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terça-feira, maio 12, 2015

PREPAREM SEUS CORAÇÕES: J. D. SOUTHER, O PRÍNCIPE DA CALIFÓRNIA, ESTÁ DE VOLTA.

John David Souther é um príncipe da cena do bittersweet country rock californiano.

Nunca teve a projeção de seus amigos Jackson Browne e James Taylor. Não quis permanecer coadjuvante de Linda Ronstadt, sua ex-namorada e melhor intérprete, com quem gravou duetos lindíssimos. Podia ter sido um dos Eagles, mas permaneceu aguardando seu momento, que quase chegou em 1972. E quase chegou novamente em 1974. E quase chegou em 1978 e 1984, até que, endividado com gravadoras, ele cansou, e seguiu por outros caminhos.

Sumiu do mapa musical pop americano por nada menos que 25 anos.

Voltou oito anos atrás, já sessentão, com um trabalho classudo e jazzificado, totalmente diferente do que fazia antes, onde além de se reinventar como compositor, passou a explorar seu belo timbre vocal de forma ampla e inusitada, deixando no ar a pergunta: 

Será que é dessa vez que a carreira musical de J. D. Souther vai finalmente deslanchar para valer?
A julgar por seu novo disco, "Tenderness" (um lançamento Sony Masterworks), credenciais não faltam para isso.

Dessa vez ele uniu forças ao grande produtor Larry Klein -- parceiro de Joni Mitchell em seus discos derradeiros --, que montou uma banda impecável com Dean Parks (guitarras), David Pilch (baixo), Jay Bellerose (bateria), Patrick Warren (teclados) e Till Bronner (trompete) para por a prova os arranjos que preparou para as novas canções de Mr. Souther.

Canções ótimas, diga-se de passagem. Algumas com um sotaque mais jazzístico, outras com um sotaque mais folk, outras mais pop -- gêneros musicais pelos quais ele trafega tranquila e delicadamente desde sempre.

O conceito do "Tenderness", que batiza o disco, vem da canção "Dance Real Slow", uma balada lindíssima, de partir o coração. 

Igualmente linda é "This House", só que ainda mais intimista, e mais em sintonia com o trabalho que ele desenvolvia nos anos 1970. 

"Horses In Blue" vai pelo mesmo caminho, e lembra suas inspiradíssimas colaborações com Linda Ronstadt. 

E o que dizer de "Come What May", um número que já nasce com jeitão de stardard para qualquer cantor ou cantora que se habilite?

É bom lembrar que o jazz dá a luz de sua graça em várias faixas do disco. "Downtown (Before The War)" é um número intrincadíssimo, desde a composição ao arranjo. 

E "Show Me What You Mean", num uptempo extremamente perigoso, como o próprio título já indica, traz a voz de Mr. Souther se entrelaçando com uma trama de piano e trompete propositadamente desalinhados, proporcionando resultados sensacionais.

Eu, se tiver que escolher um número favorito, fico com "Need Somebody", uma balada adoravelmente melancólica, que lembra vagamente "The Sad Cafe", dos Eagles -- mas infinitamente superior.
Como eu disse lá atrás, credenciais não faltam a John David Souther para que sua carreira decole afinal, e ele deixe de ser exclusividade de uns poucos que ainda lembram de seu início de carreira nos anos 1970, à frente do Lonesome Pennywhistle e da Souther Hillman Furay Band, e de seus notáveis primeiros discos solo.

Só nos resta torcer para que, aos 69 anos de idade, o tão esperado reconhecimento ao trabalho deste californiano da gema, requintado e talentoso, venha finalmente dessa vez.

"Tenderness" merece a sua atenção. 

Não deixe esse belo disco passar desapercebido em sua vida. 



AMOSTRAS GRÁTIS




terça-feira, maio 29, 2012

JOE WALSH ASSUME SUA PORÇÃO ANALÓGICA SEM MEDO DE VIRAR UM DINOSSAURO DO ROCK



Em 1970, quando Pete Townshend ouviu o LP “The James Gang Rides Again”, ele quase enlouqueceu ao descobrir em Joe Walsh -- comandante da James Gang -- uma espécie de alma gêmea dele, e não sossegou enquanto não foi conhecê-lo pessoalmente.

É fácil de entender o porquê disso. 

Os pontos de vista musicais dos dois convergiam de uma maneira muito interessante -- tanto que muitas idéias musicais que Townshend ouviu no disco da James Gang foram preciosas na elaboração de “Who´s Next”, o grande álbum do Who de 1971.

Não demorou e os dois se conheceram pessoalmente, viraram amigos e nunca mais pararam de trocar figurinhas musicais.



As semelhanças entre Walsh e Townshend não eram poucas.

Assim como Townshend, Joe Walsh também tocava guitarras, piano, órgão, sintetizadores, compunha e era um arranjador de mão cheia.

Assim como Townshend, o toque de Walsh na guitarra era único – em particular no uso essencialmente roqueiro do slide, pela primeiríssima vez totalmente fora do contexto do blues.

Para completar o quadro, a voz de Walsh, assim como a de Townshend, era bem pequena – deficiência que Walsh sempre contornou com truques de amplificação que a faziam soar estranhamente distante na mixagem final, como se estivesse saindo de um megafone pouco amplificado, o que deixou Townshend fascinado.


Joe Walsh deixou a James Gang em 1972 para seguir uma carreira solo extremamente bem sucedida e virar um dos músicos mais festejados da cena americana – ainda mais depois que uniu forças com os Eagles (foto), tornando-se o guitarrista principal da banda.
 
Só que, infelizmente, com o advento dos famigerados anos 1980, Walsh viu a venda de seus discos cair drasticamente ao longo dos anos e, para não ter que se render às novas regras pouco confortáveis do mercado, manteve-se como guitarrista dos Eagles e uniu forças ao seu velho camarada Ringo Starr, estabelecendo uma parceria musical que dura até os dias de hoje.

Com isso, sua carreira solo entrou numa hibernação bastante prolongada. 

Seu último disco solo, “Songs From A Dying Planet”, data de 1993.


E então, eis que, 19 anos mais tarde, aos 65 anos de idade, Joe Walsh ressurge com um disco impecável, vigoroso, muito divertido e eloqüente da primeira à última faixa.

“Analog Man” é uma brincadeira bem bacana que ele e o produtor Jeff Lynne fizeram em Nashville pouco antes das gravações do último disco de Paul McCartney, "Kisses On The Bottom", do qual participa.

É um disco descomplicado, feito com poucos recursos e muita criatividade, onde Walsh promove as guitarradas habituais sobre várias texturas de bateria, e contracena com efeitos especiais muito divertidos e coloridos criados por um rejuvenecido Jeff Lynne.

Aliás, qualquer músico rejuvenece ao lado de Joe Walsh.

Seu bom humor é contagiante, e está presente em tudo o que ele faz.

Já na faixa título, que abre o disco, ele fala das dificuldades em adequar sua personalidade analógica à era digital -- e só os mais desavisados acreditam nisso, já que todo o aparato envolvido na faixa soa propositadamente digital, com exceção da guitarra, que entra sempre furiosa.

Todas as faixas de “Analog Man” são de altíssimo gabarito -- certamente são o melhor da produção de Walsh nesses últimos 19 anos, agora finalmente fora da gaveta.

Tem coisas surpreendentes como ‘Spanish Dancer” e o tema instrumental “Índia”, que encerra o disco, mas no geral o que predomina é aquele tom familiar dos discos que Walsh gravou nos anos 70 e 80, que permanece intacto.


Analógico ou não, o trabalho de Joe Walsh permanece ousado e moderno até o talo.

“Analog man” é, sem exagero, seu melhor disco desde “The Confessor”, de 1984, e seu trabalho mais acessível desde “...But Seriously, Folks”.

É tão bom, mas tão bom, que eu sou capaz de apostar que vai provocar em Pete Townshend o mesmo efeito que “The James Gang Rides Again” provocou 42 anos atrás.



INFO:
http://www.allmusic.com/artist/joe-walsh-p5785/biography

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/joe-walsh-p5785/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.joewalsh.com/

AMOSTRAS GRÁTIS: