Mostrando postagens com marcador rhythm and blues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rhythm and blues. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, agosto 29, 2012

O CASAL SUSAN TEDESCHI E DEREK TRUCKS MOSTRA MAIS UMA VEZ A QUE VEIO





Susan Tedeschi e Derek Trucks já estão no ramo musical há mais de 20 anos.

Susan, 42 anos de idade, segue uma carreira bem sucedida desde que montou sua primeira banda de blues em 1991 em Boston, onde nasceu. Seu timbre vocal levemente rouco e meloso cai como uma pluma tanto para as baladas quanto para os números de rhythm & blues de seu repertório. Seu toque na guitarra -- em particular, sua técnica no uso do bottleneck -- lembra um pouco Bonnie Raitt, sua mentora musical, e suas habilidades como compositora nao são nem um pouco desprezíveis, muito pelo contrário.

Já seu marido Derek, 33 anos de idade, criado na Florida, é um caso à parte, Prodígio da guitarra desde os 12 anos e sobrinho do baterista Butch Trucks da Allman Brothers Band, Derek sempre conviveu com a banda e com os músicos veteranos que se habilitavam a participar de jams ao lado deles. Com isso, atingiu a maturidade musical muito jovem, e aos 18 já mostrava claramente em seu disco de estréia estar pronto para o que desse e viesse. A partir de 2001, substituiu Richard Betts na Allman Brothers Band, ajudando a banda a deixar de lado seu lado country-rock para se assumir de uma vez por todas como a jam-band número 1 da America. Mesmo ocupadíssimo, prosseguiu com uma carreira solo vitoriosa nos intervalos das tournées dos Allmans.

Desde que Derek e Susan se casaram, eles vêm excursionando juntos sempre que possível. Em diversas ocasiões, a banda de Susan uniu forças com a banda de Derek, formando um ensemble com mais de 10 integrantes no palco, e o resultado sempre foi muito satisfatório para todos os envolvidos.

E então, um belo dia, Derek propôs a Susan fazer das duas bandas uma única unidade, e acrescentar uma sessão de metais bem poderosa, mais ou menos nos moldes da lendária banda de rhythm & blues do final dos anos 60 Delaney & Bonnie & Friends, do casal Delaney & Bonnie Bramlett.

Susan topou no ato, e então surgiu em 2010 a Tedeschi-Trucks Band, com nada menos que onze integrantes, que caiu imediatamente na estrada testando repertório e, assim que sentiu que estava com tudo no seu devido lugar, entrou em estúdio e gravou sem demoras o seu primeiro disco, "Revelator" -- que faturou um Grammy, depois de marcar presença na maioria das listas de melhores discos do ano passado.


Para seu segundo disco, a Tedeschi-Trucks Band achou melhor nem entrar em estúdio. Optou por capturar o som da banda ao vivo em sua segunda tournée. O resultado foi esse álbum duplo fenomenal, "Everybody's Talkin'",onde a banda mostra definivamente a que veio.

Se antes, à frente de seu quarteto, Susan podia trafegar pelos mais diversos gêneros, aqui a coisa fica mais restrita aos blues ritmados e às baladas.Só que, no entanto, a maneira como Susan se posiciona perante esse repertório, e também perante a massa sonora disparada pela banda, é muito mais intensa e incisiva. Quase heróica, eu diria.

O ouvinte já é fisgado logo de cara por uma versão bem à moda de Memphis da clássica "Everybody's Talkin'", de Fred Neil, gravada por Harry Nilsson para a trilha sonora do filme "Midnight Cowboy", em 1969.

O que vem daí pra frente é nada menos que uma explosão de suingue e tesão de palco, que aparece intensamente tanto em canções delicadas como "Darling Be Home Soon", de John Sebastian, quanto em bluesaços como "Rollin' and Tumblin'", de Muddy Waters. .

As guitarras de Derek e Susan, sempre tinindo, estão perfeitamente integradas com a banda. Quando os dois solam prolongadamente, levando alguns números musicais a 10 ou 12 minutos de duração, fazem isso sempre dentro de um contexto em que todos os integrantes da banda participam de alguma maneira.

