quarta-feira, abril 18, 2012

ZECA BALEIRO CELEBRA 15 ANOS DE BONS DISCOS E MUITO RESPEITO PARA COM SEU PÚBLICO


Zeca Baleiro sabe bem onde pisa.

Quando surgiu 15 anos atrás -- com o cd “Por Onde Andará Stephen Fry” e o sucesso instantâneo “Heavy Metal do Senhor” --, foi tão bem aceito por crítica e pelo público que, sem querer, ofuscou seus próprios companheiros de gravadora – em particular, Chico César, que até então parecia uma grande promessa, mas se revelou apenas um “two-hit wonder”.

Zeca sabia que o mesmo revés que tomou conta da carreira de Chico César poderia assolar sua carreira também. Para isso, bastaria descuidar dela se comportando como popstar deslumbrado que torra rios de dinheiro com um séquito de interesseiros e perdendo controle sobre as ações de sua gravadora em seus discos.

Para todos os efeitos, Zeca se manteve alerta o tempo todo nos primeiros 6 anos de sua carreira.

Em 2004, depois de 4 discos para a MZA Discos -- do veterano produtor Mazola --, percebeu que o mercado fonográfico estava encolhendo a olhos vistos e virando uma prisão -- e ele iria dançar.

Foi quando assumiu o comando de sua própria carreira, passando a ser produtor independente em uma seqüência vitoriosa de discos felizmente muito bem recebidos pelo público.

“O Disco do Ano” é o décimo primeiro de sua carreira.

O conceito é irônico. Passa a idéia de rotina anual, com Zeca no balcão de uma loja, de cara fechada, vendendo seu peixe ao público sem muita convicção.

Na verdade, não é nada disso. É um trabalho ambicioso, que levou muito tempo para ser realizado. E é também um trabalho caro, de formiguinha, já que cada faixa conta com um produtor diferente -- sendo que algumas trazem convidados muito especiais, como Andréia Dias e Margareth Menezes.

Mas é, antes de mais nada, um disco extremamente bem resolvido, com canções fortíssimas como “O Desejo” (em dueto com Chorão) e “Mamãe No Face” -- ambas com um potencial radiofônico e (ao menos uma delas) com lugar garantido nas trilhas das novelas da TV Globo que acabam de estrear.

Como disse no começo, Zeca sabe bem onde pisa.

Aprendeu com seu amigo Lenine a nunca subestimar seu público, e a nunca oferecer a ele menos do que espera do artista. Assim como Lenine, acredita em honestidade e integridade artísticas. E, a conselho de Lenine, fechou um acordo de distribuição com a Globo Discos de todos os lançamentos de seu selo Saravá -- o que inclui o novo disco de Odair José, "Praça Tiradentes", orgulhosamente produzido por ele, Zeca Baleiro.

Com um pouco de sorte, quem sabe esses primeiros 15 anos de vida artística de Zeca sejam apenas o início de uma carreira longa e bem sucedida, tanto como artista quanto como produtor.

Como diria Chacrinha, o Velho Guerreiro: "Ele merece... Ele merece..."


INFO: 
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Zeca_Baleiro
DISCOGRAFIA: 
 http://www.dicionariompb.com.br/zeca-baleiro/discografia
WEBSITE OFICIAL: 
 http://www2.uol.com.br/zecabaleiro/

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terça-feira, abril 17, 2012

DR. JOHN ENCONTRA OS BLACK KEYS NUM LP BEM ANÁRQUICO, COMO NOS VELHOS TEMPOS




Quando o tarimbado arranjador, compositor e produtor John Mac Rebennack deixou Los Angeles e voltou para sua Louisiana natal em meados dos anos 60, disposto a mesclar toda a cultura musical creole, que conhecia melhor do que ninguém, ao rock psicodélico que explodia na Califórnia, a terra tremeu.

E de uma dessas fendas no solo saiu Dr. John, The Night Tripper, uma das figuras mais loucas da era Psicodélica, um "Voodoo Master" que jogou LSD no tradicional Gumbo e passou essas últimas 4 décadas oscilando entre o revisionismo das sonoridades clássicas de New Orleans e experiências sempre inusitadas, testando novas saídas musicais e interagindo com os novos músicos que vão surgindo na cena ano após ano.

Aos 72 anos de idade, esse grande artista continua inquieto.

