segunda-feira, fevereiro 09, 2015

A ESTRÉIA TARDIA DE UMA CAIPIRINHA DE NASHVILLE MUITO TALENTOSA: BRANDY CLARK


A cada ano que passa, Nashville, a outrora capital conservadora da country music, fica mais e mais progressista e plural em termos musicais.

A cidade se empenhou para valer nos últimos 15 ou 20 anos não só para incorporar todas as "novidades" mescladas ao gênero nos Anos 1960 e 1970 como também para se afirmar novamente como a "Capital Musical do Coração da América".

E conseguiu.

Claro que, para viabilizar isso, as divisões das grandes gravadoras instaladas na cidade começaram a contratar compositores, músicos de estúdio e produtores jovens vindos de todos os cantos do país, se possível com experiência nas cenas Indie e Americana.

E então, de uma hora para outra, uma legião de jovens talentos ajudou Nashville a deixar o ranço e a mesmice de lado para preparar a música da cidade para a Século 21.

Os resultados está aí, para quem quiser ver. A Cena Country de lá é atualmente um dos filões mais prósperos da Indústria Fonográfica americana. Não é à toa que a revista Rolling Stone passou a ter cobertura intensiva na cena da cidade do ano passado para cá.

Se antes todo jovem artista pop rumava para Austin, Los Angeles ou Nova York para tentar a sorte, hoje ele sabe que terá em Nashville um destino bem mais acolhedor.


Brandy Clark, por exemplo, começou sua carreira em Seattle e seguiu para Nashville em 1997 para tentar se profissionalizar como cantora e compositora. 

Foi bem recebida pela cidade, mas foi rejeitada como cantira, conseguindo trabalho apenas como compositora.

Suas canções logo chamaram a atenção, e começaram a ser requisitadas por artistas de primeiro time como LeAnn Rimes, Reba McIntire, Keith Urban, Miranda Lambert e Sheryl Crow.

Em não muito tempo, Brandy já estava integrada à nata dos compositores que trabalham na cidade, e as encomendas não paravam de chegar.

Mas ela queria mais do que isso: queria poder cantar suas próprias canções, gravar seus próprios discos, deixar de ser apenas um nome nos créditos para virar a atração principal.

Demorou um bom tempo para alcançar isso. Uma demo com várias canções circulou por mais de dois anos por várias mesas de executivos da cidade, sem sucesso.

Até que ano passado, com o apoio de vários artistas amigos que são parceiros eventuais em canções -- como Miranda Lambert, Ashley Monroe, Shane McAnnaly e Kacey Musgraves --, Brandy recebeu o empurrão que faltava, e finalmente conseguiu um contrato para gravar um LP só dela.
"12 Songs" é o seu trabalho de estréia, aos 37 anos de idade.

É uma coleção de canções estranhas, com um senso de humor muito peculiar e ironias às vezes implacáveis, que possivelmente não encontrariam lugar nos repertórios da maioria dos artistas da cidade.

Em suas próprias palavras: "O tom dessas doze canções é o de uma comédia sombria, porque a realidade é ao mesmo tempo dura e engraçada, e é importante saber rir de tudo isso. Minha inspiração vem de pessoas que conseguem diariamente sobreviver a seus próprios cotidianos. Parece brincadeira, mas não é nada fácil".

"12 Songs" contrapõe canções sobre mulheres completamente destrambelhadas ("Crazy Women", "The Day She Got Divorced"), famílias disfuncionais ("Pray To Jesus", "Just Like Him") e excessos químicos ("Hungover", "Get High") com outras canções que são de uma delicadeza ímpar -- como a balada "Hold My Hand", em que ela divide os vocais com Vince Gill.

Como sempre acontece quando algum compositor vira artista solo, muitos artistas com quem ela já trabalhou fizeram questão de aparecer no estúdio para contribuir com participações especiais, e com isso dar um status all-star para a estreante.

Mas, para que essa alquimia funcione direito, é preciso que os convidados se sintam em casa.

Felizmente, aqui em "12 Songs", todos estão em casa.


Brandy Clark concorreu nas categorias "Artista Revelação do Ano" e "Melhor Album Country" na última edição do Grammy dia 8 de Fevereiro.

Não levou, mas perdeu para sua parceira Miranda Lambert -- o que pode ser considerado quase uma vitória.

Mas tudo bem, a temporada de prêmios da Indústria Fonográfica está apenas começando, e alguma coisa muito boa certamente está guardada para "12 Songs".

O importante, na verdade, é que graças a artistas desalinhados como Brandy Clark, Miranda Lambert, Ashley Monroe, Shane McAnnaly e Kacey Musgraves, a música de Nashville perdeu a palidez e rejuvenesceu, voltando a ser "a cara da America".

Para quem tiver interesse em se iniciar nesse território musical, "12 Songs" é uma excelente porta de entrada, e Brandy uma ótima anfitriã.

WEBSITE OFICIAL
http://www.brandyclarkmusic.com/

AMOSTRAS GRÁTIS

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