Em outras palavras: você jamais irá ver um músico ocioso ou fora de contexto nos impprovisos da Tedeschi-Trucks Band.


Por quanto tempo essa brincadeira suingada de big-band de rhythm and blues da Tedeschi-Trucks Band vai durar, é um mistério.

Pode ser que Susan e Derek cansem disso depois de algumas tournées e decidam retomar suas carreiras solo para desenvolver projetos pessoais.

Aconteça o que acontecer, o momento atual dos dois é simplesmente magnífico, portanto não deixem de acompanhar os vôos musicais deliciosos dessa banda implacável.

Tanto "Revelator" quanto "Everybody's Talkin'" merecem um lugar de destaque na sua discoteca.




BIO-DISCOGRAFIA

WEBSITE PESSOAL

AMOSTRAS GRÁTIS

domingo, julho 29, 2012

THE PHANTOM BLUES BAND REAFIRMA SUA ALMA AMERICANA EM "INSIDE OUT"


Quando Henry Saint Clair Fredericks Jr. -- ele mesmo, o fabuloso bluesman do Harlem, Nova York, conhecido por Taj Mahal -- montou uma banda só com craques para acompanhá-lo no disco e na tournée "Dancing The Blues" (1993), num momento particularmente incerto de sua longa carreira, mal ele sabia que estava apadrinhando o surgimento do melhor, mais criativo e mais eclético grupo de blues atualmente em atividade.

Desde então, a Phantom Blues Band tem sido uma combinação curiosa de talentos de vários músicos de estúdio muito tarimbados da região de Memphis, Tennessee, requisitadíssima por artistas como Bonnie Raitt, Joe Cocker e até B B King.

Comandada pelo organista Mike Finnigan -- que participou das bandas de Stephen Stills e Dave Mason nos anos 70 -- e pelo guitarrista Johnny Lee Schell -- colaborador de longa data de artistas como Bonnie Raitt e John Hiatt --, a Phantom Blues Band conta com uma cozinha impecável -- Larry Fulcher no contrabaixo e Tony Braunagel na bateria -- e ainda o sopro suingado do trumpetista Darrell Leonard e do saxofonista Joe Sublett, ambos texanos de Austin.

Juntos, eles trabalham um repertório que usa o blues e o rhythm & blues como ponto de partida para aventuras musicais as mais diversas pelo gospel, pelo jazz, por ritmos latinos, pela country music e, claro, também pelo rock and roll. Detalhe importante: sempre alternando 3 vozes diferentes na linha de frente do repertório  do grupo.

Se esse tipo de formação lembra um certo qunteto canadense que ficou famoso depois de ter sido banda de apoio de Bob Dylan no final dos anos 60, acredite: a semelhança com The Band não é mera coincidência.



Ninguém pode acusar o pessoal da Phantom Blues Band de imediatismo.

Seu primeiro disco, "Out In The Shadows" (2006), foi gravado quando a banda completou 13 anos de atividades, depois de participar de vários discos e tournées de Taj Mahal, e foi concebido com muita cautela, trazendo apenas duas composições dos integrantes e muitos covers de clássicos do rhythm & blues.

O segundo disco, "Footsteps", gravado no ano seguinte, já traz metade do repertório de autoria da banda, revelando o alto gabarito das composições de Finnigan e Schell e a pluralidade musical que torna o som da Phantom Blues band absolutamente inclassificável, mas completamente cativante.

Mas então, cinco anos se passaram sem nenhum disco novo da Phantom Blues Band, deixando no ar a pergunta: o que terá sido feito daquela banda espetacular, que estava indo tão bem?



Pois bem, a resposta a essa e outras perguntas está em "Inside Out", o muito aguardado terceiro disco ds Phantom Blues Band.

São 13 números -- metade de autoria deles próprios -- tão envolventes e tão agradáveis que fazem com que os 52 minutos de duração do disco passem voando.

Não é para menos: a combinação Hammond B3 mais uma guitarra limpa na linha de frente, com uma cozinha bem suingada e dois hornmen cuspindo fogo logo atrás, raras vezes funcionou tão bem quanto com esses experientes rapazes, e, particularmente, no contexto desse disco.

Entre as saídas musicais mais inusitadas estão alguns números soul rasgados como "So Far From Heaven", que conta com Joe Sample, dos Cruzaders, no piano, e "Change", um upbeat irresistível que lembra os áureos tempos da Muscle Shoals Rhythm Section.

Tem também uma releitura contagiante de "Shame, Shame", de Jimmy McCracklin, que resgata em grande estilo a essência do beat pedestre de Memphis, uma das instituições musicais americanas mais relevantes dos Século XX.

E, claro, não podemos esquecer da belíssima valsinha "It´s All Right", que lembra algumas das melhores contribuições de Robbie Robertson para o repertório de The Band.

Acreditem, não é pouca coisa o que temos aqui. É música de primeira grandeza.





A Phantom Blues Band pode não ser ainda uma grande instituição musical americana, mas caminha a passos largos para chegar lá em breve.

Basta mais um ou dois discos ousados e no mesmo padrão de excelência de "Inside Out", e pronto.

Quer um conselho? Não deixe para descobrir isso daqui a 4 ou 5 anos o que você pode descobrir hoje.

Siga a trilha gloriosa da Phantom Blues Band rumo à alma musical da América.



BIO-DISCOGRAFIA
http://www.allmusic.com/artist/phantom-blues-band-mn0000844831

WEBSITE OFICIAL 
http://www.phantombluesband.com/

AMOSTRAS GRÁTIS

segunda-feira, maio 14, 2012

O RETORNO DO RHYTHM AND BLUES CONJUGAL DE SUE FOLEY E PETER KARP


Cupido anda à solta na cena do blues americano.

Depois que o casal de guitarristas Derek Trucks e Susan Tedeschi decidiram unificar suas bandas para cair na estrada juntos como Tedeschi-Trucks Band, eis que mais dois ícones do blues moderno decidem embarcar numa empreitada semelhante.

Tudo começou quando Sue Foley – 45 anos, canadense de Ottawa, veterana da cena de Austin, Texas, com mais de 10 discos gravados – foi convidada para participar do festejado álbum “Shadows And Cracks” do gênio incompreendido Peter Karp, que havia sido líder da Roadhouse Band nos anos 90 -- um artista errante de New Jersey radicado em Nashville, misto de cineasta, artista plástico e cantor e compositor.

O tal dueto entre os dois foi gravado, mas acabou não sendo incluído no disco.

Nesse meio tempo, tiveram um romance rápido, mas muito intenso. Se separaram e caíram na estrada, cada um promovendo seu próprio disco, mas, como estavam apaixonados, se correspondiam quase diariamente por emails. ,

Assim que as duas tournées acabaram, os dois decidiram se casar, mudar para Austin e dar uma geral em tudo o que escreveram um para o outro em seus laptops.

Resultado: a correspondência deles se transformou numa série de canções que deram origem a um disco que é a crônica do romance entre os dois.


“He Said She Said” é um álbum conceitual muito bonito e totalmente confessional assinado por Sue Foley e Peter Karp, e que veio seguido de uma tournée conjunta, com o agora casal dividindo a mesma banda e correndo juntos pelos quatro cantos da América.

Foi extremamente bem recebido, tanto pela crítica quanto pelos públicos de Sue Foley e de Peter Kamp, que o colocaram em todas as listas de Melhores do Ano de 2010.

E quem apostou que, depois dessa experiência musical e conjugal, Foley & Karp iriam dar um tempo e retomar suas carreiras solo, se enganou redondamente.


E agora, olha eles aí de volta com “Beyond The Crossroads”, um LP diametralmente oposto a tudo o que haviam realizado dois anos atrás em “He Said She Said”.

Dessa vez, os dois fugiram dos conceitos.

Toda a corte que um fez para o outro e toda aquela conversa confessional no disco anterior já é passado, e isso se reflete no novo repertório do casal, bem leve e totalmente desencanado.