Tanto que ano passado, trocando uma idéia com Dan Auerbach, líder dos Black Keys, comentou que sempre que ouve os discos dos Black Keys, lembra da hora da atitude que tinha quando gravou seus primeiros LPs, entre 1968 e 1972.

Foi quando Auerbach disse: “Então, vamos resgatar isso”.

E os dois seguiram para o estúdio de Auerbach em Nashville, reuniram músicos locais e trataram de esboçar um conceito modernoso para a clássica swamp music psicodélica de Dr. John, bem longe da foz do Mississipi.


Deu nesse "Locked Down", mais um disco inclassificável que deve provocar a ira daqueles que gostariam de ver Dr. John cantando "Such A Night" o resto da vida, e não conseguem.

Inclassificável e muito divertido, diga-se de passagem..

Em apenas 42 minutos de duração, Dr. John passeia por vários estilos musicais, sempre com uma leveza impressionante, e com a destreza de um menino.

Os números são todos bem sacanas, as cantoras do coro dão um toque underground bem putesco para os arranjos -- e assim o conjunto de 10 canções se encadeia de forma perfeita, como há muito não acontecia num disco seu.
                                                                                                              
Dr. John sempre teve a capacidade curiosa de deixar sua música ser impregnada por músicos mais jovens, mesmo sendo infinitamente mais aparelhado que eles. 

Claro que nem sempre essa habilidade conspira a favor dele.

Mas aqui, dessa vez, ele se deu bem. “Locked Down” é tão bom quanto a produção nos anos 60 e 70 desse mago musical dos pântanos da Louisiana. Talvez até melhor.

Ouçam e tirem suas próprias conclusões.


INFO:
http://www.allmusic.com/artist/dr-john-p4129/biography

DISCOGRAFIA:
 http://www.allmusic.com/artist/dr-john-p4129/discography

WEBSITE OFICIAL:
 http://www.drjohn.org/

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segunda-feira, abril 16, 2012

O BLUESMAN DO OREGON CURTIS SALGADO ASSUME SUA PORÇÃO SOULMAN EM SEU NOVO LP


Muito triste constatar que, para alguns jornalistas meio bobões, o grande mérito de Curtis Salgado ao longo desses mais de 35 anos de excelentes serviços prestados ao blues e ao rhythm and blues ainda seja ter inspirado seu saudoso amigo John Belushi a criar o personagem Joliet Jake Blues, dos Blues Brothers, para a série de TV "Saturday Night Live" ,

Muita sacanagem reduzí-lo a isso, pois Curtis é um cantor e gaitista extraordinário -- algo que Belushi nunca foi, e nem sequer pretendeu ser em sua rápida passagem pelo Planeta Terra.

A maestria de Curtis Salgado no rhythm and blues, no jazz e na soul music faz dele – ao lado de Sugar Ray Norcia, Darrell Nulisch e Tad Robinson -- um dos pouquíssimos cantores brancos da cena do blues atual a ser levado a sério pela crítica especializada.

Suas performances são vigorosas, sua capacidade de comunicação com as bandas com que se apresenta é impressionante, e o alcance de sua voz lembra os grandes ícones do rhythm and blues dos anos 50, como Little Johnny Taylor, Johnny Guitar Watson e Bobby Blue Bland.


Trabalhou quase 20 anos como crooner de bandas e gaitista de aluguel, e só começou a gravar como artista solo no início dos anos 90, depois de uma longa temporada à frente do grupo Roomful Of Blues.

Sua carreira solo ia de vento em popa, com discos muito bem recebidos por crítica e público, quando em 2005 foi diagnosticado com câncer no fígado e teve que ser submetido a um transplante.



Em meio a um processo de recuperação muito difícil e doloroso, Curtis gravou um disco soberbo, em tom menor, acompanhado pela Phantom Blues Band de Taj Mahal chamado “Clean Getaway”, que tinha um jeitão indisfarçável de trabalho de despedida.

Mas o tempo passou, as dores também passaram, a iminência da morte se dissipou, e então Curtis Salgado assinou um belo contrato com a Alligator Records -- e acaba de retomar sua carreira com força total nesse novo disco chamado “Soul Shot”.



O título não podia ser mais acertado. É uma paulada na alma. Curtis Salgado volta acompanhado novamente pela Phantom Blues Band e mergulha de cabeça na soul music dos anos 60 com seu vozeirão anos 50.

