sexta-feira, maio 26, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE SEXTA É SIMPLESMENTE O MAIOR JAZZMAN DE TODOS OS TEMPOS NO PLANETA TERRA


CELEBRAMOS O ANIVERSÁRIO
DO MAIOR ARTISTA DE JAZZ
EM TODOS OS TEMPOS
RESGATANDO PERFORMANCES AO VIVO
DE CINCO MOMENTOS BEM DISTINTOS
DE SUA LONGA CARREIRA
GRAVADOS ENTRE 1964 E 1991

ENJOY...










quinta-feira, maio 25, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA QUINTA É SIMPLESMENTE O ARTISTA POP MAIS INFLUENTE DA BOA A VELHA INGLATERRA NOS ÚLTIMOS 35 ANOS


PAUL WELLER NUNCA ESCONDEU DE NINGUÉM
QUE NUNCA QUIS SER APENAS MAIS UM
NA CENA MUSICAL ANGLO-AMERICANA.

EM SEU TRABALHO À FRENTE DE GRUPOS
COMO THE JAM E STYLE COUNCIL,
E TAMBÉM AO LONGO DE SUA FÉRTIL
E MULTIFACETADA CARREIRA SOLO,
WELLER FOI O PRINCIPAL RESPONSÁVEL
PELA POPULARIZAÇÃO DE GÊNEROS
COMO O NEW-BOSSA E O BRITPOP,
MAS CURIOSAMENTE NEM SEMPRE CONSEGUIU
CONTABILIZAR ESSAS CONQUISTAS A SEU FAVOR
POR SE NEGAR A FAZER CONCESSÕES
AO MERCADÃO MUSICAL
QUE DESFIGURASSEM SEU TRABALHO.

NO ANIVERSÁRIO DE 59 ANOS
DE MR. PAUL WELLER,
TRAZEMOS TRÊS PERFORMANCES PARA VOCÊS:

A PRIMEIRA É UM POCKET SHOW DE 30 MINUTOS
PARA A RÁDIO KEXP DE SEATTLE. 

E A SEGUNDA E A TERCEIRA
SÃO PERFORMANCES AO VIVO
PARA PROGRAMAS ESPECIAIS DA BBC-TV.

ENJOY...








NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA É TIDO POR MUITOS COMO UMA VERSÃO ROQUEIRA DE NOEL COWARD


MORRISSEY COMPLETA 58 ANOS
NUM MOMENTO PECULIAR DE SUA CARREIRA.

DIZ ELE ESTAR APOSENTADO,
MAS POUCOS ACREDITAM QUE ISSO
SEJA REALMENTE PARA VALER.

ENQUANTO ELE NÃO DEFINE
O QUE SERÃO OS PRÓXIMOS ANOS
DE SUA CARREIRA,
NÓS AQUI CELEBRAMOS
REVENDO O BELÍSSIMO SHOW
QUE ELE REALIZOU NO FESTIVAL
DE VIÑA DEL MAR EM 2012.

ENJOY...









NOSSA ANIVERSARIANTE DESTA TERÇA FOI UMA DAS MAIORES DAMAS DA CANÇÃO NA AMERICA EM TODOS OS TEMPOS


NOSSA ANIVERSARIANTE DE HOJE
É A GRANDE DAMA DA CANÇÃO
QUE BRILHOU AO LADO DE
BING CROSBY E FRANK SINATRA
NOS ANOS 50 E 60

CELEBRAMOS O ANIVERSÁRIO
DE NASCIMENTO DA TIA
DE GEORGE CLOONEY
COM UM CONCERTO COMEMORATIVO
DE 50 ANOS DE CARREIRA
GRAVADO PARA A TV EM 1995

ENJOY...










quarta-feira, maio 24, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DE HOJE É O ÚNICO ARTISTA DE ROCK AND ROLL A GANHAR O PRÊMIO NOBEL


NOSSO ANIVERSARIANTE DE HOJE
CHEGA INTACTO AOS 76 ANOS
DEPOIS DE SOBREVIVER A UMA
POLÊMICA MUITO DESGASTANTE
POR CONTA DA DECISÃO
DA ACADEMIA SUECA
EM DAR A ELE O PRÊMIO NOBEL
DA LITERATURA DE 2016

CELEBRAMOS O ANIVERSÁRIO
DE BOB DYLAN, OU ZIMMIE WILBURY,
TRAZENDO A ÍNTEGRA DE UM SHOW
GRAVADO EM TOKYO NO ANO PASSADO.