A faixa de abertura já dá o tom do que vem pela frente: nada menos que uma releitura bem suingada de “We´re Gonna Make It”, do saudoso Little Milton Campbell, que tanto Karp quanto Foley cantam com uma convicção impressionante.

E o que vem a seguir é o blend de blues, rhythm & blues, country music e folk que permeia há muitos anos os trabalhos solo tanto de um quanto do outro, em canções compostas pelos dois durante a tournée anterior e testadas na estrada antes de ganhar gravações definitivas em estúdio.

Antes que algum blueseiro mais ranheta reclame, é bom deixar claro que trata-se mais de um álbum de “americana” do que propriamente de blues, onde números mais roqueiros como “You´ve Got A Problem” e a faixa título se alternam com doses cavalares de rhythm & blues em “More Than I Bargained For” e “Analyse´n Blues”.


O resultado prático disso são 12 números extremamente agradáveis, que falam de momentos alegres e triviais, ao longo de quase 40 minutos de música de altíssimo gabarito, por dois cantores e compositores que acharam um jeito de conjugar seus talentos de forma intensa e surpreendente.

Daí, só nos resta dizer: Parabéns Sue Foley e Peter Kamp.

Pela ousadia em arriscar duas carreiras bem sucedidas num projeto em princípio incerto.

Pela delicadeza com que trazem a público flashes reveladores de sua vida cotidiana.

E pela nonchalance das performances registradas nesses dois discos, prova incontestável do gabarit
o musical desses dois grandes músicos.

Quanto a você, ouvinte, prepare-se para embarcar nessa aventura musical muito envolvente deste casal nada improvável.

Acredite: Cupido sabe o que faz.


INFO:
http://www.allmusic.com/artist/sue-foley-p38838/biography

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/sue-foley-p38838/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.suefoley.com/

AMOSTRAS GRÁTIS:

terça-feira, abril 24, 2012

LYLE LOVETT SE DESPEDE DE SUA VELHA GRAVADORA COM UM LP NADA CASUAL


 
Os anos 80 foram uma espécie de Nova Idade Média para a cena do rock and roll.

Foi quando surgiu o conceito de LP blockbuster -- difundido por Michael Jackson, Prince e Madonna –, que expulsou do mercado todo e qualquer artista que pretendesse seguir trabalhando com públicos segmentados.

Foi muito cruel. De uma hora para outra, grandes nomes que haviam brilhado intensamente nos anos 70 foram escanteados e impiedosamente trocados por figuras duvidosas inventadas nos escritórios dos executivos das gravadoras.

Essa Nova Idade Média durou até o início dos 90, quando as gravadoras finalmente se deram conta de que estavam jogando fora o que tinham de melhor: seus compositores e seus artistas mais tarimbados.


O engraçado é que, nos anos 80, a cena da country music vivia uma situação diametralmente oposta a essa.

Os produtores de Nashville haviam aceitado uma série de mudanças de comportamento dos artistas da cidade por conta da postura anti-conservadora dos novos astros do gênero que vinham da cena liberal de Austin nos anos 70 – gente como Willie Nelson, Waylon  Jennings e Billy Joe Shaver , e que chegavam abençoados por ninguém menos que Johnny Cash.


E o diabo é que, ao longo dos anos 80, não parava de aparecer em Nashville gente estranha, desalinhada e muito talentosa vinda de Austin. E Nashville deixava entrar. Fazer o que? Era a renovação do gênero que estava em jogo. Os barões de Nashville podiam ser conservadores, mas definitivamente não rasgam dinheiro.

Steve Earle, por exemplo, apareceu tocando um rockabilly bem desaforado quando explodiu com “Guitar Town”.

Dwight Yoakam reinventou o honky-tonk dos tempos de Hank Williams, só que com uma guitarra elétrica nas mãos, na  “Guitars, Cadillacs, etc”.

E K D Lang era estranhíssima: uma homossexual esquimó vinda do Canadá com atitude de Patsy Cline e voz de crooner de orquestras de jazz.


Mas, de todos eles, o mais estranho e inclassificável – e também o mais ambicioso e agradável deles todos – era sem dúvida Lyle Lovett.

Lyle Lovett era um artista múltiplo, capaz de encarar qualquer estilo musical, na mesma tradição texana heróica de seus heróis Bob Willis e Doug Sahm.

Paralelo à sua carreira musical, trabalhava como ator sempre que era convocado por seu amigo e admirador Robert Altman -- que adorava seu queixo quadrado e sua expressão enigmática -- e então, nas filmagens de "O Jogador", conheceu Julia Roberts e os dois se casaram.

Seus primeiros discos com sua Large Band -- que incluía uma extensa sessão de metais que soava redonda tanto em números country e pop quanto em números de jazz, blues e de rock and roll --, deixaram todo mundo boquiaberto, pois tornavam quase impossível qualquer iniciativa de rotulá-lo e empacotá-lo para tocar no rádio. 

E o diabo é que, mesmo assim, ele emplacou vários singles, tanto em emissoras country quanto em emissoras de rock.

Pois bem, 25 anos se passaram desde sua estréia em 1986, e eis que Lyle Lovett agora em 2011 é intimado judicialmente por sua ex-gravadora Curb Records a entregar um último disco para fechar um contrato assinado naquela época.


E não é que, para surpresa geral, ele entrega um disco divertidíssimo, repleto de covers, chamado “Release Me” -- tão bom e tão inteligente que nem parece uma “obrigação contratual”.

O repertório mistura alhos com bugalhos, formando um conjunto estranhamente coeso. 

Tem uma releitura brilhante da balada country cafona “Release Me”, grande sucesso do inclasificável Engelbert Humperdinck, num dueto delicioso com K D Lang.

Tem também uma versão estranhíssima de “Brown Eyed Handsome Man” de Chuck Berry, que lembra o Grateful Dead tocando soul music.

E tem ainda uma releitura desconcertante para “Baby It´s Cold Outside”, grande sucesso de Ray Charles e Betty Carter. Entre muitas outras coisas.


Obviamente, “Release Me” não é um projeto artístico do mesmo nível de “Joshua Judges Ruth”, “I Love Everybody” ou “The Road To Ensenada” – grandes discos da carreira de Lyle Lovett.

Nem pretende ser.

Mas equivale a pedir um prato de arroz com feijão para um grande cozinheiro num excelente restaurante. 

Convenhamos: não existe a menor chance de um prato tão trivial, nas mãos do grande cozinheiro em questão, não se revelar algo no mínimo espetacular. 


INFO:
 http://www.allmusic.com/artist/lyle-lovett-p4798/biography
DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/lyle-lovett-p4798/discography
WEBSITE OFICIAL:
http://www.lylelovett.com/
AMOSTRAS GRÁTIS:

segunda-feira, abril 16, 2012

O BLUESMAN DO OREGON CURTIS SALGADO ASSUME SUA PORÇÃO SOULMAN EM SEU NOVO LP


Muito triste constatar que, para alguns jornalistas meio bobões, o grande mérito de Curtis Salgado ao longo desses mais de 35 anos de excelentes serviços prestados ao blues e ao rhythm and blues ainda seja ter inspirado seu saudoso amigo John Belushi a criar o personagem Joliet Jake Blues, dos Blues Brothers, para a série de TV "Saturday Night Live" ,

Muita sacanagem reduzí-lo a isso, pois Curtis é um cantor e gaitista extraordinário -- algo que Belushi nunca foi, e nem sequer pretendeu ser em sua rápida passagem pelo Planeta Terra.

A maestria de Curtis Salgado no rhythm and blues, no jazz e na soul music faz dele – ao lado de Sugar Ray Norcia, Darrell Nulisch e Tad Robinson -- um dos pouquíssimos cantores brancos da cena do blues atual a ser levado a sério pela crítica especializada.

Suas performances são vigorosas, sua capacidade de comunicação com as bandas com que se apresenta é impressionante, e o alcance de sua voz lembra os grandes ícones do rhythm and blues dos anos 50, como Little Johnny Taylor, Johnny Guitar Watson e Bobby Blue Bland.


Trabalhou quase 20 anos como crooner de bandas e gaitista de aluguel, e só começou a gravar como artista solo no início dos anos 90, depois de uma longa temporada à frente do grupo Roomful Of Blues.

Sua carreira solo ia de vento em popa, com discos muito bem recebidos por crítica e público, quando em 2005 foi diagnosticado com câncer no fígado e teve que ser submetido a um transplante.



Em meio a um processo de recuperação muito difícil e doloroso, Curtis gravou um disco soberbo, em tom menor, acompanhado pela Phantom Blues Band de Taj Mahal chamado “Clean Getaway”, que tinha um jeitão indisfarçável de trabalho de despedida.

Mas o tempo passou, as dores também passaram, a iminência da morte se dissipou, e então Curtis Salgado assinou um belo contrato com a Alligator Records -- e acaba de retomar sua carreira com força total nesse novo disco chamado “Soul Shot”.



O título não podia ser mais acertado. É uma paulada na alma. Curtis Salgado volta acompanhado novamente pela Phantom Blues Band e mergulha de cabeça na soul music dos anos 60 com seu vozeirão anos 50.

O resultado é desconcertante, de tão bonito e fora do padrão.

"Soul Shot" é um bailão soul para ninguém botar defeito, comandado por um cantor honestíssimo em seus propósitos e muito bem sucedido em seus resultados.

Em suma: um disco admirável, extremamente bem produzido, com um som poderoso, e seguindo aquele padrão de excelência da Alligator que todos nós conhecemos.

Dêem as boas vindas (de volta à vida) para esse grande bluesman (e dublê de soulman) Curtis Salgado.


PS: Quem viu Curtis Salgado ao vivo mês passado em São Paulo, acompanhado pela Igor Prado Blues Band, teve o prazer de conhecer sua faceta mais blueseira, que talvez ressurja com mais força num de seus próximos trabalhos para a Alligator. Talvez. Vai saber....


INFO:
http://www.allmusic.com/artist/curtis-salgado-p121543/biography

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/curtis-salgado-p121543/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.curtissalgado.com/

AMOSTRAS GRÁTIS:



segunda-feira, abril 09, 2012

DENTRO DE JANIVA MAGNESS, MORA UMA NEGONA COM UM VOZEIRÃO MARAVILHOSO



Janiva Magness é o blues em pessoa.

Sua biografia é uma sucessão de desastres pessoais. Seus pais se suicidaram quando ainda era adolescente em Detroit. Depois, foi morar nas ruas e engravidou acidentalmente aos 17 anos, sendo obrigada a entregar o filho para adoção. Mais adiante, caiu na bebida, nas drogas e na prostituição.

Diz ela que sua vida mudou quando viu Otis Rush ao vivo num nightclub em Minneapolis. Foi quando ela decidiu que queria ser cantora. De blues e soul music. Sabia que tinha voz para isso. Daí, começou a trabalhar nesse projeto como se sua vida dependesse disso, até conseguir dar certo.

Verdade ou não, ela seguiu para Los Angeles em busca de uma chance no meio musical, e não podia ter chegado lá num momento pior. O ano era 1986, não havia espaço para artistas que não soassem como Michael Jackson, Prince ou Madonna.

Mesmo assim, ela insistiu. Deu muito com a cabeça na parede, mas então, em 1996, depois de dez anos de muita batalha, ela finalmente conseguiu estrear em disco com seu blend de blues, rhythm and blues e soul music.

E de lá prá cá não parou mais.


"Stronger For It" é seu oitavo disco -- e o terceiro gravado para a Alligator Records, que se empenhou em dar um gás todo especial a sua carreira.

Para isso, ela teve que deixar um pouco de lado os blues mais tradicionais e redirecionar seu repertório para um mix de soul pedestre de Memphis com o swing funkeado de New Orleans e o blues moderno de Chicago.

