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quinta-feira, junho 15, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA QUARTA É SIMPLESMENTE UM DOS MÚSICOS POP INGLESES MAIS BRILHANTES E MAIS CRIATIVOS DE TODOS OS TEMPOS


ROD ARGENT, GRANDE TECLADISTA INGLÊS,
COMANDANTE DO GRUPO THE ZOMBIES DESDE 1961,
COMPLETA 72 ANOS EM PLENA ATIVIDADE,
COMO VOCÊ PODE CONFERIR
NESTE SHOW DELICIOSO
DE QUATRO ANOS ATRÁS.

  ENJOY...









quarta-feira, outubro 28, 2015

2 OU 3 COISAS SOBRE "STILL GOT THAT HUNGER", NOVO LP DOS VETERANÍSSIMOS ZOMBIES

por Chico Marques


Dizer que a música dos Zombies sempre esteve muito à frente do seu tempo equivale a chover no molhado. 

Quando o grupo surgiu num subúrbio londrino em 1961, não havia nada remotamente semelhante a eles em toda a Inglaterra. O piano e o órgão Hammond B-3 bem jazzísticos de Rod Argent pareciam ter sido feitos sob medida para emoldurar a voz intensa e cristalina de Colin Blunstone. E a alquimia resultante disso gerou logo de cara singles curiosos como “She´s Not There” e “Tell Her No” – que, por mais estranhos que fossem para a época, conseguiram pegar carona na British Invasion e acabaram emplacando nas paradas americanas, mesmo tendo passado quase despercebidos nas paradas inglesas. 

A maldição dos Zombies é que eles não conseguiam ser uma banda de singles. Eram arrojados demais para o hit parade britânico. Deram o azar de surgir numa época em que havia a obrigação de emplacar singles nas paradas para só então poder realizar um LP.



Então, depois de uma série de singles que infelizmente não emplacaram nas paradas, os Zombies acabaram descartados pela Decca Records. Rod Argent e Colin Blunstone, desanimados, reuniram os membros da banda e decidiram que gravariam só mais um LP. Assinaram um contrato de um disco só com a Columbia, que repassou para eles uma verba quase ridícula, que os impedia até de contratar músicos adicionais para o projeto -- tanto que Argent teve que emular os arranjos da orquestra num mellotron, algo inédito na época. 

O descaso da Columbia para com eles foi tamanho que ninguém se preocupou em supervisionar o trabalho dos rapazes. Resultado: sem qualquer compromisso em emplacar um LP de sucesso, os Zombies produziram “Odessey & Oracle” (1967), uma pequena obra prima pop psicodélica, que acabou lançada sem publicidade na Inglaterra e por pouco não teve uma edição americana. Se Al Kooper, fã de banda e também contratado da Columbia, insistindo tanto com o pessoal da gravadora, "Odessey & Oracle" jamais teria cruzado o Atlântico.



Então, o inusitado acontece: quase dois anos após o lançamento do LP na Inglaterra, com todos os membros da banda já trabalhando em outros projetos, alguém na Columbia americana decide lançar “Time Of The Season”, uma das canções de “Odessey & Oracle”, no formato single, e a música explode misteriosamente nas paradas do mundo todo. 

A saia justa dos integrantes dos Zombies foi enorme, já que nenhum dos integrantes originais dos Zombies pretendia voltar atrás na decisão de aposentar a banda. Rod Argent já tinha montado o Argent, banda progressiva de muito sucesso nos anos 70, e Colin Blunstone estava lançando seu primeiro disco solo. Pela primeira vez na história da música popular, uma banda chegava ao seu apogeu dois anos depois de ter encerrado carreira.



Nos anos 1980 e 1990, Rod Argent e Colin Blunstone voltaram a contracenar em diversas ocasiões. Argent firmou-se como produtor de sucesso, ajudando a viabilizar as carreiras de vários artistas ascendentes, como Tanita Tikaram e Jules Shear, enquanto Blunstone seguiu com LPs solo sempre muito bem recebidos por crítica e público. 

Até que, em 2000, inventaram de gravar um disco juntos. E esse disco fluiu tão bem que os dois, saudosos dos velhos tempos, decidiram ressucitar os Zombies para uma pequena tournée de 6 datas. Que acabou durando mais de 10 anos, num sinal claro de que a sintonia entre os dois velhos parceiros permanecera inabalada depois de tantos anos.



Foi quando Rod Argent e Colin Blunstone tomaram coragem para lançar um LP repleto de canções inéditas , que eles andaram testando ao vivo nos shows. “Breathe Out, Breath In” (2010) foi saudado pela crítica e pelo público cativo da banda como um disco impecável, de altíssimo gabarito artístico, que não pretendia em momento algum atualizar a sonoridade dos Zombies e muito menos recomeçar de onde “Odessey & Oracle” parou. 

Na verdade, funcionava como um registro de como Argent e Blumstone pensam e agem musicalmente nos dias de hoje. Não é nenhum exagero afirmar que desde “Before We Were So Rudely Interrupted” (1977), dos Animals, não se via um LP de retorno de uma banda clássica tão honesto e íntegro quanto este.



Agora, cinco anos mais tarde, a história se repete.

E os Zombies retornam com um novo álbum de canções inéditas chamado apropriadamente "Still Got That Hunger". É um LP menos replexivo que o anterior e mais "straight forward", com muitas guitarras gritando o tempo todo e um repertório menos calcado em baladas. O foco principal aqui é no blues acelerado, que, de certa forma, remete mais à sonoridade do grupo Argent -- que Rod Argent comandou nos Anos 70, com muito sucesso -- , do que propriamente ao som tradicional dos Zombies. 

A capa lembra "Odessey & Oracle", e deixa no ar a idéia de que se os Zombies não tivessem encerrado em 1968, provavelmente teriam seguido em frente com uma levada musical bastante semelhante à essa praticada neste disco. Das dez canções que compõem o disco, apenas uma, "I Want You Back Again", é regravação -- bem original, diga-se de passagem -- de um número clássico da banda de 1965. 

Claro que todas as outras nove são marcantes, cada uma à sua maneira. Eu, pessoalmente, fiquei encantado com as baladas pop jazzísticas "And We Were Young Again", "Chasing The Past", ambas excelentes. "New York" não fica atrás: trata-se de uma saudação à cidade, com um relato curioso da primeira vez em que Rod e Colin visitaram a cidade nos Anos 6O e assistiram a uma apresentação de Aretha Franklin. saindo completamente encantados com tudo o que a cidade lhes proporcionou e, de certa forma, lhes ensinou. 

Todas as outras canções são, acima de tudo, eficientes e bem posicionadas na sequência do disco. São canções do tipo que gruda e não sai mais do ouvido. E o mais curioso é que todas parecem ter sido arranjadas da maneira mais descomplicada possível, para poderem ser tocadas na estrada sem maiores problemas.



Definitivamente, não se faz mais compositores como Rod Argent. Quebraram a forma. Ele permanece um compositor, arranjador e pianista espetacular, sempre imaginativo ao extremo, referência fundamental na formação musical de craques como Donald Fagen (Steely Dan) e Jay Ferguson (Spirit, Jo Jo Gunne). 

Quanto a Colin Blunstone, ele permanece o mesmo grande cantor com voz de veludo de sempre. Pode parecer absurdo o que vou dizer agora, mas ele canta melhor hoje, com meio século de carreira nas costas, do que cantava em 1967, quando gravou "Time Of The Season".

Aliás, é bom frisar que tanto Rod Argent quanto Colin Blunstone acabam de completar 70 anos de idade extremamente bem vividos. Juntos, formam uma das parcerias musicais mais criativas e mais longevas da história do rock and roll. 

Assim, só nos resta desejar que os Zombies continuem assim por mais quanto tempo ainda for possível. E nunca deixem de eventualmente presentear a si próprios -- e a nós também, claro -- com discos deliciosos como esse "Still Got That Hunger".

Quem viu The Zombies ao vivo este ano no Festival South By Southwest em Austin, Texas, ficou maravilhado com o poder de fogo da banda. 

A foto abaixo foi tirada no show, e, de certa forma, diz tudo. 



WEBSITE OFICIAL

DISCOGRAFIA COMENTADA

AMOSTRAS GRÁTIS










terça-feira, agosto 26, 2014

AS PÉROLAS DO SUPERDRAG, RESGATADAS POR SEU INCANSÁVEL COMANDANTE JOHN DAVIS.


Power Pop, para quem desconhece o termo, é basicamente "pop melódico com harmonias vocais, tocado com instrumentação de rock and roll: guitarras, baixo e bateria".

Nenhuma grande novidade, como vocês podem perceber.

The Beatles foi, de certa forma, a primeira banda Power Pop.

O "de certa forma" fica por conta do termo ter sido calcado um ou dois anos depois do fim dos Beatles para classificar grupos musicalmente derivados deles -- como o inglês Badfinger e os americanos Raspberries e Big Star.

