terça-feira, outubro 24, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA TERÇA FOI UM DOS MAIORES EXPOENTES DO CHICAGO BLUES


 O ANIVERSARIANTE DO DIA DE HOJE
FOI UMA DAS MAIORES EXPRESSÕES
DO CHICAGO BLUES
NOS ANOS 1970, 1980 E 1990,
DEIXANDO UM LEGADO MUSICAL
QUE AINDA ESTÁ SENDO
DEVIDAMENTE AVALIADO.

ESSA APRESENTAÇÃO FANTÁSTICA
GRAVADA EM 1993
NUM FESTIVAL DE JAZZ NA MACEDÔNIA
É A PROVA DISSO.

ENJOY...





NOSSA ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA É UMA DAS CANTORAS MAIS VIBRANTES DA CENA JAZZÍSTICA ATUAL

SAUDAMOS OS 61 ANOS DE IDADE
DA MAGNÍFICA CANTORA DE JAZZ
DIANNE REEVES
TRAZENDO ATÉ VOCÊS UMA APRESENTAÇÃO
GRAVADA NA FRANÇA NO MÊS PASSADO.

ENJOY...






domingo, outubro 22, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE DOMINGO SAIU DE CENA MUITO JOVEM, MAS SOUBE BRILHAR NO POUCO TEMPO QUE TEVE PARA ISTO.



SAUDAMOS OS 75 ANOS DE NASCIMENTO
DO GRANDE E SUBESTIMADO
ROCK AND ROLLER BOBBY FULLER
RESGATANDO UM DOCUMENTÁRIO INVESTIGATIVO
QUE TENTA LANÇAR ALGUMA LUZ
SOBRE SUA MORTE ESTRANHÍSSIMA EM 1966.

ENJOY...





sábado, outubro 21, 2017

CELEBRAMOS HOJE O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO TRUMPETISTA MAIS BOCHECHUDO DE TODOS OS TEMPOS


SAUDAMOS O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO
DO FABULOSO TRUMPETISTA DIZZY GILLESPIE
RESGATANDO TRÊS REGISTROS EM VÍDEO
SIMPLESMENTE SENSACIONAIS.

O PRIMEIRO FOI GRAVADO NA BÉLGICA
EM 1958 COM O FABULOSO SONNY STITT.

O SEGUNDO FOI GRAVADO NA DINAMARCA
EM 1971 COM THELONIOUS MONK
E NOVAMENTE SONNY STITT. 

E O TERCEIRO É UM DOCUMENTÁRIO
INTITULADO "DIZZY EN CUBA",
QUE MOSTRA DIZZY DE VOLTA À ILHA
QUARENTA ANOS DEPOIS DE LEVAR
PARA A AMÉRICA E PARA A EUROPA
SUAS AVENTURAS MUSICAIS
COM O JAZZ LATINO.

ENJOY...







NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEXTA PARTIU HÁ MENOS DE UM MÊS E DEIXOU MUITA SAUDADE


SAUDAMOS O ANIVERSÁRIO DE TOM PETTY
RESGATANDO SUA PASSAGEM EM 1999
COM OS HEARTBREAKERS
PELO EXCELENTE PROGRAMA DA VH1
STORYTELLERS
EM 2005 PELO PROGRAMA
SOUNDSTAGE.

ENJOY...







sexta-feira, outubro 13, 2017

PACOTEIRA MUSICAL DE VETERANOS DA CENA BRITÂNICA: MARIANNE FAITHFULL, ROBERT PLANT, RICHARD THOMPSON, VAN MORRISON & LIAM GALLAGHER

por Chico Marques


Tudo bem, não se faz mais Invasões Britânicas como antigamente.

Mas das últimas Invasões Britânicas que rolaram -- a dos Beatles e dos Rolling Stones (e dos Kinks, dos Animals e do Them) em meados dos anos 1960, e a do pessoal do BritPop em meados dos anos 1990 -- muitos grandes artistas permanecem ativos e muito atuantes na cena musical.

