terça-feira, setembro 19, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA TERÇA É UM PRODUTOR MUSICAL COM ALMA DE ARTISTA E IDEIAS MUSICAIS ABSOLUTAMENTE ORIGINAIS


PARA CELEBRAR O ANIVERSÁRIO
DO GRANDE PRODUTOR, ARRANJADOR
E GUITARRISTA DANIEL LANOIS,
DECIDIMOS MOSTRÁ-LO
TRABALHANDO EM ESTÚDIO
QUE É O LUGAR NO MUNDO
ONDE ELE SE SENTE MAIS À VONTADE.

ENJOY...








domingo, setembro 17, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA É O MAIOR VAGABUNDO DE PRAIA QUE HOLLYWOOD JÁ INVENTOU.


SAUDAMOS HOJE O ANIVERSÁRIO
DE 77 ANOS DE FRANKIE AVALON,
O GRANDE KAHUNA.

PARA COMEMORAR, RESGATAMOS 3 FILMES
DO AUGE DE SUA CARREIRA
COM ANNETTE FUNICELLO E A TURMA DA PRAIA
RODADOS EM MEADOS DOS ANOS 60,
E UM QUARTO FILME RODADO 20 ANOS
MAIS TARDE, JÁ NA DÉCADA DE 1980.

TODOS ELES ESTAVAM DANDO SOPA NO YOUTUBE.

ENJOY...










NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE DOMINGO É O ROBERT JOHNSON DA COUNTRY MUSIC


HÁ EXATOS 94 ANOS
NASCIA NO ALABAMA
O NOTÁVEL CANTOR E COMPOSITOR
HANK WILLIAMS,
O HONKY-TONK COWBOY ABSOLUTO.

RESGATAMOS O FILME CANADENSE
"HANK WILLIAMS, THE SHOW HE NEVER GAVE",
SOBRE SEU ÚLTIMO DIA DE VIDA,
PRODUZIDO EM 1980 E INÉDITO EM DVD.

ENJOY...





sábado, setembro 16, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTE SÁBADO FOI O MÚSICO DE BLUES MAIS BEM SUCEDIDO DE TODOS OS TEMPOS


CELEBRAMOS A DATA DE NASCIMENTO
DO SAUDOSO BILLY RILEY KING
RESGATANDO UM SHOW
AO VIVO NA AFRICA
REALIZADO EM 1974
QUE ACABOU VIRANDO
UM BELO DOCUMENTÁRIO.

ENJOY...












NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEXTA É SIMPLESMENTE O SAXOFONISTA ALTO MAIS INFLUENTE DESDE CHARLIE PARKER


SAUDAMOS A MEMÓRIA DO FABULOSO
MAN WITH THE HORN
JULIAN CANNONBALL ADDERLEY
NUMA HISTÓRICA PERFORMANCE AO VIVO
EM LUGANO, SUÍÇA, 1963
COM NAT ADDERLEY, YUSEF LATEEF,
JOE ZAWINUL, SAM JONES E LOUIS HAYES.

ENJOY...











sexta-feira, setembro 15, 2017

PACOTEIRA MUSICAL DE FIM DE SEMANA: WILLIE NELSON + LUKAS NELSON, STEVE EARLE + JUSTIN TOWNES EARLE, E JEFF TWEEDY - SEU FILHO SPENCER TWEEDY

por Chico Marques


Muita gente acha que é fácil para filhos de artistas populares famosos seguir a mesma carreira dos pais.

Isso é um engano.

Se por um lado, um sobrenome famoso ajuda numa primeira investida no mercado, por outro lado a cobrança do público é sempre muito mais intensa sobre artistas que vem na esteira dos pais.

São raros os que conseguem virar figuras relevantes na cena artística, e mais raros ainda os que conseguem terminar ainda mais respeitados que seus próprios pais.

Nesta semana, escolhemos discos de pais muito conhecidos e filhos muito talentosos que seguem em busca de um lugar ao sol na cena musical.

De quebra, trazemos também um álbum solo e acústico de um band-leader famoso que trabalha frequentemente com seu filho -- que no momento prepara sua estreia solo --, mas que dessa vez optou por dispensá-lo.

Vamos a eles:


WILLIE NELSON
GOD'S PROBLEM CHILD
(Sony Legacy)

Willie Nelson é um homem de 84 anos de idade que insiste em seguir desafiando as limitações que a idade e o tempo imprimem na vida da gente. Permanece na estrada por todos os cantos da América com sua road-band The Family, segue gravando dois ou três discos por ano, continua fumando maconha constantemente e faz questão de não negar fogo sempre que é assediado por alguma fã bonitona e carinhosa -- afinal, estar com 84 anos não é sinônimo de estar morto. Mas Willie também flerta constantemente com sua própria mortalidade, e embarca neste flerte sempre com uma ironia fina e um senso de humor implacável. É bem isso que rola nas sete canções assinadas por ele nesse seu estupendo novo trabalho "God's Problem Child", certamente seu melhor LP desde "Heartland" (1993). Tem jeitão de disco de despedida, como se fosse morrer amanhã, pois além de passar a limpo uma vida inteira de aventuras errantes e malcriações eventuais, ainda tenta negociar uma prorrogação para o jogo que ainda segue rolando. Mas o astral da empreitada está longe de ser baixo. As canções de terceiros escolhidas por Willie para completar o repertório do disco se encaixam perfeitamente no tema principal e ainda recebe participações-surpresa de amigos de uma vida inteira como o roqueiro dos pântanos Tony Joe White e o já saudoso Duque de Oklahoma Leon Russell em sua derradeira gravação. Com mais de 60 anos de carreira pelas costas, Willie Nelson continua o mesmo "cowboy fora da lei". Sua cabeleira ruiva ficou completamente branca, sua voz está um pouco mais cansada que nos anos anteriores e sua agenda de estrada está menos tumultuada e mais confortável do que era antes. Fora isso, Willie segue fazendo o que quer, do jeito que quer e quando quer, sempre guiado por sua até agora infalível "sabedoria cósmica". É um verdadeiro original americano. Merecia um cantinho só para ele, Bob Dylan, John Lee Hooker e Muddy Waters no Monte Rushmore.







LUKAS NELSON AND PROMISE OF THE REAL
LUKAS NELSON AND PROMISE OF THE REAL
(Fantasy)

Lukas Nelson tem muito mais a ver com seu pai Willie Nelson do que aparenta à primeira vista e à primeira audição. As vozes dos dois são parecidas, as canções despachadas de Lukas lembram alguns clássicos de seu pai, e o jeito de vida cigano dois dois é muito semelhante. E mesmo não sendo um intérprete e um compositor com personalidade musical tão bem definida e tão marcante quanto seu pai, Lukas está longe de fazer feio. Sem contar que é um anfitrião musical impecável à frente do Promise Of The Real, uma banda preguiçosa e cativante que passeia por vários gêneros musicais ignorando fronteiras musicais. Não é à toa que qualquer músico, de qualquer gênero, fica rapidamente à vontade no palco ao lado deles. Com mais de 10 LPs lançados -- contando com os dois gravados com Neil Young --, este aqui é o primeiro disco de Lukas Nelson & Promise Of the Real com um padrão de produção superior. Pode parecer bobagem, mas para uma banda com o perfil musical deles seria muito fácil naufragar nas mãos de um produtor inadequado. Felizmente, eles se saem bem nessa prova de fogo, deitando e rolando em 12 canções deliciosas e muito divertidas, numa levada musical descompromissada que alguns chamam de "psychedelic americana". Seja como for, é um disco delicioso, papai está orgulhoso -- ele toca guitarra na balada "Just Outside of Austin" -- e, no final das contas, é isso o que realmente importa. Em outras palavras: divirtam-se!






STEVE EARLE AND THE DUKES
SO YOU WANNABE AN OUTLAW
(Warner Bros)

Quando Steve Earle estreou em 1986 com "Guitar Town", o movimento “outlaw”  criado por insatisfeitos de Nashville -- Waylon Jennings, Willie Nelson, Jessie Colter, Billy Joe Shaver, e ainda Johnny Cash e Kris Kristofferson -- que foram buscar base em Austin, no Texas, já estava em declínio, até porque Nashville havia se rendido a seu anti-conservadorismo. Mas seu legado híbrido, iconoclasta e inortodoxo está presente em praticamente todas as faixas de "Guitar Town". Pois bem: agora chegou a vez de Steve Earle prestar uma homenagem ainda mais explícita a eles. Reativou sua velha banda de country-rock The Dukes e preparou 12 números originais deliciosos, que remetem diretamente aos ideais dos "Insurgentes de Nashville" e também ao som urgente e rasgado de seu início de carreira. O resultado é simplesmente. Traz Steve Earle devidamente rejuvenecido, rapaginado e com o vigor de um menino. Vista seu chapéu de cowboy, xingue seu vizinho e divirta-se com "So You Wannabe An Outlaw" como trilha sonora. 







JUSTIN TOWNES EARLE
KIDS IN THE STREET
(New West)

O tempo passa, o tempo voa, e Justin Townes Earle, filho do grande Steve Earle, já está completando 10 anos de carreira e talvez já possa ser considerado um veterano. "Kids In The Street" é seu 8º Lp e forma uma espécie de trilogia  com "Single Mothers" (2014) e "Absent Fathers" (2015). Numa parceria musical com Mike Mogis, do excelente grupo Bright Eyes, Justin segue por uma trilha cada vez mais distante do alt-folk e do country-rock praticados por seu pai, explorando as mais diversas sonoridades americanas sem se preocupar em ficar inserido em algum gênero que facilite sua classificação perante os classificadores da Billboard. É um belo disco sobre o início da vida adulta, que chega no momento certo de sua vida e com o distanciamento necessário para gerar um tom levemente nostalgico. Um belo trabalho. Se você ainda não conhece o trabalho de Justin Townes Earle, "Kids In The Street" é uma excelente porta de entrada. Sejam bem-vindos.







JEFF TWEEDY
TOGETHER AT LAST
(BbPM)

Lá se vão 30 anos desde que Jeff Tweedy estreou no grupo Uncle Tupelo ao lado do grande Jay Farrar. Nos 7 anos em que permaneceram juntos, os dois criaram um vasto repertório de rocks com um leve sotaque country que levaram a banda a ser comparada a grupos clássicos como The Flying Burrito Brothers e Poco. Mas então, em 1994, o Uncle Tupelo debandou: Farrar montou o grupo alt-country Son Volt enquanto Tweedy criou o grupo alt-rock Wilco -- e, mesmo separados, os seguiram escrevendo páginas importantes da música popular americana moderna. Pois bem: Tweedy vive ameaçando engatar uma carreira solo há tempos, mas esses "discos solo" acabam sendo sempre projetos caseiros e despretensiosos gravados em seu estúdio pessoal nas férias do Wilco. Esse "Together At Last" é mais um desses discos. Traz versões solo-acústicas para canções que se encontram espalhadas pelos álbuns do Uncle Tupelo e do Wilco, e também de duas bandas de quais ele participa como convidado: Loose Fur e Golden Smog. Para os fãs de Tweedy, algumas dessas regravações são surpreendentes. Resgatam uma delicadeza que havia se perdido nas investidas mais pesadas nas gravações originais. Mas para quem não é fã de Tweedy, "Together At Last" pode soar meio sonolento. Não é um bom ponto de partida para esses recém-chegados conhecerem sua obra. Para eles, recomendo os discos originais do Uncle Tupelo e do Wilco, e também os do Loose Fur e do Golden Smog.






CHICO MARQUES
é comentarista,
produtor musical
e radialista
há mais de 30 anos,
e edita a revista cultural
LEVA UM CASAQUINHO
e o blog musical
ALTO & CLARO 

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA QUINTA É NINGUÉM MENOS QUE O MAIOR COMPOSITOR POP BRASILEIRO VIVO


SAUDAMOS OS 74 ANOS DE MARCOS VALLE
RESGATANDO UM RECITAL NA ABL
REALIZADO QUATRO ANOS ATRÁS
ONDE ELE PRÓPRIO COMENTA
SEU REPERTÓRIO ANTES DE TOCÁ-LO.

ENJOY...












quinta-feira, setembro 07, 2017

PACOTEIRA MUSICAL DE FIM DE SEMANA: CRIS BRAUN, AIMEE MANN, TORI AMOS, SHANNON MCNALLY E JOAN OSBORNE

por Chico Marques


Poucos meses atrás, numa entrevista para a BBC-Brasil, o publicitário Washington Olivetto declarou que termos como "empoderamento feminino", "pensar fora da caixa" e "quebrar paradigmas" não passam de clichês constrangedores criados de forma irresponsável por publicitários, que, por algum motivo, acabam sendo absorvidos pela sociedade sem o menor questionamento.

"São todos primos-irmãos de um baixo nível intelectual do 'beijo no coração'. A gente tem que fugir desses clichês a qualquer custo", afirmou Olivetto.

Muita gente -- publicitários, principalmente -- reclamou do que Olivetto disse, mas poucos tiveram coragem de assumir que o termo "empoderamento feminino", por exemplo, não passa de uma série de posicionamentos feministas clássicos requentados no forno de microondas das redes sociais por alguma ONG.

O que isso tem a ver com os 5 discos que vamos comentar hoje?

Tudo a ver.

São discos de 5 mulheres naturalmente poderosas, mulheres de muito talento, que nunca precisaram se amparar em clichês criados por publicitários para exercitar qualquer modalidade de auto-afirmação.

Todas as cinco podem ser consideradas veteranas, mas nenhuma delas está acomodada em sua carreira.

Todas elas continuam matando um leão por dia para manter seus lugares ao sol duramente conquistados no meio fonográfico 

Nenhuma delas tem menos de 25 anos de carreira.

A mais jovem tem 44 anos de idade.

A mais velha, 57.

Vamos a elas:

CRIS BRAUN E DINHO ZAMPIER
FILME
(Trattore)

Acompanhar a carreira da cantora, compositora e guitarrista mezzo-gaúcha, mezzo-carioca (e agora alagoana honorária) Cris Braun nos últimos 25 anos tem sido uma aventura e tanto. Este “Filme” é seu 6º disco (se contarmos os 2 gravados no início dos Anos 90 com os Sex Beatles, ao lado de Alvin L), e é, disparado, o trabalho mais arrojado e inclassificável elaborado por uma artista surgida na retomada do rock brasileiro dos Anos 80 e 90. Conforme o mercado fonográfico foi estreitando, impondo limites e enquadrando quem quisesse permanecer nele, Cris não hesitou em sair na contramão e virar artista independente. Gravou belos discos como “Atemporal” (2004) e “Fábula” (2010), que encantaram setores da crítica, mas, por não fazerem concessões ao grande público, acabaram sendo apreciados apenas por iniciados em seu trabalho. Dessa vez, Cris uniu forças com o tecladista, arranjador e produtor musical alagoano Dinho Zampier, e deu a luz a essa curiosa e envolvente sequência de vinhetas musicais e canções breves que funcionam mais ou menos como a trilha sonora de um road-movie bem brasileiro --que nunca foi rodado, mas que passa o tempo todo na cabeça deles dois. São 11 temas musicais num disco curto, com apenas 23 minutos de duração, mas com um foco muito claro na diversidade musical que, cada vez mais, faz parte do dia a dia de Cris, onde cabe tanto um forró eletrônico como “A Louca Chama” (onde Zampier age como um Gary Numan do Agreste) quanto um poema musical denso e arrebatador como “Cheio” (que remete tanto a Caetano Veloso quanto a Patti Smith). Não é um disco fácil. Nem vai tocar no rádio. Mas é a cara de uma artista irrequieta de 55 anos de idade que é incapaz de repetir num novo trabalho o mesmo “mood” do disco anterior, e que não cansa de se reinventar. “Filme” chega às lojas em formato físico em meados de Setembro. Aguardem. Vale a pena.





AIMEE MANN
MENTAL ILLNESS
(SuperEgo)

Não sei quanto a vocês, mas eu acho uma puta sacanagem que, mesmo depois da obra densa e extensa que desenvolveu nos últimos 25 anos, Aimee Mann continue sendo lembrada pela sonolenta balada ”Voices Carry”, gravada em 1985, quanto ainda fazia parte do insípido grupo pop Til Tuesday. O fato é que, aos 57 anos de idade, Aimee é, juntamente com Tori Amos, a compositora americana mais de sua geração, e desde que ganhou projeção mundial com as canções que compôs para a trilha do filme “Magnolia” (2000), de Paul Thomas Anderson, vem gravando discos inusitados e brilhantes, sempre com canções arrebatadoras. “Mental Illness” é seu nono trabalho solo, e tem um jeitão bem atemporal. Parece ter sido gravado nos anos 70. Ecos de canções do Bread e da dupla Loggins & Messina estão por toda parte, em canções delicadas que falam sobre inadequações existenciais e dificuldades de viver nos tempos atuais. Se por um lado “Mental Illness” não destoa de seus trabalhos anteriores, por outro acentua ainda mais a já tradicional melancolia agridoce de seu repertório, graças ao formato 100% acústico que ela adotou, com violões, percussão básica e arranjos de cordas bem suaves. É como se ela tivesse conseguido finalmente equilibrar sua produção musical num formato aconchegante, que a mantém equidistante tanto da depressão quanto da euforia, flertando de longe com os silêncios e abismos existenciais que permanecem como seu tema principal. É um disco muito triste, muito bonito, e sob medida para este finalzinho de Inverno. Mas que deve seguir para seu cantinho na estante assim que o sol voltar e a Primavera começar.





TORI AMOS
NATIVE INVADER
(Decca)

Quem diria que aquele ruivinha turbulenta, filha de um pastor metodista, que surgiu no meio musical no início dos Anos 90 em discos desconcertantes como “Little Earthquakes” e “Under The Pink”, que chocaram até mesmo putas velhas como Iggy Pop e Kim Fowley, iria chegar aos 54 anos de idade com 15 discos na bagagem? Pois Tori Amos não só conseguiu, como se reinventou diversas vezes ao longo deste processo. Seu novo disco, “Native Invader”, é talvez o disco mais engajado politicamente que já gravou. Apesar de não fazer menção a Donald Trump em momento algum, fica claro desde o início que o alvo da maioria das canções não é outro senão ele, e também suas políticas retrógradas para agradar sua base eleitoral conservadora e saudosista da América pujante dos Anos 50. Mas Tori não é imediatista como Neil Young. Ao contrário dele, não deixa que essas suas canções inconformadas fiquem datadas e acabem tendo vida curta. É sempre bom lembrar da grandeza artística de outros projetos conceituais desenvolvidos por Tori Amos, como “Scarlett’s Walk” (2002) e particularmente “Strange Little Girls”, uma coleção de canções clássicas escritas por homens e reinventadas por uma ótica feminina. Ela definitivamente não tem (nunca teve) simpatia por projetos imediatistas, por mais urgentes que suas canções às vezes possam parecer. Merece um destaque especial “Up The Creek”, onde o tema é aquecimento global e ela divide a cena com sua linda filha, Natashya Hawley, dona de uma voz pequenininha, mas que casa maravilhosamente bem com a de sua mãe. “Native Invader” é um disco contundente. Não poderia ser outra coisa, vindo de quem vem.






SHANNON MCNALLY
BLACK IRISH
(Compass)

Shannon McNally nasceu em Nova York há 44 anos, mas gosta de afirmar que sua alma musical está no Texas. Desde seus primeiros discos, ao lado do guitarrista Doyle Bramhall II, ela passeia por um repertório que mescla blues, rock e country como se nada separasse um gênero do outro, e isso, de certa forma, dificultou um pouco sua entrada em muitas rádios mais específicas, além de torná-la pouco atraente para algumas gravadoras. Mas Shannon nunca se importou de ter que seguir os caminhos mais difíceis para chegar onde ela queria. Agora, com esse “Black irish”, não há a menor dúvida de que ela chegou a algum lugar bem interessante. Alternando ótimas canções próprias com releituras brilhantes para números como “It Makes No Difference”, (de Robbie Robertson, gravado por The Band), “I Ain’t Gonna Stand For It” (de Stevie Wonder,) “Low Rider” (de J J Cale), “Stuff You Gotta Watch” (de Muddy Waters) e “Let’s Go Home” (de Pops Staples, gravado pelos Staple Singers), Shannon mostra que não tem medo de encarar canções que, até então, pareciam já ter gravações definitivas. Sem contar que “Black Irish” é o primeiro disco de Shannon em 5 anos, depois de encarar um divórcio confuso e largar tudo para virar enfermeira de sua mãe por 4 longos anos, até sua morte no ano passado. O disco doi concebido lentamente em trocas de e-mails com seu amigo e produtor Rodney Crowell, parceiro musical de Emmylou Harris por muitos e muitos anos. Na hora de gravá-lo, saiu rapidinho. E os dois já tem um segundo disco praticamente finalizado para lançamento no ano que vem. Eu sou suspeito para falar de Shannon McNally. Sou fã do trabalho dela desde o começo e a acho talentosíssima e sub-avaliada pela crítica. Quem sabe a partir de “Black Irish” isso começa a mudar de figura.






JOAN OSBORNE
SONGS OF BOB DYLAN
(Womanly Hips)

Assim como Shannon McNally, Joan Osborne também vem desafiando classificações mercadológicas ao longo dos últimos 25 anos. Mas é tão talentosa e dona de um trabalho tão consistente em termos artísticos que nada parece conseguir derrubá-la. Todos com certeza lembram de seu sucesso estrondoso de 1995, “One Of Us”, que emplacou nas paradas do mundo todo (Brasil, inclusive), fazendo dela uma estrela aos 33 anos de idade. Desde então, ela vive sendo cobrada para compor uma nova ”One Of Us”, sempre diz que vai tentar, e depois desconversa. E então, sem aviso prévio, pega umas rotas musicais curiosas e sai gravando discos de country, soul, jazz e blues (e também produzindo discos de artistas clássicos de blues). Resultado: devem tê-la achado uma louca, e desistiram de cobrar dela outra “One Of Us”. Nesses passeios por praticamente todas as vertentes da música americana, Joan Osborne revelou-se uma intérprete do tipo que reinventa como compositora o repertório alheio. Seu novo disco só com canções clássicas de Bob Dylan está arrebatando a todos -- até ao próprio Dylan, que enviou a ela uma mensagem muito carinhosa um dia desses. É um trabalho magnífico, onde ela cria com novas roupagens musicais canções que estão incluídas, principalmente, nos discos “Blonde On Blonde” e “Blood On the Tracks”, aparentemente seus favoritos na longa discografia de Dylan. A ideia veio depois que Joan foi convidada para fazer uma temporada no lendário Café Carlyle, em Nova York, dentro de um projeto com shows temáticos, onde cada performer convidado homenagearia um compositor clássico. No início, Joan pensou no glorioso histórico do Carlyle e ficou na dúvida entre os repertórios de Harold Arlen ou de Irving Berlin. Mas então, Bob Dylan ganhou o Nobel, e ela pensou: “Bom, agora Dylan é um clássico, gostem disso ou não, e sendo assim meu show no Café Carlyle vai ser só com canções dele.”





CHICO MARQUES
é comentarista,
produtor musical
e radialista
há mais de 30 anos,
e edita a revista cultural
LEVA UM CASAQUINHO
e o blog musical
ALTO & CLARO 




terça-feira, agosto 29, 2017

NOSSA GRANDE ANIVERSARIANTE DE HOJE É A DIVINA E MARAVILHOSA DINAH WASHINGTON


CELEBRAMOS O ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO
DA MAGNÍFICA DINAH WASHINGTON
RESGATANDO UM DE SEUS DISCOS
MAIS ASSUMIDAMENTE JAZZÍSTICOS.

ENJOY...










NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA VOAVA COMO NINGUÉM E ERA CONHECIDO POR BIRD


SAUDAMOS O ANIVERSÁRIO DO GENIAL
CHARLIE PARKER
RESGATANDO UM DOCUMENTÁRIO DA BBC-TV
INTITULADO THE CHARLIE PARKER STORY

ENJOY...