ENJOY...











segunda-feira, maio 22, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE DE DOMINGO É O GUITARRISTA MAIS FINO E VERSÁTIL DE CHICAGO NA ATUALIDADE


ALTOeCLARO CELEBRA
O ANIVERSÁRIO DE 53 ANOS
DESSE GRANDE GUITARRISTA
DE JAZZ E BLUES DE CHICAGO
RESGATANDO UMA JAM SESSION
COM SUA BANDA EM 2010
E UMA PERFORMANCE AO VIVO
NO ARMAGH BLUES FESTIVAL
NA IRLANDA DO NORTE
EM 2014.

ENJOY...











sábado, maio 20, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE SÁBADO É SIMPLESMENTE O MAIOR SOULMAN INGLÊS DE TODOS OS TEMPOS


CELEBRAMOS O ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO
DESTE CANTOR BRANCO DE ALMA NEGRA
TRAZENDO DOIS CONCERTOS MUITO ESPECIAIS
QUE MARCARAM SUA CARREIRA.

O PRIMEIRO
FOI GRAVADO EM 1980
PARA O PROGRAMA DA TV ALEMÃ
ROCKPALAST.

E O SEGUNDO
É A ÓTIMA PERFORMANCE
QUE MR. COCKER FEZ
NO ANIVERSÁRIO DE 25 ANOS
DO LENDÁRIO WOODSTOCK FESTIVAL

ENJOY...
  










NOSSO ANIVERSARIANTE DESSA SEXTA É O MAIOR CANTOR-COMPOSITOR DE ROCK QUE A BOA E VELHA INGLATERRA JÁ PRODUZIU.


NOSSO AMIGO NARIGUDO ESTÁ COMPLETANDO
NADA MENOS QUE SETENTA E DOIS ANOS
EM PLENA FORMA
E NA ESTRADA COM THE WHO.

NÓS AQUI CELEBRAMOS A DATA
RESGATANDO DOIS SHOWS
SIMPLESMENTE ESPETACULARES.

O PRIMEIRO DELES É DE PETE TOWNSHEND
SOLO NA ACADEMY OF MUSIC
NO BROOKLYN, NY, EM 1993.

E O SEGUNDO É O ANTOLÓGICO
CONCERTO DO THE WHO
NO ROYAL ALBERT HALL
COM UMA PENCA DE CONVIDADOS
EM 2000.

ENJOY...










PACOTEIRA MUSICAL DE FIM DE SEMANA: SHERYL CROW, SARAH PARTRIDGE, JULIANA HATFIELD, RUTHIE FOSTER, LINDA GAIL LEWIS

por Chico Marques


Há muitos e muitos anos, a mulherada na cena musical reclama que, mesmo após tantas crises sequenciais, o comando das gravadoras permanece nas mãos de altos executivos do sexo masculino -- e que, consequentemente, a Indústria Fonográfica continua sendo um feudo machista.

Deixam a impressão de que existe nas gravadoras uma espécie de reserva de mercado para artistas do sexo masculino, em detrimento a artistas do sexo feminino, o que obviamente está longe de ser verdade.

Basta uma contabilizada rápida no volume mensal de lançamentos musicais que a Indústria coloca no mercado para perceber que isso é uma tolice. Se por um lado os homens dominam o segmento hip-hop, por outro as mulheres dominam o segmento rhythm & blues-soul. Se por um lado os homens são maioria esmagadora nas cenas jazz e blues, por outro as mulheres dominam a cena pop. E se tem mais homens na composição das bandas rock-pop, existe um número muito superior de mulheres listadas como artistas solo nos mais diversos segmentos musicais populares.

Francamente, duvido que esse cenário mude caso uma executiva chegue ao comando de algumas das majors da Indústria Fonográfica que ainda restaram -- até porque se esses artistas estão no mercado, é unicamente porque existe interesse do público neles.

Foi-se o tempo em que a relação da Indústria Fonográfica era vertical. Hoje, ela é mais horizontal do que jamais foi em sua história. Até porque ninguém tem mais milhões disponíveis para investir maciçamente na esperança de que daqui a três ou quatro discos ele seja sucesso mundial. Os parâmetros mudaram. O negócio encolheu, e as expectativas não são mais as mesmas dos Anos 80 e 90. Tudo ficou muito mais democrático e com a noção exata de onde fica o chão. 

As cinco artistas que escolhemos para comentar hoje vem de backgrounds musicais diversos, mas possuem algo em comum: não são novatas na cena musical, sabem conviver bem com as demandas de seus públicos e gravam para selos que as mantém em seus elencos porque botam fé tanto no taco delas quanto no interesse que elas despertam em seus públicos cativos.

E não existe moeda corrente mais valiosa hoje em dia na Indústria Musical do que público cativo, portanto... vamos a elas:

SHERYL CROW
Be Myself
(Warner Bros US)

Todo mundo lembra do estilo marcante e do sucesso estrondoso que Sheryl Crow ostentou em seus primeiros dez anos de carreira em discos impecáveis como "Tuesday Night Music Club" (1993), "Sheryl Crow" (1995), "The Global Sessions" (1998) e C'mon C'mon (2002). Nos últimos 15 anos, no entanto, ela sentiu o interesse do público rock-pop diminuindo, e mudou de mala e cuia para a cena country, onde imaginou que iria conseguir expandir seu público. Não foi bem isso o que aconteceu. E agora, ela retoma sua levada musical original ao lado de velhos colaboradores como Jeff Trott e Tchad Blake. Com isso, consegue resgatar muito daquele frescor musical descompromissado que a fazia soar tão genuína e tão atraente. Claro que, aos 55 anos de idade, depois de lutar um bom tempo contra um cancer de mama, Sheryl não é mais a mesma carefree girl de 15 anos atrás. Mas o importante é que sua essência permanece intacta, e ela parece feliz e satisfeita, e isso transparece nas 11 faixas de "Be Myself". Quer melhor indicação do que essa?


SARAH PARTRIDGE
Bright Lights & Promises: Redefining Janis Ian
(Origin Records US)

Várias cantoras de jazz tem buscado nos repertórios de compositoras pop como Joni Mitchell, Laura Nyro e Carole King um reforço considerável para seus repertórios, e algumas dessas canções começaram a ser gravadas por tantos artistas nesses últimos anos que estão prestes a se tornar novos standards do jazz. Pois curiosamente, ninguém até agora havia percebido que o folk-pop confessional da cantora-compositora Janis Ian poderia servir muito bem a este mesmo propósito. Sarah Partridge foi a primeira a vislumbrar isso, daí chamou o pianista e arranjador Allen Farnham para ajudá-la a achar o tom jazzístico adequado para algumas canções de Janis Ian que escolheu. Daí, nasceu esse belíssimo Bright Lights & Promises: Redefining Janis Ian, ponto mais alto até agora da carreira dessa cantora-compositora de 55 anos de idade que, mesmo com quase 10 discos gravados, ainda não recebeu o merecido reconhecimento na cena musical. Pior: muitos preferem lembrar que ela foi atriz de cinema e TV entre 1983 e 1993, e, como nunca conseguiu emplacar um papel marcante, acabou desistindo da carreira e dedicando-se à música. Muita sacanagem. Até porque Sarah Partridge está muito acima dessas biografias redux que fazem dela. Sarah é, isso sim, uma das intérpretes de jazz mais inteligentes e talentosas da atualidade. Deixar passar esse seu novo e surpreendente trabalho será, no mínimo, um desperdício.