O resultado é desconcertante, de tão bonito e fora do padrão.

"Soul Shot" é um bailão soul para ninguém botar defeito, comandado por um cantor honestíssimo em seus propósitos e muito bem sucedido em seus resultados.

Em suma: um disco admirável, extremamente bem produzido, com um som poderoso, e seguindo aquele padrão de excelência da Alligator que todos nós conhecemos.

Dêem as boas vindas (de volta à vida) para esse grande bluesman (e dublê de soulman) Curtis Salgado.


PS: Quem viu Curtis Salgado ao vivo mês passado em São Paulo, acompanhado pela Igor Prado Blues Band, teve o prazer de conhecer sua faceta mais blueseira, que talvez ressurja com mais força num de seus próximos trabalhos para a Alligator. Talvez. Vai saber....


INFO:
http://www.allmusic.com/artist/curtis-salgado-p121543/biography

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http://www.allmusic.com/artist/curtis-salgado-p121543/discography

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http://www.curtissalgado.com/

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domingo, abril 15, 2012

NICK HORNBY, A CULPA É TODA SUA.


Listas de melhores discos do ano -- de melhor isso, ou melhor aquilo -- sempre foram a salvação dos pauteiros no Jornalismo Cultural. Sempre que chegava o fim de ano, e as pautas estavam esgotadas, com nada acontecendo em lugar algum, as listas de melhores eram providenciais para salvar os Cadernos B dos jornais da mais absoluta falta de assunto.

Mas então, os sempre criativos editores da Rolling Stone americana – ainda nos tempos em que a sede da revista era em San Francisco, e não Nova York – resolveram dar uma dimensão bem mais ambiciosa a essas listas, montando edições inteiras da revista com “Os 100 Melhores Discos dos Anos 60”, “Os 100 Melhores Discos dos Anos 70”, “Os 100 Artistas Mais Influentes do Rock And Roll”, etc etc etc -- sempre comentados um a um por seu extenso time de articulistas.
Desnecessário dizer que essa atitude da Rolling Stone não só foi um sucesso, como foi copiada “ad nauseam” por toda a Imprensa nesses últimos 35 anos, banalizando a iniciativa por completo e fazendo dela um cacoete populista um tanto quanto irritante – mas que deve ter lá seus fãs, categoria na qual eu, definitivamente, não me incluo.

O caso é que tudo isso proliferou de forma desenfreada depois do romance “Alta Fidelidade”, de Nick Hornby, cujo personagem principal elabora listas de Top 5 de praticamente tudo o que vê pela frente, o tempo todo, no limite do insuportável.

E o diabo é que, dependendo da maneira como essas “listas de melhores” são anunciadas em portais da música, a gente vai lá e olha, mesmo sabendo de antemão que vai acabar se aborrecendo.


Pois bem, o NME publicou nesta semana uma dessas listas -- essa bem diferente das habituais, com os “Cinquenta Melhores Produtores de Discos” de todos os tempos. Eu achei a idéia original, fui lá dar uma olhada e... só aborrecimento! Eles praticamente desconsideraram todos os grandes produtores dos anos 60 e 70.

Para o NME, grandes craques da produção como Lenny Waronker, Russ Titelman, Peter Asher, Bill Szymszyk, Richard Perry, Bones Howe, Rob Fraboni, Allen Toussaint, Smokey Robinson, Phil Walden, Chris Blackwell, Denny Cordell, Bob Ezrin, Nick Lowe e John Cale nunca existiram. Em vez deles, vários rappers e algumas criaturas esquecidas da Era Disco – como Biddu, da famigerada Biddu Orchestra – foram agraciados com postos privilegiados na lista. Um horror.

Mas aí vem o pior de tudo: nos comentários abaixo da postagem no portal do NME, vários produtores famosos, enfurecidos com os critérios levianos utilizados na escolha, soltaram os cachorros em cima dos jornalistas responsáveis, sem e menor piedade.


Para citar um exemplo: Tony Visconti, ex-produtor de David Bowie, não só corrigiu dados historicamente incorretos publicados nos textos que acompanhavam a lista, como ainda agradeceu por ter sido preterido de uma empreitada tão insignificante.

