SAUDAMOS OS 97 ANOS DE NASCIMENTO DO ELEGANTÉRRIMO PIANISTA AMERICANO BILLY TAYLOR RESGATANDO UMA PERFORMANCE DELE AO LADO DE DAVE BRUBECK PARA O PROGRAMA DE TV DO GRANDE RAMSEY LEWIS ENJOY...
A reclamação mais constante que se ouve da produção jazzística do pianista Chick Corea é que é cerebral demais e divertida de menos.
Só que essa reclamação nunca valeu para os deliciosos discos que grava de tempos em tempos ao lado do vibrafonista Gary Burton.
Corea e Burton formam uma parceria extremamente bem sucedida que já dura 38 anos, e que se renova a cada 12 meses numa nova série de shows que, eventualmente, acabam virando discos também.
Em todas essas apresentações -- e também em todos esses LPs -- a sensação que fica é que os dois estão sempre brincando no palco como se fossem seus heróis musicais Milt Jackson e John Lewis.
E, claro, se divertindo mais do que a platéia.
“Hot House” é o oitavo e mais recente desses LPs.
Aqui, eles passeiam por um repertório bem variado, que inclui temas de Art Tatum, Bill Evans, Dave Brubeck, Tadd Dameron e Thelonious Monk.
Perfeitamente combinados com eles, temos também uma releitura lindíssima de “Eleanor Rigby”, de John Lennon e Paul McCartney, e dois números clássicos da bossa nova assinados por Tom Jobim: “Chega de Saudade” e “O Amor Em Paz”.
Aliás, passear é um termo adequadíssimo para definir o que eles fazem nesses encontros musicais.
De qualquer maneira, o resultado final desses encontros é sempre jazz impressionista de primeiríssima grandeza.
Para fugir um pouco ao descompromisso do repertório habitual deles nos últimos tempos, os dois números de encerramento de “Hot House” são originais intrincados -- mas nem por isso sisudos -- de Chick Corea, que contam com a participação da Harlem String Orchestra: “My Ship” e “One For Mozart”.
Ah, que bom seria se todos os casamentos fossem prósperos e saudáveis quanto o desses dois...