  
JULIANA HATFIELD
Pussycat
(American Laundromat US)

É comum vermos artistas de rock tarimbados quebrarem a cara ao gravar discos focados em temas políticos que se revelam bem sucedidos como manifestos, mas desastres artísticos irremediáveis. "Sometime In New York City" de John Lennon & Yoko Ono, "Sandinista" do Clash e "Living With War" de Neil Young são exemplos perfeitos disso. Daí a surpresa ao ver como a veterana Juliana Hatfield conseguiu fazer um disco ótimo focado da primeira à última faixa no asco terrível que ela sente por Donald Trump. As 14 faixas de "Pussycat" são uma porrada atrás da outra, cada uma delas mirando (e demolindo) um aspecto diferente da "personalidade" de Trump. A faixa de abertura já é uma carta de intenções perigosíssima, intitulada "I Want To be Your Disease", e segue intensamente em números com nomes sugestivos como "Kellyanne", "Heartless", "Rhinoceros" e a divertidíssima "Short Fingered Man", onde zomba do já folclórico pinto pequeno do presidente. Detalhe: todas as canções ostentam molduras power-pop bem simpáticas em termos de harmonia musical, para que o bode dela por Trump explicitado nas letras atinja o maior público possível. É um disco urgente. E de urgência Juliana Hatfield entende bem. Figuraça!


   
RUTHIE FOSTER
Joy Comes Back
(Blue Corn USA)

Engraçado como muitos discos nascem de momentos difíceis na vida de um artista. Ruthie Foster passou boa parte do ano passado brigando com seu ex-marido pela custódia integral de sua filha de 5 anos de idade. Como está sempre em tournée, com pouco tempo para se dedicar a uma vida familiar, teve que aceitar a contragosto guarda compartilhada. Inconformada, tirou uma folga em sua agenda de shows e voltou para sua Austin, Texas onde voltou a frequentar a Igreja da qual estava afastada e procurou músicos amigos de longa data para gravar algumas canções que ela tinha acabado de compor. Mas trombou pelo caminho com o produtor e velho amigo Daniel Barrett, que se dispôs a produzi-la e a convenceu a reunir material para um disco inteiro. Que é esse "Joy Comes Back", certamente o trabalho mais gospel, mais manso e mais circunspecto de Ruthie até agora. As canções são lindas, as participações especialissimas do guitarrista Derek Trucks -- fã confesso de Ruthie -- beiram o sublime e... bem, o resto você vai ter que ouvir para entender a mágica que aconteceu aqui.


LINDA GAIL LEWIS
Heartbreak Highway
(Ball & Chain Records UK)

Que Linda Gail Lewis é da pá virada, assim como seu irmão mais velho Jerry Lee Lewis, disso todo mundo já desconfiava. Basta dizer que essa senhora quase septuagenária se casou pela primeira vez aos 14 anos de idade, pediu divórcio seis meses depois, e casou pela segunda vez aos 15 anos -- e desde então já se casou outras oito vezes, uma delas com Kenny Lovelace, guitarrista da banda de seu irmão. Sam Phillips tentou lançá-la no início dos Anos 60, mas não deu certo. Jerry Lee gravou um disco com ela e conseguiu que ela gravasse um disco solo em 1969, mas não emplacou, daí, nos 21 anos seguintes, ela se limitou a fazer parte do coro da banda de seu irmão, sempre com direito a cantar um ou dois números solo. Só gravou seu segundo disco em 1990, e ele emplacou na Europa, onde aqueles dois discos de 1969 eram cultuados. Fez uma tournée de sucesso, gravou um belo disco ao lado de Van Morrison, e finalmente engatou uma carreira mais ou menos sólida desde então. Nesse ótimo "Heartbreak Highway", Linda Gail Lewis alterna sua paixão pela herança musical de Patsy Cline com o rockabilly selvagem do irmão, com resultados brilhantes. Detalhe: "Heartbreak Highway" saiu em LP e CD só no mercado europeu; nos EUA foi lançado diretamente nas lojas virtuais.




CHICO MARQUES
é comentarista,
produtor musical
e radialista
há mais de 30 anos,
e edita a revista cultural
LEVA UM CASAQUINHO
e o blog musical
ALTO & CLARO 



quinta-feira, maio 18, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA QUINTA É UM DOS MÚSICOS MAIS ECLÉTICOS E GENIAIS QUE A AMÉRICA JÁ PRODUZIU.


HOJE É O 75º ANIVERSÁRIO
DESTE GRANDE MULTINSTRUMENTISTA
QUE, MESMO SENDO NOVAIORQUINO,
CONHECE O IDIOMA DO BLUES SULISTA
COMO POUQUÍSSIMOS MÚSICOS HOJE.

CELEBRAMOS TRAZENDO AQUI
NADA MENOS QUE 3 CONCERTOS
AO VIVO DE TAJ MAHAL:
DOIS GRAVADOS NA EUROPA NOS ANOS 80 E 90
E OUTRO BEM RECENTE GRAVADO
NUM FESTIVAL DE BLUES NA FRANÇA.

ENJOY...



NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA QUARTA TINHA UM VOZEIRÃO TÃO INTENSO QUE DEIXAVA TODO MUNDO NA CENA DO BLUES E DO JAZZ DE BOCA ABERTA.


HÁ EXATOS 106 ANOS,
NASCIA EM KANSAS CITY, MISSOURI
O MAIOR BLUES SHOUTER DE TODOS OS TEMPOS
E TAMBÉM UMA DAS FIGURAS MAIS ICÔNICAS
DA PRIMEIRA GERAÇÃO DO ROCK AND ROLL.

PARA CELEBRAR A DATA DE HOJE,
SELECIONAMOS DUAS APRESENTAÇÕES
BEM DISTINTAS DE BIG JOE TURNER:
A PRIMEIRA BEM RHYTHM & BLUES
E A SEGUNDA BEM JAZÍSTICA.
E COMPLEMENTAMOS COM UM DOCUMENTÁRIO
ONDE BIG JOE DIVIDE A CENA COM
MUDDY WATERS, BIG MAMA THORNTON
E GEORGE HARMONICA SMITH.

ENJOY...







quarta-feira, maio 17, 2017

DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE "CRACK-UP", PRIMEIRO LP EM 6 ANOS DA GENIAL RAPAZIADA DE SEATTLE THE FLEET FOXES

por Chico Marques


Imaginem um grupo de British Folk como o Fairport Convention ou o Steeleye Span fazendo vocalizações semelhantes às criadas por Brian Wilson para os Beach Boys...

Ou o trio californiano Crosby Stills & Nash cantando madrigais do Século XVI...

Ou os Everly Brothers cantando as canções do “The Yes Album”...

Não imaginem mais nada.

Conheçam The Fleet Foxes. 


The Fleet Foxes são, em princípio, um grupo folk desalinhado.

Estranhamente surgido em Seattle, faz uma música leve, ensolarada e com toques esotéricos que alguns apressadinhos classificam como folk-pop barroco -- que, diga-se de passagem, tem pouco ou nada a ver com o DNA musical ruidoso e barulhento daquela bela cidade chuvosa da Costa Oeste.

Mas não se engane: apesar da descrição preliminar acima, a música dos Fleet Foxes está longe de ser apenas uma colcha de retalhos musical atemporal.

Suas canções incorporam em suas temáticas influências literárias no mínimo curiosas, que vão desde livros sagrados antigos a poetas simbolistas e modernos (como W B Yeats, aparentemente o favorito deles) 

Já a musicalidade dos Fleet Foxes é, na verdade, resultado de uma estranha combinação de talentos musicais bem distintos, e estranhamente compatíveis. 


Formado por músicos na faixa dos 30 anos de idade, The Fleet Foxes são comandados pelos vocalistas e guitarristas Robin Pecknold e Skyler Skjelset, e produzem música acústica com frescor, leveza e criatividade raras na cena folk.

Até porque adoram inserir nos arranjos instrumentos exóticos do Século 19 pouco conhecidos pelos músicos atuais -- como o marxophone (que lembra uma cítara) e o violin-uke (estranha combinação de violino com ukelele).

O liquidificador musical da banda incorpora influências as mais diversas -- como Elliott Smith, Bob Dylan e Judee Sill --, a ponto de um crítico dizer que eles parecem ter iniciado seu trabalho em Laurel Canyon (na Grande Los Angeles) em 1970 e permanecido incógnitos até agora.


O primeiro LP dos Fleet Foxes surgiu em 2008, pelo selo Sub Pop, e é surpreendentemente maduro para um grupo estreante.

Recebeu elogios rasgados da crítica, entrou em várias listas de melhores discos do Século 21 até agora, virou objeto de culto de várias tribos musicais pela America e veio seguido de uma tournée que fez muitos amigos pela Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia.

Mas, infelizmente, não proporcionou a eles uma projeção que fosse além da cena indie.


Já o segundo, lançado três anos mais tarde, conseguiu ir bem mais longe.

“Helplessness Blues” é uma coleção de canções extremamente delicadas que conseguem ser ainda mais intensas e envolventes que as do LP de estreia.

Foi recebido com muita festa por vários setores da crítica, o que alavancou se forma substancial as vendagens do disco, apesar das limitações na distribuição do selo SubPop, do qual eram contratados.

Mas, no boca a boca, a popularidade dos Fleet Foxes seguiu crescendo, com novos admiradores surgindo a cada ano.

Estranhamente, no momento em que eles pareciam estar prestes a emplacar, Robin Pecknold e Skyler Skjelset anunciaram que os Fleet Foxes sairíam de cena por alguns anos para que eles dois pudessem ingressar na Universidade.


Agora, seis anos mais tarde, os Fleet Foxes estão de volta, e com um LP belíssimo, que começa exatamente onde “Helplessness Blues” terminava.

"Crack-Up" chega às lojas em Junho nos Estados Unidos e Europa, e é a estreia deles na Nonesuch, um selo forte atrelado ao grupo WEA com capacidade promocional infinitamente superior à da Sub Pop.

"Crack-Up" é quase um disco conceitual, pois algumas de suas canções foram inspiradas livremente nos textos e contos de F. Scott Fitzgerald sobre o fim da vida mansa dos americanos endinheirados na virada dos Anos 20 para os Anos 30, reunidos no livro "The Crack-Up".

 E se, ao menos em princípio, F. Scott Fitzgerald não parece adequado ao universo temático dos Fleet Foxes, basta uma audição nas 11 faixas de "Crack-Up" para constatar que, sabe-se lá como, está tudo em casa mais uma vez.



Tudo soa bastante familiar em "Crack-Up", apesar da banda evitar a todo custo zonas de conforto musicais e insistir em atirar para todos os lados.

A abertura, com "I Am All That I Need", trafega pelos mesmos temas exotéricos de "Montezuma", faixa de abertura do disco anterior, e consegue ser tão linda e impactante quanto ela.

"Third of May/Ōdaigahara" é uma ambiciosa composição com orquestra que possuí vários movimentos e traz vocais em uníssono duplicados infinitamente no mix final, criando ao longo de quase 9 minutos uma atmosfera sonora absolutamente singular  e original -- eu, pelo menos, nunca escutei nada remotamente semelhante em toda a minha vida.

Não faltam "canções assoviáveis" em "Crack-Up": "If You Need To, Keep Time On Me", "On Another Ocean" e "Fool's Errand" são exemplos claros disso. Mas é nas duas faixas que encerram o disco -- "I Should See Memphis" e "Crack-Up" -- que o bicho pega pra valer, e o panorama anunciado na faixa de abertura começa a se cristalizar.

E quando "Crack-Up" termina, a sensação que permanece é de que fizemos uma viagem por algum lugar mágico, em algum tempo incerto, e agora estamos de volta, melhores e diferentes do que éramos antes.

Há quanto tempo você não tem essa sensação depois de ouvir um disco? 



 Robin Pecknold  e Skyler Skjelset assinam a produção das 11 faixas de "Crack-Up", que foi quase inteiramente gravado no Electric Lady Studios e no Sear Sound, ambos em Nova York, na segunda metade de 2016, sem pressa alguma.

Para este ano, eles prometem uma tournée pela América, Europa, Japão e Austrália -- e, com um pouco de sorte, quem sabe acabam dando uma escapada até aqui num desses Lollapaloozas da vida. 

Se você ainda não conhece as dissonâncias psicodélicas e o folk barroco recheado de ousadias dos Fleet Foxes, não perca essa chance que "Crack-Up" está oferecendo.

Acredite: seus ouvidos ficarão imunes por um bom tempo a essas "besteirinhas de ocasião travestidas de artistas de verdade" que vivem sendo inventadas pela Indústria Fonográfica.

Mumford & Sons, por exemplo.





AMOSTRAS GRÁTIS

   






CHICO MARQUES
é comentarista,
produtor musical
e radialista
há mais de 30 anos,
e edita a revista cultural
LEVA UM CASAQUINHO
e o blog musical
ALTO & CLARO