Ah, bons tempos em que a Imprensa Musical seguia diretrizes bastante criativas e diferenciadas das adotadas pelos jornalões. Não era isso que é hoje, com tudo totalmente dominado por pautas sem imaginação e matérias escritas para agradar clientes de Assessorias de Imprensa que sempre mandam bons presentes no final do ano.

Felizmente, com a chegada das revistas pós-industriais no formato de blogs especializados na web, tudo esse panorama começou a mudar de alguns anos para cá. Revistas como Rolling Stone e New Musical Express deixaram de ter a importância que tinham antes. Hoje, todo blogueiro com alma de publisher sabe que pode ser o próximo Ralph J Gleason. Basta querer, ter um bom projeto e achar um atalho para chegar ao público almejado. O resto é sorte.

sexta-feira, abril 13, 2012

CHARLES LLOYD, MAIS UMA VEZ ABRINDO NOVAS FRONTEIRAS PARA O JAZZ NUM LP EMOCIONANTE


Charles Lloyd é um artista singular.

Figura ímpar na cena do jazz de Los Angeles – onde vive desde 1956, quando foi estudar música clássica na UCLA --, esse grande saxofonista sempre apostou suas fichas em propostas musicais nada fáceis e nada óbvias.

É um músico que adora flertar com extremos -- e que, depois, não descansa enquanto não ergue pontes musicais que liguem um desses extremos ao outro.

Seu background como integrante de bandas de blues em Memphis, sua cidade natal -- tocou com B B King, Bobby Bland e até Howlin’ Wolf -- fez dele um dos músicos mais cobiçados em Los Angeles por artistas dos mais diversos gêneros nos anos 50 e 60. E ele não fazia doce, não. Tocava com gente das mais diversas linhagens. E com prazer. Sem preconceitos.

Mas na verdade era o jazz experimental que o interessava, e Charles Lloyd logo se envolveu com os artistas mais transgressores da cena jazzística da época – nada menos que os saxofonistas Ornette Coleman, Eric Dolphy e Cannonball Adderley, o vibrafonista Bobby Hutcherson, o baixista Charles Mingus e o pianista Chico Hamilton, com quem gravou incansavelmente como sideman.


Foi por conta dessas escolhas complicadas que Charles Lloyd demorou muito para gravar um disco comandando seu próprio grupo. Só que quando estreou solo, foi pra valer.

Seu primeiro LP com seu quarteto, “Discovery”, só foi ver a luz do dia em 1965. E que quarteto: Jack deJohnette na bateria, Cecil McBee no contabaixo e nada menos que Keith Jarrett ao piano -- todos iniciando suas carreiras.

Com esses grandes jovens músicos a tiracolo, Lloyd seguiu pesquisando fusões musicais entre jazz de vanguarda e música oriental em LPs nada menos que espetaculares, como “Dream Weaver”, “Love In”, “Live In Europe” e principalmente “Forest Flower: Live At Monterey Pop” -- o primeiro álbum de jazz a cair no gosto do público de rock and roll, vendendo mais de um milhão de cópias.

Daí em diante, Charles Lloyd começou a participar de jams com artistas dos mais diversos gêneros – de Jimi Hendrix a Ravi Shankar, do Cream ao Grateful Dead, de Carlos Santana aos Byrds --, e, justamente quando estava no topo de sua carreira, em 1972, decidiu se recolher na bucólica Big Sur, perto de Monterey, deixando a música de lado para se dedicar integralmente à meditação transcedental.


Só dez anos mais tarde, Charles Lloyd ressurgiu na cena jazzística da Califórnia.

Seus primeiros trabalhos foram feitos em dobradinha com músicos jovens e emergentes, como Michel Petrucciani e Stanley Jordan, e pareciam algo tímidos perto de tudo o que ele havia realizado nos anos 60.

Mas então, eis que, bem na virada dos anos 80 para os 90, o velho espírito experimentalista toma conta de Charles Lloyd novamente, numa série espetacular de 14 discos (até agora) para o selo holandês ECM.


O mais recente deles, “The Athens Concert”, saiu há poucos meses, e eu confesso que não consigo passar uma semana sem ter vontade de ouví-lo novamente.

Aqui, sua banda multinacional recebe o reforço da contralto grega Maria Farantouri numa viagem musical que une – a idéia é essa mesmo: unir -- jazz, música indiana e música grega como nunca nenhum músico de jazz jamais ousou fazer.

E então, sem a menor dificuldade, o repertório jazzístico de Charles Lloyd se funde com as canções dramáticas de Maria Faranturi numa aventura operística transcedental, que eleva o ouvinte a um patamar assombroso de consciência e percepção musicais.


“The Athens Concert” é um LP de uma beleza arrebatadora, de uma integridade artística admirável e de uma coragem invejável. Na medida certa para coroar Charles Lloyd como uma das maiores forças criativas do jazz em todos os tempos e um artista de primeríssima grandeza de qualquer gênero musical.

Só para finalizar: “The Athens Concert” é a prova definitiva de que toda a trajetória acidentada de Charles Lloyd ao longo desses quase 60 anos de carreira não só faz todo o sentido do mundo, como também foi absolutamente necessária para que hoje ele possa ostentar toda essa grandeza existencial e artística.

Ouça, e não se emocione profundamente se for capaz.


INFO:
http://www.allmusic.com/artist/charles-lloyd-p6991/biography

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/charles-lloyd-p6991/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.charleslloyd.com/

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quarta-feira, abril 11, 2012

THE SHEEPDOGS: SOUTHERN ROCK DA GEMA MADE IN CANADA

Não deixa de ser uma grande ironia a melhor banda americana de Southern Rock da atualidade ser... canadense.

Parece troco por todas aquelas gracinhas disparadas contra o modo de vida do Canada pelos roteiristas de "South Park" ao longo de muitos e muitos anos.

The Sheepdogs -- difícil imaginar um nome mais "sixties" para uma banda -- estão na estrada desde 2006, dando murro em ponta de faca e brigando por um lugar ao sol na disputadíssima cena do rock adulto norteamericano.

Gravaram 3 LPs muito simpáticos, por conta própria, que acabaram solenemente ignorados fora do Canadá -- a não ser por algum "airplay" em college rádios da região de Minneapolis-Saint Paul.

Mas, mesmo com tudo meio que conspirando contra, eles nunca desistiram.


Ano passado, finalmente a sorte sorriu para eles:

A Rolling Stone Magazine promoveu um concurso nacional para escolher uma banda sem contrato com gravadoras para sair na capa da revista, chamado "Choose The Cover - So You Want To Be A Rock & Roll Star", e eles ganharam.

Ganharam não só a capa, mas também notoriedade instantânea e, claro, um contrato com a Atlantic Records, que lançou correndo o EP gravado a toque de caixa "Five Easy Pieces", muito bem recebido pela crítica.


Agora, graças a toda essa exposição por conta do concurso, os discos anteriores dos Sheepdogs -- justamente aqueles que foram solenemente esnobados poucos anos atrás -- começam a aparecer nas lojas em reedições luxuosas.

E o primeiro a chegar é justamente o terceiro (e melhor) deles todos, "Learn And Burn", lançado originalmente no finalzinho de 2010.

Trata-se de uma sucessão impressionante de números muito melódicos, bem marcados nas guitarras e quase sempre com vocais em três partes -- característica das bandas psicodélicas de origem folk vindas de San Francisco e Los Angeles, como Jefferson Airplane, Mamas & Papas e Quicksilver Messenger Service.

Em outras palavras: um disco delicioso de rock and roll rasgado, sem enrolação -- a maioria dos números não excede 4 minutos de duração -- e, claro, sem o festival de clichês habituais comuns às bandas de Southern Rock e de Rock Psicodélico.


Por conta de todas essas características conflitantes, é muito complicado definir os Sheepdogs.

Não são uma jam band -- mas, se necessário, fazem improvisos longos.

Tocam seguindo o figurino das bandas clássicas -- mas possuem um frescor musical que nada tem a ver com elas.

E, para piorar ainda mais, estão muito satisfeitos com toda essa indefinição e com todo esse descompromisso -- que, pouco a pouco, vão se transformando em traços estilísticos da banda.

Portanto, se você ainda não conhece The Sheepdogs, aproveite: a hora é agora.

E se gostar de algum dos 3 números apresentados abaixo, procure por aí pelos cds "Learn And Burn" e "Five Easy Pieces" -- dois exemplos bem eloquentes da excelente produção musical canadense atual.

INFO:
http://www.southernrockbrasil.com.br/2010/10/sheepdogs.html

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/the-sheepdogs-p1046629/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.thesheepdogs.com/

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