Essas três bandas, juntamente com Dwight Twilley e Phil Seymour, acabaram virando os maiores expoentes desse movimento nos anos 70, e se tornaram ícones muito respeitados até hoje.
O número de bandas Power Pop surgidas dos anos 80 para cá é gigantesco.

Nenhuma delas sonha em ser os novos Beatles.

Mas todas sonham em ser tão boas quanto o Big Star.

E, com isso, conseguem mantém vivo um conceito musical que se acomoda bem a qualquer novo contexto de mercado, sem sofrer restrições da maioria dos segmentos rock e pop.

É sempre bom lembrar que quando os dois LPs clássicos do grupo Big Star surgiram no início dos anos 70 lançados pelo selo independente Ardent, quase ninguém fora de Memphis percebeu a existência deles.

O tempo passou, a banda acabou, e só então se deram conta de que aquela pequena banda de Memphis não só era grande como poderia ter ido longe se ao menos tivesse tido uma chance melhor do que teve.

Exemplos como o do Big Star viraram pesadelos para o departamentos de A&R de grandes gravadoras, que ignoraram e continuam ignorando artistas desse gabarito -- seja por descuido, ou por falta de visão mesmo.



Então, 20 anos mais tarde, quando os executivos da Elektra Records viram um EP com 8 músicas de uma banda de rock do Tennessee, entitulado 'The Fabulous 8-Track Sound Of Superdrag", eles com certeza lembraram do Caso Big Star e não pensaram duas vezes: contrataram na hora o quarteto dos guitarristas e compositores John Davis e Brandon Fisher, para depois decidir o que fazer com eles.

E o Superdrag emplacou logo de cara um disco bem urgente e repleto de números bem grudentos, "Regretfully Yours", que fez uma boa carreira pelo mundo afora em 1996.

Dois anos mais tarde, o Superdrag voltou com um trabalho intrincado, conceitual, extremamente melódico e psicodélico entitulado "Head Trip In Every Key", que foi um sucesso absoluto de crítica e um fiasco de vendagens para a Elektra, pois consumiu muitas horas de estúdio para ser produzido e custou muito caro.

Em consequência disso, executivos da Elektra decidiram que o próximo disco da banda teria que ser realizado com menos de um terço do tempo e do dinheiro gastos no disco anterior, e eles não concordaram. Resultado: acabaram desligados da gravadora.

De 2000 para cá, já independentes, gravaram 4 discos de primeira grandeza e mantiveram o nome Superdrag como herdeiro musical legítimo tanto do legado musical do Big Star quanto do de outras bandas dos Anos 90, como os Posies de Ken Stringfellow e os Replacements de Paul Westerberg..



O Superdrag está inativo desde 2010, mas John Davis não.

E já que o baú do Superdrag está repleto de surpresas, os lançamentos não param de chegar às lojas.

Ano passado, os dois  primeiros CDs da banda foram relançados no formato LP -- como a banda sempre quis, mas a Elektra nunca permitiu.

E agora, o Superdrag acaba de lançar dois LPs impecáveis com demos e faixas gravadas em 1997 nos Estúdios Trident, que permaneciam inéditas até agora.

"Jokers W/ Tracers" é surpreendente, e mostra claramente como a formação original do Superdrag tinha gabarito para produzir tanto números urgentes quanto vôos musicais impressionantes.

Boa parte do repertório desses dois LPs é conhecido dos discos que a banda gravou de 1998 em diante, mas não com o pegada truculenta dessas gravações.

"Jokers W/ Tracers" revela o que muita gente já sabia: as demos do Superdrag são intensas e implacáveis, e muitas vezes superiores ao produto final de seus melhores discos -- o que faz desse lançamento um ítem obrigatório na discoteca de qualquer admirador da banda.

Diz o temperamental líder John Davis que espera com esses lançamentos sensibilizar seus velhos bandmates para que desconsiderem todas as picuinhas do passado e se animem a cair na estrada novamente e, quem sabe, voltem a gravar juntos de novo como Superdrag.

A julgar pela boa receptividade que o disco está tendo, é bem provável que Davis consiga seu intuito e o Superdrag ressurja das cinzas em breve.

"Jokers W/ Tracers" revela uma banda viva demais para se dar ao luxo de permanecer inativa. 

E esse é um dilema que o Superdrag vai ter que, de alguma maneira, resolver.


WEBSITE
http://arenarock.com/bands/superdrag/

DISCOGRAFIA
http://www.allmusic.com/artist/superdrag-mn0000751256/discography

AMOSTRAS GRÁTIS