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terça-feira, junho 20, 2017

NOSSO ANIVERSARIANTE DESTA TERÇA É SIMPLESMENTE UM DOS GÊNIOS POP MAIS IDIOSSINCRÁTICOS DE TODOS OS TEMPOS


É NO MÍNIMO CURIOSO CONSTATAR QUE
PAUL MCCARTNEY E BRIAN WILSON,
DOIS GÊNIOS POP QUE SE ADMIRAM
MUTUAMENTE HÁ MAIS DE 50 ANOS,
NASCERAM NÃO SÓ NO MESMO ANO 
COMO COM APENAS DOIS DIAS DE DIFERENÇA.

 NESTA SEMANA, TANTO PAUL MCCARTNEY QUANTO
BRIAN WILSON COMPLETAM 75 ANOS DE IDADE,
E NÓS AQUI CELEBRAMOS RESGATANDO
DUAS ENTREVISTAS MUITO SIMPÁTICAS  
CONCEDIDAS AO WEB PROGRAM STUDIO Q

ENJOY...



















segunda-feira, maio 04, 2015

RON SEXSMITH VOLTA COM UM NOVO LP DELICADO, ACOLHEDOR E INSPIRADÍSSIMO.


É muito difícil tentar entender como um artista do quilate de Ron Sexsmith permanece atrelado à cena independente.

Mais difícil ainda é conseguir explicar.

Ron é um gênio pop, mestre absoluto em criar melodias marcantes, mais ou menos do mesmo naipe de Paul McCartney, Brian Wilson e Elton John.

Canadense de Toronto, já era para ele ter-se tranformado em cidadão do mundo.

Mas, misteriosamente, ele continua sendo "o cantor e compositor canadense Ron Sexsmith" para os formadores de opinião, que insistem em não ressaltar suas inúmeras virtudes artísticas, sabe-se lá porque. 

De nada adiantou Elvis Costello espalhar aos quatro ventos, no início dos Anos 1990, que não havia melhor "tunesmith" no ramo do que Ron. 

O fato é que, aos 30 anos de carreira, Ron permanece um ilustre desconhecido perante o grande público.


Pois Ron Sexmith está de volta com mais um disco impecável -- o 14° de sua carreira.

"Carousel One", um lançamento Compass Records, traz 16 novas canções desse mestre pop, e, acredite ou não, pelo menos metade delas ficam grudadas na nossa cabeça logo após a primeira audição.

Chega a ser impressionante que Ron consiga ser tão melódico compondo da guitarra, e não no piano -- suas canções são quentes, acolhedoras, delicadas e, ao mesmo tempo, intensas e emocionalmente inteligentes.

Ron é um storyteller que consegue combinar em suas canções influências tão diversas quanto Harry Nilsson, Tim Hardin e Ray Davies, e ainda assim soar absolutamente pessoal.

Chamar seu repertório de "silly love songs", como faziam com Paul McCartney, é quase um absurdo, tamanha a densidade de suas canções. Alguns críticos andaram fazendo isso nos últimos anos. Injustamente.

Algumas dessas novas canções de Ron Sexsmith são alegres, outras melancólicas, e outras apenas reflexivas -- sem contar que "Carousel One" traz pelo menos dois rocks bem interessantes. 

O importante é que, no conjunto, essas 16 canções formam mais uma coleção de canções excepcional de Ron Sexsmith, que não vai desagradar a nenhum iniciado em sua obra e deve certamente conquistar novos aficcionados.


A produção é do especialista Jim Scott, que mantém a sonoridade de "Carousel One" despojada o suficiente para poder ressaltar todas as virtudes das canções sem recorrer a excessos nos arranjos. 

Provavelmente, ainda não será ainda dessa vez que Ron Sexsmith será descoberto pelo grande público.

Mas talvez seja melhor assim.

Ron zela por seu público, não tem mais paciência para dar murros em ponta de faca e é bem-sucedido à sua maneira.

Quem precisa mais do que isso?





sábado, abril 25, 2015

BRIAN WILSON CHEGA A UM PORTO SEGURO EM SUA CARREIRA SOLO COM "NO PIER PRESSURE"


Pelo visto, 2015 vai ser o ano de Brian Wilson.

Em Junho próximo, pouco antes do início oficial do Verão, estréia nos cinemas americanos sua cinebiografia: "Love & Mercy".

Quem interpreta Brian jovem nos Anos 60, à frente dos Beach Boys, é Paul Dano. 

Já John Cusack será o Brian inchado de remédios e esquizofrênico dos Anos 70 e 80, dominado por seu psiquiatra, o pilantra Dr. Eugene Landy -- interpretado no filme pelo fabuloso Paul Giamatti.

A julgar pela recepção calorosa que teve no Festival de Toronto e no Festival de Berlin, "Love & Mercy" tem grandes chances de tornar o filme adulto mais interessante do próximo verão americano. 

Chega num momento em que Brian Wilson parece estar totalmente recomposto em termos artísticos e criativos do mau estar que vitimou sua carreira por quase 20 anos -- desde o malogro do projeto "Smile", de 1967, quando ele pirou, até seu ressurgimento artístico como artista solo, em 1988.
O retorno de Brian foi lento e doloroso.

Em seu primeiro disco, "Brian Wilson", gravado para a Sire Records com um orçamento avantajado, onde se viu cercado de amigos e admiradores por todos os lados -- mas sob a rédea curta de seu psiquiatra o tempo todo --, Brian revelou tantas inseguranças e tamanha fragilidade em suas canções que chega a ser difícil escutá-las com prazer, apesar de serem quase todas ótimas.

Seus trabalhos seguintes, mais casuais, e já sem o Dr. Landy bufando em seu cangote, podem até ser menos expressivos. Mas são mais agradáveis aos ouvintes. Em compensação, parecem ter uma importância mais terapêutica do que artística.
Enquanto Brian melhorava, ele seguia trabalhando. Embarcou em tournées internacionais, apresentando "Pet Sounds" na íntegra com uma banda enorme. Parecia feliz. Mas só era feliz mesmo dentro de uma Zona de Conforto que ele administrava de uma maneira meio confusa. Buscava refúgio nas "sonoridades de estimação" que sempre o acolheram bem, e às quais estava acomodado.

Aparentemente, uma coisa vital parecia ter-se perdido de forma irremediável naquele longo processo: a capacidade de Brian Wilson ousar.
Mas, de uma hora pra outra, Brian Wilson topou voltar a trabalhar com o maestro e arranjador Van Dyke Parks, seu parceiro em "Smile", o disco de 1967 causador de todo esse trauma, o grande álbum que nunca aconteceu, sua obra prima inacabada.

Depois de brincaram em torno de vários temas novos com jeitão atemporal, a idéia de retomar "Smile" acabou surgindo naturalmente. 

E então, em 2004, os dois finalmente finalizaram "Smile". Lançaram o disco. E o trauma acabou. A partir daí, a vida de Brian começou a andar para a frente novamente. E ele deu início a um ciclo de discos excelentes como "That Lucky Old Sun", seu retorno à Capitol Records depois de muitos e muitos anos de litígio, e suas homenagens "Brian Wilson Reimagines Gershwin" e "Brian Wilson In The Key Of Disney".
Até que, alguns anos adiante, em 2012, aconteceu o belíssimo retorno dos Beach Boys originais em 2002, comemorando em grande estilo os 50 anos de carreira da banda. Brian Wilson e Al Jardine voltaram a falar com Mike Love e Bruce Johnston, com quem estavam rompidos há muitos anos, e com o guitarrista Dean Marks, que havia tocado com a banda bem no início dos Anos 1960.  

O disco de retorno dos Beach Boys, magnífico, se chamou "That's Why God Made The Radio".  Concebido por Brian como uma espécie de Canto do Cisne para a banda, foi recebido como uma espécie de epílogo criativo para a banda, repleto de lindas novas canções de Brian e performances muito inspiradas de todos os envolvidos.
Para promovê-lo, os Beach Boys programaram uma tournée que, infelizmente, não foi muito longe, pois em pouco tempo as velhas diferenças afloraram novamente e as relações voltaram a ficar insustentáveis entre eles. Mike Love discordava do uso ostensivo do repertório do disco novo, insistia num "arroz com feijão nostálgico". Brian achava a idéia um horror, ridiculamente pequena para um projeto daquela magnitude. Ao final da primeira etapa da tournée, Brian desistiu de brigar e pediu para sair. Até porque, na sua cabeça, estava mais do que na hora de devolver os Beach Boys ao passado. 

O caso é que, apesar de todas as rusgas, Brian Wilson, Al Jardine e Dean Marks, além de Blondie Champlin e Ricky Fataar, mantiveram a proximidade, e, de alguma maneira, deram continuidade ao que haviam iniciado em "That's Why God Made The Radio".
Várias dessas colaborações aparecem agora nesse surpreendente novo álbum de Brian Wilson, "No Pier Pressure", um lançamento Capitol.

Don Was, de certa forma, facilitou bastante as coisas, pois estava produzindo um projeto meio maluco que envolvia Brian Wilson e Jeff Beck, entre outros artistas. Beck caiu fora, o projeto desandou e ainda havia muito tempo de estúdio disponível. Foi quando ele e Brian, além do letrista Joe Thomas, mergulharam de cabeça e finalizaram a maioria dessas canções de "No Pier Pressure". 

Tem tanto canções lindíssimas quanto canções desprezíveis aqui, como de hábito nos discos de Brian -- todas emolduradas por um singelo tema de abertura (This Beautiful Day) e um tema de encerramento curioso e divertido (The Last Song).
Das cinco belas canções em que divide a cena com Al Jardine, ao menos uma delas é seguramente uma obra-prima (Whatever Happened). Tem uma segunda que chega bem perto disso, em que dividem a cena com a talentosa caipirinha Kacey Musgraves (Guess You Had To Be There).

Já o encontro de Brian com o She & Him de Zooey Deschanel e M. Ward (On The Island) é muito, muito divertido. Tente imaginar Karen Carpenter meio bêbada depois de alguns drinks coloridos num resort caribenho? É por aí...

Já a associação com o estranhíssimo Nate Ruess simplesmente não funcionou. "Saturday Night" parece um descarte daqueles álbuns bem fraquinhos que os Beach Boys gravaram nos Anos 1980 que caíram rapidamente no esquecimento -- como "Getcha Back".
 Apesar de todos esses altos e baixos, é muito importante que, nesse momento em que está em plena evidência, Brian renasça artisticamente num flerte aberto com artistas de gerações mais jovens.

Quem o conhecer no cinema através em "Love & Mercy", vai gostar de vê-lo assim tão jovial, modernoso e cheio de atitude nesse "No Pier Pressure"

Tudo bem que Brian sofre de Síndrome de Peter Pan desde sempre, mas nunca podemos esquecer que -- ao menos fisicamente -- ele um senhor de 73 anos de idade. 

O grande valor de Brian, além de seu talento e sua força de vontade, é justamente essa sua recusa de virar um ítem de Nostalgia qualquer, como tantos outros colegas de geração.

Brian Wilson é a personificação do Endless Summer.

WEBSITE OFICIAL

DISCOGRAFIA BRIAN WILSON

DISCOGRAFIA BEACH BOYS

AMOSTRAS GRÁTIS




domingo, julho 22, 2012

OS BEACH BOYS CONTEMPLAM O FIM DO VERÃO ETERNO NUM NOVO DISCO SERENO E ADORÁVEL


A última vez que Brian Wilson uniu forças aos Beach Boys, nem é bom lembrar.

Foi há exatos 27 anos, naquele disco sem nome que trazia canções medianas como "California Calling", "Getcha Back" e "Just A Matter Of Time", e outras bem fraquinhas, quase desprezíveis.

Na ocasião, os Beach Boys viviam em pé de guerra -- e não era guerra de areia, não.

Al Jardine e Mike Love batiam boca em público com muita frequência, e por pouco um não arrancou o escalpo do outro numa entrevista no talk-show de Johnny Carson.

Enquanto isso, Brian saía de um tratamento psiquiátrico aparentemente eficaz, mas bastante controvertido -- até porque transformou em parceiro nas suas composições o seu psicanalista, um certo Dr. Eugene Landy, que mais tarde foi impedido de exercer a profissão, acusado de cometer abuso psicológico em seus pacientes, e acabou expulso da Ordem dos Psicoterapeutas da California.

Eram tempos muito estranhos aqueles, e a produção da banda naquele momento refletia bem isso..

Tanto que, logo depois desse disco, Brian Wilson caiu fora e saiu em carreira solo, Mike Love interditou Al Jardine e tomou as rédeas da banda, não sossegando até transformar os Beach Boys numa banda nostálgica da pior espécie, fazendo tournées caça-níqueis que desonravam de forma flagrante o seu passado glorioso.


Mas então, em 2011, "Smile", o disco clássico inédito dos Beach Boys, de 1967, finalmente viu a luz do dia numa edição luxuosa e muito carinhosa da Capitol Records, supervisionada pelo próprio Brian -- que, apesar de ter realizado o disco praticamente sozinho na época, fez questão de chamar todos os sobreviventes da banda para participar deste resgate musical tão aguardado por todos os fãs da banda.

Na verdade, isso tudo já era uma prévia do grande evento que iria acontecer agora, em 2012: as comemorações de 50 anos de atividade da banda, com direito a disco novo com material inédito e uma tournée mundial com os sobreviventes das várias formações da banda.

Uma empreitada ambiciosa, sem dúvida.

Que, se por um lado gerava uma grande espectativa, por outro não despertava muita confiança em ninguém, a julgar pelo que os Beach Boys produziram nesses 27 anos -- apesar de ter o aval de Brian Wilson, que nunca deixou de gravar discos solo belíssimos nesse período.

O caso é que ninguém imaginava que, a essa altura do campeonato, depois de tantas desavenças e tanto desrespeito com a própria história da banda, os Beach Boys pudessem ressurgir das cinzas e se reafirmar novamente como a grande banda que sempre foi. 


Pois bem: confesso que minha primeira audição desse "That's Why God Made The Radio" foi feita com muita desconfiança.

Primeiro, procurando novidades no trabalho da banda e não achando.

Depois, estranhando um pouco o pastiche que Brian fez unindo os arranjos clássicos da fase "Pet Sounds" com o padrão sonoro da banda dos anos 80.

E então, procurando defeitos nas novas canções.

Tudo em vão.

O caso é que as canções são lindas. E as vocalizações são delicadíssimas, e extremamente intrincadas, como de hábito. E os arranjos são magníficos. E o astral da empreitada, nada menos que simplesmente perfeito. E eu me senti um idiota por ficar procurando defeitos numa pequena obra-prima como essa. Bem feito para mim.

As três belíssimas faixas de encerramento do disco -- "From There To Back Again", "Pacific Coast Highway" e "Summer´s Gone" -- formam uma pequena suite que fala desse momento da vida em que todos eles estão, contemplando o passado e olhando para o tempo que lhes resta de forma serena, alegre e generosa. Usando o Verão mais uma vez como metáfora para a vida, mas deixando o hedonismo de lado para saudar a chegada do Outono como um ensaio para o adeus derradeiro.

E então, vem a melancolia inevitável.

E a música termina, deixando apenas o som eterno das ondas quebrando ao fundo.



Não há o que discutir: "That´s Why God Made The Radio" ostenta um padrão de perfeição pouco comum na longa discografia dos Beach Boys.

É superior a qualquer disco gravado pela banda de "15 Big Ones" (1975) para cá.


E é o melhor álbum de retorno cometido por uma banda clássica desde "Breathe Out, Breathe In" (2010), dos ingleses The Zombies.

E sou capaz de apostar que "That´s Why God Made The Radio" é, desde já, um dos cinco melhores álbuns deste ano.

Do meu toca-discos, eu garanto que ele não sai tão cedo.

BIO-DISCOGRAFIA
 http://www.allmusic.com/artist/the-beach-boys-mn0000041874

WEBSITE OFICIAL
http://www.thebeachboys.com/

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