peel trataram de manter viva e ativa a velha tradição dos radio broadcasts ao vivo nas emissoras inglesas, só que agora focalizando prioritariamente jovens artistas ingleses e até artistas americanos que eventualmente estivessem de passagem pela Inglaterra.

 Por conta disso, todos os grupos que fizeram parte da British Invasion lanççaram nos últimos 20 ou 30 anos seus BBC Tapes em disco. Alguns vieram em edições extensas e muito luxuosas. Outros, em edições compactas. Mas estava faltando dar a luz de sua graça uma caixinha reunindo os BBC Tapes de um determinado grupo que permanece na ativa há mais de 50 anos.


Pois agora não falta mais. Acaba de chegar às lojas "The Rolling Stones On Air", com dois cds que abrigam praticamente todas as gravações dos Rolling Stones para a BBC realizadas entre 1963 e 1966 para programas como Saturday Club, Top Gear, Rhythm & Blues e The Joe Loss Pop Show. Que, diga-se de passagem, só pararam de acontecer com frequência porque em 1967 eles foram banidos da BBC após Mick Jagger e Keith Richards serem presos por porte de drogas. 

Todas as 32 faixas de "On Air" foram submetidas a um processo novo de rematrização intitulado Audio Source Separation, que consegue restaurar gravações realizadas originalmente sem maiores cuidados técnicos com resultados simplesmente espetaculares. Só ouvindo e comparando com edições piratas dos tapes da BBC que existem no mercado para sentir a enorme diferença na definição de audio.

Mais da metade do repertório de "On Air" é composto por covers, já que os Stones só foram começar a gravar suas composições a partir de 1965, em LPs como "Out Of Our Heads" e "Aftermath". Assim, preparem-se para versões deliciosas para "It's All Over Now" de Bobby Womack, "Fannie Mae" de Buster Brown", e "I Wanna Be Your Man" de Lennon & McCartney, além de vários números de Chuck Berry como "Memphis Tennessee" e "Beautiful Delilah". É uma seleção de covers simplesmente deliciosa.   

Mas o que "On Air" tem de mais curioso é que finalmente podemos ouvir com nitidez os Stones tocando ao vivo neste período, já que o único registro ao vivo que existia até então era o irritante "Got Live If You Want It", mixado com aquela gritaria intermitente que praticamente impedia que ouvíssemos a banda tocando com clareza.

Agora é tudo diferente. Finalmente podemos sentir a bateria de Charlie Watts e as linhas de contrabaixo de Bill Wyman, as intervenções sempre brilhantes de Brian Jones na guitarra e na harmônica e a base segura proporcionada por Keith Richards. Quanto a Mick Jagger, sua voz está sensacional. Jovial e Soulful até não dar mais.

O belo booklet que acompanha a edição traz informações detalhadas (algumas bastante preciosas) sobre cada sessão de gravação -- um trabalho tão primoroso quando o recebido anos atrás pelos Beatles e pelos Kinks ao lançarem suas BBC Tapes.  

 Francamente, não consigo imaginar melhor presente de Natal a um fã dos Stones do que "On Air".

Mas, antes de presentar, cheque se a pessoa que você vai presentear não correu para comprar essa pequena maravilha assim que saiu.

PS: Logo abaixo, uma foto dos Stones remanescentes na festa em que anunciaram o lançamento de "On Air".



AMOSTRAS GRÁTIS







terça-feira, outubro 24, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA TERÇA FOI UM DOS MAIORES EXPOENTES DO CHICAGO BLUES


 O ANIVERSARIANTE DO DIA DE HOJE
FOI UMA DAS MAIORES EXPRESSÕES
DO CHICAGO BLUES
NOS ANOS 1970, 1980 E 1990,
DEIXANDO UM LEGADO MUSICAL
QUE AINDA ESTÁ SENDO
DEVIDAMENTE AVALIADO.

ESSA APRESENTAÇÃO FANTÁSTICA
GRAVADA EM 1993
NUM FESTIVAL DE JAZZ NA MACEDÔNIA
É A PROVA DISSO.

ENJOY...





NOSSA ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA É UMA DAS CANTORAS MAIS VIBRANTES DA CENA JAZZÍSTICA ATUAL

SAUDAMOS OS 61 ANOS DE IDADE
DA MAGNÍFICA CANTORA DE JAZZ
DIANNE REEVES
TRAZENDO ATÉ VOCÊS UMA APRESENTAÇÃO
GRAVADA NA FRANÇA NO MÊS PASSADO.

ENJOY...






domingo, outubro 22, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE DOMINGO SAIU DE CENA MUITO JOVEM, MAS SOUBE BRILHAR NO POUCO TEMPO QUE TEVE PARA ISTO.



SAUDAMOS OS 75 ANOS DE NASCIMENTO
DO GRANDE E SUBESTIMADO
ROCK AND ROLLER BOBBY FULLER
RESGATANDO UM DOCUMENTÁRIO INVESTIGATIVO
QUE TENTA LANÇAR ALGUMA LUZ
SOBRE SUA MORTE ESTRANHÍSSIMA EM 1966.

ENJOY...





sábado, outubro 21, 2017

CELEBRAMOS HOJE O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO TRUMPETISTA MAIS BOCHECHUDO DE TODOS OS TEMPOS


SAUDAMOS O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO
DO FABULOSO TRUMPETISTA DIZZY GILLESPIE
RESGATANDO TRÊS REGISTROS EM VÍDEO
SIMPLESMENTE SENSACIONAIS.

O PRIMEIRO FOI GRAVADO NA BÉLGICA
EM 1958 COM O FABULOSO SONNY STITT.

O SEGUNDO FOI GRAVADO NA DINAMARCA
EM 1971 COM THELONIOUS MONK
E NOVAMENTE SONNY STITT. 

E O TERCEIRO É UM DOCUMENTÁRIO
INTITULADO "DIZZY EN CUBA",
QUE MOSTRA DIZZY DE VOLTA À ILHA
QUARENTA ANOS DEPOIS DE LEVAR
PARA A AMÉRICA E PARA A EUROPA
SUAS AVENTURAS MUSICAIS
COM O JAZZ LATINO.

ENJOY...







NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEXTA PARTIU HÁ MENOS DE UM MÊS E DEIXOU MUITA SAUDADE


SAUDAMOS O ANIVERSÁRIO DE TOM PETTY
RESGATANDO SUA PASSAGEM EM 1999
COM OS HEARTBREAKERS
PELO EXCELENTE PROGRAMA DA VH1
STORYTELLERS
EM 2005 PELO PROGRAMA
SOUNDSTAGE.

ENJOY...







sexta-feira, outubro 13, 2017

PACOTEIRA MUSICAL DE VETERANOS DA CENA BRITÂNICA: MARIANNE FAITHFULL, ROBERT PLANT, RICHARD THOMPSON, VAN MORRISON & LIAM GALLAGHER

por Chico Marques


Tudo bem, não se faz mais Invasões Britânicas como antigamente.

Mas das últimas Invasões Britânicas que rolaram -- a dos Beatles e dos Rolling Stones (e dos Kinks, dos Animals e do Them) em meados dos anos 1960, e a do pessoal do BritPop em meados dos anos 1990 -- muitos grandes artistas permanecem ativos e muito atuantes na cena musical.

Nossos cinco escolhidos para compor a pacoteira musical de hoje são sobreviventes dessas duas invasões.

Da Invasão mais recente, dos Anos 90, temos o desaforado e irascível Mr. Liam Gallagher, ex-frontman do grupo Oasis, vindo de Manchester.

Já da Invasão dos Anos 60, temos a melancólica Ms. Marianne Faithfull e o multicultural Mr. Richard Thompson (ambos de Londres), além do sempre inquieto Mr. Robert Plant (de Birmingham) e de São Van Morrison (de Belfast, Irlanda).

São todos grandes ícones de vários fronts musicais, com históricos de carreira bem distintos, que estão com discos novos muito festejados pela imprensa e pelo público.

Merecidamente.

Vamos a eles:


ROBERT PLANT
CARRY FIRE
(Nonesuch)

No início dos Anos 80, quando o Led Zeppelin implodiu após a morte de John Bonham e Robert Plant deu o pontapé inicial em sua carreira solo mergulhando de cabeça no MOR no disco Pictures At Eleven, o comentário geral foi: okay, funciona, lembra o Zep, mas falta Jimmy Page. Incomodado com isso, Mr. Plant foi pouco a pouco distanciando sua carreira solo dos ecos do Led Zeppelin, morrendo de medo de virar um daqueles artistas que vivem em função de um passado glorioso. Mas, depois de 5 discos solo bem sucedidos, sentiu que tinha uma situação bem sedimentada e que não corria mais esse risco, daí topou voltar a trabalhar com Mr. Page em dois discos bem distintos: o acústico e revisionista Unledded (1996) e o elétrico e vigoroso Walking Into Clarksdale (1998). O comentário geral foi: okay, funciona, lembra o Zep, mas falta John Paul JonesDe saco cheio do saudosismo dos fãs do Led Zep, Mr. Plant decidiu da virada do século para cá procurar por suas raízes musicais dos dois lados do Atlântico, mergulhando em investigações musicais ao lado da violinista Alison Krauss, depois com a cantora e compositora Shaun Colvin (com quem manteve um romance por cinco anos), e ainda reagrupando a Band Of Joy, banda folk-psicodélica da qual fazia parte antes de ingressar no Led Zeppelin. Cinco anos atrás, promover mais uma virada em sua carreira: voltou para a Inglaterra e montou uma banda espetacular, The Sensational Space Shifters, com quem já gravou 3 LPs. O mais recente, Carry Firecombina rock e folk com música árabe e música eletrônica, e consegue a proeza de fazer com que todas essas vertentes musicais dialoguem ignorando fronteiras musicais, e mostrando que elas não passam de fronteiras mercadológicas. Ao contrário de Lullaby & The Ceaseless Choir (2014), que foi produzido magistralmente por T-Bone Burnett, dessa vez Mr. Plant teve que se auto-produzir, pois a agenda de Mr. Burnett estava cheia. Daí, procurou seguir fielmente as lições que aprendeu com ele no disco anterior, e fez de Carry Fire uma sequência natural dele. Não há highlights a ser destacados, pois o disco é de uma coesão impecável e todos os elementos estão perfeitamente alinhavados. Mesmo assim, vou destacar o único cover do disco: uma releitura eletrônica quase inacreditável da clássica balada rockabilly Bluebirds Over The Mountain, que esbanja uma organicidade musical ímpar, que é a cara de Mr. Plant: moderna e etérea, tudo ao mesmo tempo. Carry Fire é um belo disco, que deve agradar tanto aos velhos fãs do Zep quanto aos que vibraram com Lullaby & The Ceaseless Choir três anos atrás e queriam mais. Pois bem... aqui está!






VAN MORRISON
ROLL WITH THE PUNCHES
(Caroline)

De tempos em tempos, um negão que vive meio adormecido na alma de Van Morrison acorda e dá a luz de sua graça, obrigando-o a interromper sua sequência tranquila e confortável de discos inspirados nas sonoridades da Irlanda para mergulhar de cabeça nas águas rápidas e lamacentas do Rio Mississippi. É mais ou menos isso que rola aqui em Roll With The Punches, um disco ligeiro, coeso e com uma urgência que havia desaparecido da obra de Mr. Morrison há muitos anos. Dizem que o que motivou esse mergulho no blues foi a aproximação dele de um de seus heróis musicais: o grande cantor inglês Chris Farlowe, um pouco mais velho que ele. De três anos para cá, para surpresa geral, os dois ficaram inseparáveis e não desgrudaram mais. Já que o blues e o rhythm & blues são idiomas musicais que ambos dominam à perfeição, foi por aí que eles decidiram seguir sintonizados musicalmente. Temos aqui apenas cinco originais de Mr. Morrison contra dez covers sensacionais de clássicos como Ride On Josephine e I Can Tell, de Bo Diddley, Going To Chicago de Count Basie e Mean Old World de T-Bone Walker. Quem quiser se esbaldar com um disco que é tão certeiro quanto um murro no queixo, é só vir por aqui. Acredite: Roll With The Punches faz juz ao seu nome.





LIAM GALLAGHER
AS YOU WERE
(Warner Bros)

Eu sempre tive uma séria desconfiança quanto a esse embate constante e interminável entre os irmãos Liam e Noel Gallagher. Nunca entendi como eles conseguiam manter uma postura profissional inabalável nos palcos se odiando tão intensamente. Pior: como conseguiram manter o Oasis em pé por 18 anos seguidos vivendo às turras dia após dia. Tem alguma coisa que sempre me pareceu errada nessa equação. Posso estar errado, mas acho que as brigas constantes entre os dois irmãos sempre foram, na verdade, uma estratégia de marketing muito bem arquitetada para manter a banda sempre presente no noticiário de publicações musicais semanais fofoqueiras como o New Musical Express. Desde que o Oasis acabou, os dois deram sequência a suas carreiras formando novas bandas: The High Flying Brds (de Noel) e Beady Eye (de Liam, com todos os integrantes da formação final do Oasis, menos Noel). As farpas de sempre continuaram sendo disparadas de ambois os lados, e os fãs do Oasis, que andavam saudosos dos barracos e da lavagem de roupa suja entre os dois irmãos, seguiram prestigiando suas novas aventuras -- musicalmente muito semelhantes ao que eles produziam quando gravavam juntos. Agora, estranhamente, Mr. Liam Gallagher resolveu chutar o balde e arriscar uma ruptura com o legado do Oasis nesse seu primeiro álbum solo. As doze faixas de As You Were são surpreendentes, ampliando o espectro musical de Mr. Liam Gallagher para muito além do britpop e o situando muito bem em números de blues, rhythm & blues e outros gêneros musicais onde o repertório do Oasis jamais esteve. Ecos de John Lennon, Marc Bolan e Ian Hunter permeiam o disco do início ao fim, revelando que aquela fúria sonora e as sonoridades ásperas que haviam nos shows (não nos discos) do Oasis estavam lá por iniciativa dele, Liam Gallagher. Por mais que ele diga na entrevistas que vem concedendo para promover As You Were que não se sente confortável numa carreira solo e que gosta mesmo é de fazer parte de bandas, eu, francamente, duvido. Para mim é conversa mole. A estréia solo de Mr. Liam Gallagher é simplesmente ótima. Para alguns críticos, é excelente. Suas composições são tão qualificadas quanto as de seu irmão, revelando-se mais ásperas, menos melódicas e mais contundentes que as de seu irmão. O disco todo é extremamente envolvente, e muito bem produzido. Só Mr. Liam Gallagher acha que "talvez não". Continua um belo encrenqueiro depois de todos esses anos...





MARIANNE FAITHFULL
NO EXIT
(Verycords/Ear Music)

Setenta anos de idade. Cinquenta e três anos de carreira. Quem diria que aquela menina linda e melancólica que emplacou em 1964 um hit mundial com As Tears Go By -- canção que ganhou de presente de seu namorado Mick Jagger e de Keith Richards --, iria desenvolver uma carreira tão singular e superlativa. Ms. Faithfull conseguiu impor através de sua voz frágil e docemente ríspida um padrão novo e original que, de tão pessoal, poucas cantoras ousaram tentar seguir na época. Mas se atrapalhou com o fim de seu casamento com Jagger no início dos Anos 70, com suas investidas meio desastradas como atriz e, last but not least, com a dependência de heroína e constantes tentativas de suicídio. Demorou para perceber que nada daquilo tudo apontava para lugar algum. Passou a primeira metade dos anos 1970 num limbo artístico muito cruel, e só conseguiu achar foco para seu carreira ao se reinventar por completo, já em plena era punk, com o LP Broken English. Daí em diante, encontrou um público fidelíssimo, que nunca mais iria abandoná-la. Mergulhou de cabeça no repertório de Kurt Weill em 20th Century Blues, e gravou vários LPs alternando canções próprias com outras de seus amigos Tom Waits e Nick Cave. Em No Exit ela passa sua carreira a limpo numa apresentação ao vivo impecável, e mostra que sua voz, bastante combalida com os excessos dos anos selvagens, ainda consegue passear por seu velho repertório com sua integridade musical intacta. Uma artista carismática, intensa e absolutamente verdadeira.




RICHARD THOMPSON
ACOUSTIC CLASSICS II
(Beeswing)

Richard Thompson é um artista que dispensa apresentações em qualquer canto do mundo -- menos aqui no Brasil, onde nunca teve um
disco lançado. Membro fundador do seminal grupo de folk-rock britânico Fairport Convention, Mr. Thompson desenvolve há 46 anos um trabalho que desafia convenções e rótulos, mesclando em sua guitarra toques de jazz e de música erudita com influências de rock, blues, folk e música oriental. Nunca deixou de ser um cult artist, até porque nunca aceitou se adequar aos requisitos do mercado. Bem que tentaram promovê-lo perante um público mais amplo no final dos Anos 80, mas não funcionou direito. Mr. Thompson já tinha um público cativo extenso àquela essa altura do campeonato. Na medida em que sua integridade artística e sua liberdade criativa sempre foram fatores inegociáveis, e ele estava satisfeito com o que havia conquistado até então, não fazia o menor sentido abrir mão disso. Graças a essa teimosia, Mr. Thompson produziu alguns dos discos mais festejados pela crítica nos últimos 46 anos, como I Want To See The Bright Lights Tonight (1974) e Shoot Out The Lights (1982), ambos com sua ex-mulher Linda Thompson –, ou os trabalhos solo Hand Of Kindness (1983), Across A Crowded Room (1985) e Daring Adventures (1986), todos dignos de figurar em qualquer antologia de melhores LPs desse período. Nos últimos dois anos, Mr. Thompson decidiu se dedicar a desenvolver releituras acústicas de seu extenso repertório, e já está no segundo volume da série. Tudo indica que isso é apenas o começo, e que vem mais por aí. Os dois primeiros LPs da série Acoustic Classics lançados até agora servem tanto como uma curiosidade para os fãs de longa data quanto como uma introdução ao universo musical desse artista gigantesco, ainda que absolutamente desalinhado.




CHICO MARQUES
é comentarista,
produtor musical
e radialista
há mais de 30 anos,
e edita a revista cultural
LEVA UM CASAQUINHO
e o blog musical
ALTO & CLARO