Nossos cinco escolhidos para compor a pacoteira musical de hoje são sobreviventes dessas duas invasões.

Da Invasão mais recente, dos Anos 90, temos o desaforado e irascível Mr. Liam Gallagher, ex-frontman do grupo Oasis, vindo de Manchester.

Já da Invasão dos Anos 60, temos a melancólica Ms. Marianne Faithfull e o multicultural Mr. Richard Thompson (ambos de Londres), além do sempre inquieto Mr. Robert Plant (de Birmingham) e de São Van Morrison (de Belfast, Irlanda).

São todos grandes ícones de vários fronts musicais, com históricos de carreira bem distintos, que estão com discos novos muito festejados pela imprensa e pelo público.

Merecidamente.

Vamos a eles:


ROBERT PLANT
CARRY FIRE
(Nonesuch)

No início dos Anos 80, quando o Led Zeppelin implodiu após a morte de John Bonham e Robert Plant deu o pontapé inicial em sua carreira solo mergulhando de cabeça no MOR no disco Pictures At Eleven, o comentário geral foi: okay, funciona, lembra o Zep, mas falta Jimmy Page. Incomodado com isso, Mr. Plant foi pouco a pouco distanciando sua carreira solo dos ecos do Led Zeppelin, morrendo de medo de virar um daqueles artistas que vivem em função de um passado glorioso. Mas, depois de 5 discos solo bem sucedidos, sentiu que tinha uma situação bem sedimentada e que não corria mais esse risco, daí topou voltar a trabalhar com Mr. Page em dois discos bem distintos: o acústico e revisionista Unledded (1996) e o elétrico e vigoroso Walking Into Clarksdale (1998). O comentário geral foi: okay, funciona, lembra o Zep, mas falta John Paul JonesDe saco cheio do saudosismo dos fãs do Led Zep, Mr. Plant decidiu da virada do século para cá procurar por suas raízes musicais dos dois lados do Atlântico, mergulhando em investigações musicais ao lado da violinista Alison Krauss, depois com a cantora e compositora Shaun Colvin (com quem manteve um romance por cinco anos), e ainda reagrupando a Band Of Joy, banda folk-psicodélica da qual fazia parte antes de ingressar no Led Zeppelin. Cinco anos atrás, promover mais uma virada em sua carreira: voltou para a Inglaterra e montou uma banda espetacular, The Sensational Space Shifters, com quem já gravou 3 LPs. O mais recente, Carry Firecombina rock e folk com música árabe e música eletrônica, e consegue a proeza de fazer com que todas essas vertentes musicais dialoguem ignorando fronteiras musicais, e mostrando que elas não passam de fronteiras mercadológicas. Ao contrário de Lullaby & The Ceaseless Choir (2014), que foi produzido magistralmente por T-Bone Burnett, dessa vez Mr. Plant teve que se auto-produzir, pois a agenda de Mr. Burnett estava cheia. Daí, procurou seguir fielmente as lições que aprendeu com ele no disco anterior, e fez de Carry Fire uma sequência natural dele. Não há highlights a ser destacados, pois o disco é de uma coesão impecável e todos os elementos estão perfeitamente alinhavados. Mesmo assim, vou destacar o único cover do disco: uma releitura eletrônica quase inacreditável da clássica balada rockabilly Bluebirds Over The Mountain, que esbanja uma organicidade musical ímpar, que é a cara de Mr. Plant: moderna e etérea, tudo ao mesmo tempo. Carry Fire é um belo disco, que deve agradar tanto aos velhos fãs do Zep quanto aos que vibraram com Lullaby & The Ceaseless Choir três anos atrás e queriam mais. Pois bem... aqui está!






VAN MORRISON
ROLL WITH THE PUNCHES
(Caroline)

De tempos em tempos, um negão que vive meio adormecido na alma de Van Morrison acorda e dá a luz de sua graça, obrigando-o a interromper sua sequência tranquila e confortável de discos inspirados nas sonoridades da Irlanda para mergulhar de cabeça nas águas rápidas e lamacentas do Rio Mississippi. É mais ou menos isso que rola aqui em Roll With The Punches, um disco ligeiro, coeso e com uma urgência que havia desaparecido da obra de Mr. Morrison há muitos anos. Dizem que o que motivou esse mergulho no blues foi a aproximação dele de um de seus heróis musicais: o grande cantor inglês Chris Farlowe, um pouco mais velho que ele. De três anos para cá, para surpresa geral, os dois ficaram inseparáveis e não desgrudaram mais. Já que o blues e o rhythm & blues são idiomas musicais que ambos dominam à perfeição, foi por aí que eles decidiram seguir sintonizados musicalmente. Temos aqui apenas cinco originais de Mr. Morrison contra dez covers sensacionais de clássicos como Ride On Josephine e I Can Tell, de Bo Diddley, Going To Chicago de Count Basie e Mean Old World de T-Bone Walker. Quem quiser se esbaldar com um disco que é tão certeiro quanto um murro no queixo, é só vir por aqui. Acredite: Roll With The Punches faz juz ao seu nome.





LIAM GALLAGHER
AS YOU WERE
(Warner Bros)

Eu sempre tive uma séria desconfiança quanto a esse embate constante e interminável entre os irmãos Liam e Noel Gallagher. Nunca entendi como eles conseguiam manter uma postura profissional inabalável nos palcos se odiando tão intensamente. Pior: como conseguiram manter o Oasis em pé por 18 anos seguidos vivendo às turras dia após dia. Tem alguma coisa que sempre me pareceu errada nessa equação. Posso estar errado, mas acho que as brigas constantes entre os dois irmãos sempre foram, na verdade, uma estratégia de marketing muito bem arquitetada para manter a banda sempre presente no noticiário de publicações musicais semanais fofoqueiras como o New Musical Express. Desde que o Oasis acabou, os dois deram sequência a suas carreiras formando novas bandas: The High Flying Brds (de Noel) e Beady Eye (de Liam, com todos os integrantes da formação final do Oasis, menos Noel). As farpas de sempre continuaram sendo disparadas de ambois os lados, e os fãs do Oasis, que andavam saudosos dos barracos e da lavagem de roupa suja entre os dois irmãos, seguiram prestigiando suas novas aventuras -- musicalmente muito semelhantes ao que eles produziam quando gravavam juntos. Agora, estranhamente, Mr. Liam Gallagher resolveu chutar o balde e arriscar uma ruptura com o legado do Oasis nesse seu primeiro álbum solo. As doze faixas de As You Were são surpreendentes, ampliando o espectro musical de Mr. Liam Gallagher para muito além do britpop e o situando muito bem em números de blues, rhythm & blues e outros gêneros musicais onde o repertório do Oasis jamais esteve. Ecos de John Lennon, Marc Bolan e Ian Hunter permeiam o disco do início ao fim, revelando que aquela fúria sonora e as sonoridades ásperas que haviam nos shows (não nos discos) do Oasis estavam lá por iniciativa dele, Liam Gallagher. Por mais que ele diga na entrevistas que vem concedendo para promover As You Were que não se sente confortável numa carreira solo e que gosta mesmo é de fazer parte de bandas, eu, francamente, duvido. Para mim é conversa mole. A estréia solo de Mr. Liam Gallagher é simplesmente ótima. Para alguns críticos, é excelente. Suas composições são tão qualificadas quanto as de seu irmão, revelando-se mais ásperas, menos melódicas e mais contundentes que as de seu irmão. O disco todo é extremamente envolvente, e muito bem produzido. Só Mr. Liam Gallagher acha que "talvez não". Continua um belo encrenqueiro depois de todos esses anos...





MARIANNE FAITHFULL
NO EXIT
(Verycords/Ear Music)

Setenta anos de idade. Cinquenta e três anos de carreira. Quem diria que aquela menina linda e melancólica que emplacou em 1964 um hit mundial com As Tears Go By -- canção que ganhou de presente de seu namorado Mick Jagger e de Keith Richards --, iria desenvolver uma carreira tão singular e superlativa. Ms. Faithfull conseguiu impor através de sua voz frágil e docemente ríspida um padrão novo e original que, de tão pessoal, poucas cantoras ousaram tentar seguir na época. Mas se atrapalhou com o fim de seu casamento com Jagger no início dos Anos 70, com suas investidas meio desastradas como atriz e, last but not least, com a dependência de heroína e constantes tentativas de suicídio. Demorou para perceber que nada daquilo tudo apontava para lugar algum. Passou a primeira metade dos anos 1970 num limbo artístico muito cruel, e só conseguiu achar foco para seu carreira ao se reinventar por completo, já em plena era punk, com o LP Broken English. Daí em diante, encontrou um público fidelíssimo, que nunca mais iria abandoná-la. Mergulhou de cabeça no repertório de Kurt Weill em 20th Century Blues, e gravou vários LPs alternando canções próprias com outras de seus amigos Tom Waits e Nick Cave. Em No Exit ela passa sua carreira a limpo numa apresentação ao vivo impecável, e mostra que sua voz, bastante combalida com os excessos dos anos selvagens, ainda consegue passear por seu velho repertório com sua integridade musical intacta. Uma artista carismática, intensa e absolutamente verdadeira.




RICHARD THOMPSON
ACOUSTIC CLASSICS II
(Beeswing)

Richard Thompson é um artista que dispensa apresentações em qualquer canto do mundo -- menos aqui no Brasil, onde nunca teve um
disco lançado. Membro fundador do seminal grupo de folk-rock britânico Fairport Convention, Mr. Thompson desenvolve há 46 anos um trabalho que desafia convenções e rótulos, mesclando em sua guitarra toques de jazz e de música erudita com influências de rock, blues, folk e música oriental. Nunca deixou de ser um cult artist, até porque nunca aceitou se adequar aos requisitos do mercado. Bem que tentaram promovê-lo perante um público mais amplo no final dos Anos 80, mas não funcionou direito. Mr. Thompson já tinha um público cativo extenso àquela essa altura do campeonato. Na medida em que sua integridade artística e sua liberdade criativa sempre foram fatores inegociáveis, e ele estava satisfeito com o que havia conquistado até então, não fazia o menor sentido abrir mão disso. Graças a essa teimosia, Mr. Thompson produziu alguns dos discos mais festejados pela crítica nos últimos 46 anos, como I Want To See The Bright Lights Tonight (1974) e Shoot Out The Lights (1982), ambos com sua ex-mulher Linda Thompson –, ou os trabalhos solo Hand Of Kindness (1983), Across A Crowded Room (1985) e Daring Adventures (1986), todos dignos de figurar em qualquer antologia de melhores LPs desse período. Nos últimos dois anos, Mr. Thompson decidiu se dedicar a desenvolver releituras acústicas de seu extenso repertório, e já está no segundo volume da série. Tudo indica que isso é apenas o começo, e que vem mais por aí. Os dois primeiros LPs da série Acoustic Classics lançados até agora servem tanto como uma curiosidade para os fãs de longa data quanto como uma introdução ao universo musical desse artista gigantesco, ainda que absolutamente desalinhado.




CHICO MARQUES
é comentarista,
produtor musical
e radialista
há mais de 30 anos,
e edita a revista cultural
LEVA UM CASAQUINHO
e o blog musical
ALTO & CLARO 


segunda-feira, outubro 09, 2017

O ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA É O CIDADÃO MAIS MELANCÓLICO DA ENSOLARADA LOS ANGELES HÁ EXATOS 45 ANOS.


SAUDAMOS O ANIVERSÁRIO DE 69 ANOS
DESTE GRANDE MENESTREL CALIFORNIANO
TRAZENDO UMA PERFORMANCE SENSACIONAL
GRAVADA NO FESTIVAL DE GLASTONBURY
HÁ SETE ANOS,
COM PARTICIPAÇÃO ESPECIALÍSSIMA
DO SUPERGUITARRISTA DAVID LINDLEY

ENJOY...

  



O ANIVERSARIANTE DESTE DOMINGO FOI O PILAR DE SUSTENTAÇÃO DO SOM E DA FÚRIA DESENCADEADOS POR THE WHO DURANTE QUASE 40 ANOS


HOJE SERIA O ANIVERSÁRIO DE 73 ANOS
DO LENDÁRIO BAIXISTA DO WHO
JOHN ENTWHISTLE,
O HOMEM QUE MANTINHA A BANDA NO CHÃO
ENQUANTO KEITH MOON ESPANCAVA SEUS TAMBORES
E PETE TOWNSHEND VOAVA PELO PALCO
COM SUA GUITARRA EM MÃOS.

SAUDAMOS SUA MEMÓRIA
RESGATANDO UM BELO SHOW DELE
COM SUA BANDA ALTERNATIVA THE OX
AO VIVO NO B B KING'S CLUB EM NEW YORK
UM ANO ANTES DE SUA MORTE.

ENJOY...





segunda-feira, outubro 02, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA É UM ÍCONE POP E UM ARTISTA DE PRIMEIRA GRANDEZA


 NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA
É DISPARADO UM DOS ARTISTAS POP
MAIS VITAIS E MAIS INFLUENTES
VINDOS DA BOA E VELHA INGLATERRA
NOS ÚLTIMOS 50 ANOS.

SAUDAMOS OS 65 ANOS DE STING
TRAZENDO UM SHOW IMPECÁVEL
DE SUA TOURNÉE ATUAL
PROMOVENDO SEU CD "57TH & 9TH".

ENJOY...






NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE DOMINGO ERA PHD EM BLUES, RHYTHM & BLUES E ROCK AND ROLL


NOSSO ANIVERSARIANTE DE HOJE
FOI UM DOS MAIORES ESTUDIOSOS
DO ROCK ANGLO-AMERICANO,
ALÉM DE UM ARTISTA BRILHANTE
TANTO À FRENTE DO BROWNSVILLE STATION
QUANTO EM SUA CARREIRA SOLO.

SAUDAMOS A MEMÓRIA DE CUB KODA
COM IMAGENS DELE
À FRENTE DO BROWNSVILLE STATION,
UMA DAS MAIORES E MAIS SUBESTIMADAS
BANDAS AMERICANAS DE TODOS OS TEMPOS.

ENJOY...








NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE SÁBADO FOI O REI DO GLAM ROCK, MAS PODERIA TER SIDO MUITO, MUITO MAIS DO QUE ISTO.


MARC BOLAN VIVEU RÁPIDO DEMAIS
E SAIU DE CENA AOS 30 ANOS DE IDADE.

HOJE, NO SEU ANIVERSÁRIO
DE 70 ANOS DE NASCIMENTO,
SAUDAMOS ESTE GRANDE ÍCONE
DO ROCK BRITÂNICO
RESGATANDO UM DOCUMENTÁRIO
INTITULADO "THE FINAL WORD"
SOBRE SUA VIDA E OBRA.

ENJOY...






sexta-feira, setembro 29, 2017

DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE OS NOVOS DISCOS SOLO DE RAY DAVIES E DAVE DAVIES, DOS KINKS.

por Chico Marques


Muita gente não consegue entender porque Ray Davies e Dave Davies, os irmãos que formavam a grande dupla de compositores e a linha de frente do grupo londrino The Kinks, não conseguem se entender mais. Se os dois sempre tiveram uma relação turbulenta, e se essa turbulência sempre serviu para alimentar a banda em termos criativos, o que foi que aconteceu? Porque a química deixou de funcionar entre eles?

Se engana quem pensa que Ray e Dave Davies estão rompidos. Não estão. Só não querem mais trabalhar juntos. Quando aposentaram a banda 1994 com o disco "To The Bone", uma espécie de "Unplugged" com seu repertório clássico, Ray chegou a comentar que eles não tinham mais o que dizer, e que não fazia sentido seguir gravando coisas simplesmente por gravar. Vindo de um artista pop que sempre se preocupou em ser relevante e fazer a diferença, acreditem: não são palavras vãs.  



Desde que começaram a trabalhar juntos em 1964, The Kinks emplacou uma sequência demolidora de singles na Pye Records, como “You Really Got Me” (1965), cujo sucesso na Europa forneceu o aval necessário para que a Reprise Records negociasse com a Pye a exclusividade de lançamento de seus LPs e singles no mercado americano.

Infelizmente, The Kinks se meteram numa confusão diplomática até hoje mal explicada, e por conta disso a banda perdeu o direito a tirar vistos de trabalho para tocar nos Estados Unidos entre 1965 e 1969, o que atrapalhou sensivelmente os esforços da Reprise em promover melhor seus discos, levando os irmãos Ray e Dave Davies a fazer tournées apenas no Continente Europeu e no Japão, onde sempre foram muito populares.

Mas eles queriam mesmo é emplacar na América. Mesmo sem tocar por lá, os discos dos Kinks vendiam bem por lá. “The Village Green Preservation Society” e “Arthur” tiveram uma acolhida calorosa no Top 40 da Billboard, e Ray Davies passou a ser visto como um uma espécie de Noel Coward da Era Psicodélica. Howard Kaylan e Mark Volman, do grupo californiano The Turtles, por exemplo, não sossegaram enquanto não gravaram um dos discos da banda em Londres, pois faziam questão que fosse produzido por Ray Davies.



Os Kinks voltaram a fazer tournées pelos Estados Unidos só em 1970, a reboque do sucesso internacional de “Lola” -- sobre um inglês insuspeito que se sente muito melhor vestido como mulher, mais ou menos como acontece com o cartunista Laerte --, e finalmente emplacaram nos primeiros postos das paradas e ganharam discos de ouros e projeção mundial através de um contrato com a RCA International. Na medida em que chegavam na América no exato momento em que os Beatles saíam de cena, não hesitaram em tirar proveito disso para ganhar espaço na imprensa.   

Viraram estrelas, passaram a viver metade no ano de cada lado do Atlântico e seguiram pelos anos 1970 produzindo LPs conceituais sempre muito bem humorados, como os festejados "Preservation Act #1 & #2", "Soup Opera" e "Schooboys In Disgrace". Em 1976, já em plena Era Punk, assinaram com a Arista Records e deixaram os projetos conceituais de lado para apostar em discos bem urgentes. A ideia era evitar ao máximo que a banda fosse estigmatizada pelos punks, que faziam campanhas declaradas contra superbandas veteranas como o Yes e o Pink Floyd.



  Foram apagando pouco a pouco ao longo dos anos 1980, com as vendas de seus discos caindo a cada novo lançamento, apesar dos shows da banda continuarem com um público excepcional.

Mas era um público com motivações nostálgicas, sem o menor interesse em qualquer coisa nova que a banda quisesse apresentar.

Então Ray chegou à conclusão que os Kinks já tinham cumprido sua missão e que encerrar as atividades da banda e partir para algo diferente eram as coisas certas a fazer.



E Ray e Dave Davies seguiram em frente.

Ray dirigiu e escreveu para o cinema, ajudou o produtor musical Bill Flanagan a esboçar a série de TV “VH1 Storytellers”, lançou dois LPs solo muito festejados com canções inéditas de primeira grandeza, e ainda achou tempo para escrever "X-Ray", sua divertidíssima "autobiografia não-autorizada", e "Americana", um livro de memórias sobre seus anos recentes vivendo na America.

Já Dave focou mais na música, montou uma banda com seu filho Russ e já gravou 15 discos solo -- 12 desde o fim dos Kinks. Seu website é uma verdadeira central musical, e distribui os audios de vários concertos de sua banda. Seu trabalho é extremamente bem divulgado em várias plataformas pela web. 

Do início de 2017 para cá, tanto Ray quando Dave surgiram com novos trabalhos solo tão bons, tão vitais, e ao mesmo tempo tão distantes um do outro, que parece não fazer o menor sentido bater na velha tecla de que eles precisam voltar a trabalhar juntos.Ainda mais ao vê-los seguindo caminhos artísticos tão diferentes.



"Americana" é o primeiro álbum de material inédito de Ray Davies em uma década, e é baseado em trechos de suas memórias, só que está longe de ser uma "sentimental journey". Pelo contrário: as canções, todas autobiográficas, falam sobre suas aventuras e desventuras do lado de cá do Atlântico. Tem momentos assustadores, como "The Invaders", que lembra a recepção hostil à banda em sua primeira visita à América em 1965. Mas na maior parte das canções o cinismo habitual de Ray Davies dá o tom, e a excelente e veterana banda The Jayhawks se encarrega das texturas musicais que oscilam entre o country rock, o pop rasgado e até um pouco de blues e jazz. As canções estão encadeadas de uma maneira extremamente envolvente, mas dá para destacar um belo dueto com Karen Grotberg em "A Place in Your Heart" e ainda "Silent Movie" sobre conversas que ele tinha com seu vizinho, o saudoso roqueiro errante Alex Chilton, quando ambos moraram em New Orleans. Que venha um "Americana II" com outras histórias pinçadas de suas memórias, pois o olhar estrangeiro de Davies para as idiossincrasias da América pode até ser generoso, mas está longe de ser carinhoso. 



Já seu irmão mais novo, o prolífico e incansável guitarrista Dave Davies, uniu forças (pela terceira vez) com seu talentoso filho Russ e juntos prepararam esse delicioso "Open Road", onde números elétricos mais climáticos convivem pacificamente com números acústicos e temas com uma levada mais ambiental. Ecos musicais dos Kinks são inevitáveis, já que Dave sempre foi o maestro da banda e seu filho foi escolado musicialmente nos "pet sounds" esboçados pelo pai. Sem contar que Dave está cantando melhor do que nunca, tocando melhor do que nunca e se divertindo um bocado fazendo o que mais gosta de fazer. Os arranjos e o
excelente trabalho de produção de Russ são nada menos que impecáveis, e sequenciam essas novas canções (que falam tanto do passado quanto do futuro) como uma espécie de disco conceitual sobre amadurecer, envelhecer e aprender a conviver com a fragilidade da vida. É sempre bom lembrar que Dave teve um AVC dose anos atrás, que por pouco não o tirou de cena em definitivo. As primeiras três canções — “Path Is Long”, “Open Road” e “I Don’t Want To Grow Up” -- já mostram claramente que Dave Davies ainda tem muito fogo para queimar.

Ou seja: mesmo separados, falando-se muito pouco e seguindo por trilhas musicais quase diametralmente opostas, os irmãos Ray e Dave Davies seguem em frente unidos por um "labour of love" que foi lapidado ao longo de mais de 50 anos de trabalho contínuo. Diante disso, só me ocorre dizer uma frase que já virou clichê:

"Long Live The Kinks"






















CHICO MARQUES
é comentarista,
produtor musical
e radialista
há mais de 30 anos,
e edita a revista cultural
LEVA UM CASAQUINHO
e o blog musical
ALTO & CLARO