Valeu a pena. Até porque deu certo. As composições de Janiva ajudaram bastante, pois são todas de primeira linha, envolventes e grudentas na medida certa. E os quatro covers escolhidos para esse disco, no mínimo deliciosos.

Só nos resta torcer para que essa fórmula de sucesso de Janiva Magness não se esgote rapidamente, para que possamos desfrutar de mais discos como esse "Stronger For It".

Se você ainda não teve o prazer de ouvir Janiva Magness soltando sua voz, prepare-se.

Para o melhor, claro.



INFO:
http://www.allmusic.com/artist/janiva-magness-p289536/biography

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/janiva-magness-p289536/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://janivamagness.com/

AMOSTRAS GRÁTIS:




segunda-feira, abril 02, 2012

NRBQ FLERTA ABERTAMENTE COM O PASSADO, MAS SEM SAUDOSISMOS, EM SEU NOVO LP

O quarteto novaiorquino NRBQ (New Rhythm & Blues Quartet) está perto de comemorar 45 anos de vida. É uma das bandas mais estranhas e peculiares que a América já produziu. Sempre seguiu orgulhosamente na contramão de todas as tendências musicais surgidas de 1970 para cá. Diz a lenda que em 1969, enquanto rolava o Festival de Woodstock, o NRBQ apresentava seu blend cativante de rock and roll, power pop e jazz no Clube de Cadetes da cidade de Woodstock.

Verdade ou não, essa é a metáfora perfeita para definir a carreira errante e diletante da banda nos anos que se seguiram. Hoje, mesmo depois de tanto tempo em cena, o NRBQ continua desconhecido da maioria do público do rock mainstream, apesar de quase ter “chegado lá” diversas vezes.

Composto originalmente pelo cantor e tecladista Terry Adams, pelo guitarrista Al Anderson, mais o baixista Joey Spampinato e o baterista Tom Ardolino, o NRBQ deu sinais claros de desgaste 8 anos atrás, logo após o album “Dummy”. Na ocasião, todos os integrantes acharam por bem deixar a banda descansando por uns tempos enquanto se dedicavam a projetos pessoais.

Ano passado, no entanto, Terry Adams tomou a iniciativa de convocar seus velhos parceiros para ressucitar o NRBQ, mas só Tom Ardolino atendeu ao chamado de prontidão. Daí, Adams decidiu que não havia o que esperar, chamou um novo baixista e um novo guitarrista, entrou com a nova encarnação da banda no estúdio e assim nasceu esse “Keep This Love Goin´”.

O disco é uma delícia.

Todas as faixas lembram o passado artisticamente glorioso da banda -- sem a intenção de resgatar coisa alguma, apenas manter viva a sonoridade única do NRBQ. Se por um lado os novos músicos não conseguem reproduzir o mesmo molho musical da banda original, por outro a essência do som do NRBQ está totalmente preservada, em números deliciosos e extremamente criativos que raramente excedem os 3 minutos de duração.

“In Every Dream”, por exemplo, é um tema de Tchaikowsky que se transformou numa adorável balada country -- o tipo de coisa que só Terry Adamss é capaz de fazer. A releitura beatle do clássico do jazz "Gone With The Wind” é outro número irresistível, tão delicado que nenhum jazzista diehard vai se aborrecer com tamanha leviandade. E os temas originais de Terry Adams -- o disco está repleto deles -- continuam sendo exemplos perfeitos de que é possível explorar o pop muito além de seus limites sem cair nas progressivices de praxe.

Em suma, “Keep This Love Goin´” parece um disco clássico do NRBQ, só que em tom menor. Seu único pecado talvez seja a falta de suor -- se é que isso é pecado.

Detalhe: pouco depois do fim das gravações do disco, o baterista Tom Ardolino morreu de um aneurisma cerebral. Mas a banda continua. Agora em homenagem a ele.

INFO:
http://www.allmusic.com/artist/nrbq-p5044/biography

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/nrbq-p5044/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.nrbq.com/

AMOSTRAS GRÁTIS: