sexta-feira, abril 06, 2012

A VOLTA TRIUNFAL DO JAZZ CRISTALINO DE CHICK COREA E GARY BURTON


A reclamação mais constante que se ouve da produção jazzística do pianista Chick Corea é que é cerebral demais e divertida de menos.

Só que essa reclamação nunca valeu para os deliciosos discos que grava de tempos em tempos ao lado do vibrafonista Gary Burton.

Corea e Burton formam uma parceria extremamente bem sucedida que já dura 38 anos, e que se renova a cada 12 meses numa nova série de shows que, eventualmente, acabam virando discos também.

Em todas essas apresentações -- e também em todos esses LPs -- a sensação que fica é que os dois estão sempre brincando no palco como se fossem seus heróis musicais Milt Jackson e John Lewis.

E, claro, se divertindo mais do que a platéia.



“Hot House” é o oitavo e mais recente desses LPs.

Aqui, eles passeiam por um repertório bem variado, que inclui temas de Art Tatum, Bill Evans, Dave Brubeck, Tadd Dameron e Thelonious Monk.

Perfeitamente combinados com eles, temos também uma releitura lindíssima de “Eleanor Rigby”, de John Lennon e Paul McCartney, e dois números clássicos da bossa nova assinados por Tom Jobim: “Chega de Saudade” e “O Amor Em Paz”.

Aliás, passear é um termo adequadíssimo para definir o que eles fazem nesses encontros musicais.

De qualquer maneira, o resultado final desses encontros é sempre jazz impressionista de primeiríssima grandeza.

Para fugir um pouco ao descompromisso do repertório habitual deles nos últimos tempos, os dois números de encerramento de “Hot House” são originais intrincados -- mas nem por isso sisudos -- de Chick Corea, que contam com a participação da Harlem String Orchestra: “My Ship” e “One For Mozart”.

Ah, que bom seria se todos os casamentos fossem prósperos e saudáveis quanto o desses dois...


INFO
http://www.allmusic.com/artist/chick-corea-p66463/biography
http://www.allmusic.com/artist/gary-burton-p6212/biography

DISCOGRAFIAS
http://www.allmusic.com/artist/chick-corea-p66463/discography
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WEBSITES OFICIAIS
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quinta-feira, abril 05, 2012

A INTRÉPIDA BONNIE RAITT ESTÁ DE VOLTA NUM LP DE TIRAR O FÔLEGO


Há exatos sete anos, Bonnie Raitt não gravava um disco.

Ou seja: há sete anos estávamos privados de uma das vozes mais lindas da história do pop mundial -- capaz de transitar livremente por todos os gêneros musicais genuinamente americanos -- e também de uma das guitarras slide mais marcantes que o blues e o rock and roll já tiveram o prazer de conhecer.

Seu disco anterior, “Souls Alike” (2005), tinha aspectos curiosos. Era bem mais despojado e bem menos apelativo que os trabalhos que o antecederam. Além do mais, foi a primeira vez em que Bonnie se autoproduziu, com resultados bastante satisfatórios.

Só que, infelizmente, algo saiu errado e "Souls Alike" não só foi um fiasco comercial, como também não conseguiu se afirmar entre os melhores discos gravados por Bonnie Raitt ao longo de seus mais de 40 anos de carreira.


Bom... esse certamente não vai ser o destino desse novo LP cheio de atitude chamado “Slipstream”, que chega às lojas americanas no próximo dia 10 de Abril.

Aqui, Bonnie está estreando numa nova gravadora. Por cautela, entregou a produção para o especialista Joe Henry – também um excelente artista solo e um arranjador muito criativo --, que soube explorar bem todas as possibilidades dela como artista já bem conhecidas do seu público, e outras um tanto quanto inusitadas.

Por exemplo: a idéia dele em transformar num reggae “Right Down The Line”, número clássico de Gerry Rafferty, é de uma ousadia impressionante. E o mais legal de tudo é que Bonnie encara desafios assim com uma jovialidade e uma galhardia impressionantes, mesmo aos 63 anos de idade.

Mas “Slipstream” tem muito mais a oferecer.

Tem duas canções de Bob Dylan: “Standing In The Doorway” -- inédita, que ela acaba de ganhar de presente dele -- e uma releitura de arrepiar do bluesaço “Million Miles” -- um clássico do repertório recente de Mr. Zimmerman, que está no LP "Time Out Of Mind" (1997).

Tem também várias canções dos amigos Al Anderson (ex-guitarrista do NRBQ) e Randall Bramblett (ex-guitarrista do Traffic), todas impecáveis e facilmente assovioáveis.

Se bem que as canções mais bonitas do disco são “Not Cause I Wanted To”, da jovem cantora-campositora Bonnie Bishop, e “You Can't Fail Me Now”, parceria do produtor Joe Henry com Loudon Wainwright III (hoje mais conhecido como o pai do Rufus Wainwright).

Tanto uma quanto a outra são parentes distantes daquelas baladas tristes de Eric Kaz – como a clássica “Love Has No Pride” --, que Bonnie Raitt costumava gravar -- melhor do que ninguém, diga-se de passagem -- em seus discos no início dos anos 70.

Desnecessário dizer que ambas são absolutamente desconcertantes. Para ouvir de joelhos.

Enfim, Bonnie Raitt está de volta, madura e intrépida, nesse turbilhão de novas emoções chamado “Slipstream” -- um disco para ouvir muitas e muitas vezes, pelo simples prazer de estar vivo.


INFO:
http://www.allmusic.com/artist/bonnie-raitt-p5222/biography

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/bonnie-raitt-p5222/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.bonnieraitt.com/

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terça-feira, abril 03, 2012

LÁ VEM A NAÇÃO ZUMBI QUEBRANDO TUDO NOVAMENTE... AGORA AO VIVO.


Quinze anos atrás, quando Chico Science morreu num acidente de automóvel seguindo de Olinda para Recife, ninguém esperava que sua banda, a Nação Zumbi, fosse conseguir sobreviver a ele.

Havia motivos de sobra para acreditar nisso. Na ocasião da tragédia, Chico Science & Nação Zumbi tinham apenas 2 discos de estúdio gravados e estavam só começando a “acontecer nacionalmente” de acordo com as espectativas da Sony Music, sua gravadora -- e, claro, não só estavam terrivelmente abalados com a morte de seu líder, como também aparentemente sem rumo.

A decisão da Nação Zumbi de seguir em frente, com o incansável Jorge Du Peixe nos vocais, em discos independentes surpreendentes como “Rádio S Amb A” (2000), “Futura” (2005) e “Fome de Tudo” (2007), foi saudada como “corajosa” pela crítica e como “uma bênção” pela enorme legião de fãs da banda, que sempre lotaram seus shows pelo Brasil afora.

Pois bem: estamos em 2012 e a Nação Zumbi não só continua viva e passando muito bem, como acaba de lançar um LP (e DVD) fulminante entitulado “Ao Vivo Em Recife”, mostrando a todos que o MangueBeat definitivamente não é uma tendência pop passageira do início dos anos 90. Veio para ficar.

E a banda está tinindo. É ótimo ver Jorge Du Peixe cantando números da primeira fase da banda com um sotaque próprio, liberto afinal do jeito marcante de cantar de Chico Science. E é mais legal ainda ver a Nação Zumbi suingando forte, com um sotaque um pouco mais roqueiro e menos “frevético” do que 20 anos atrás, no inicio de tudo.

Confesso que ainda não tive a chance de vê-los no DVD – aliás, não vejo a hora, ainda mais depois dos aperitivos disponíveis no YouTube --, mas só de ouvi-los nesse registro ao vivo vigoroso já estou completamente sem fôlego.

E antes que alguém reclame que isso aqui não parece uma crítica, um pequeno esclarecimento. Não é mesmo. Está mais para uma louvação. Não esperem isenção e empirismo da minha parte quando a assunto for a Nação Zumbi.

Parafraseando o grande João Saldanha: “Meus amigos.... Que banda!”



INFO E DISCOGRAFIA:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Na%C3%A7%C3%A3o_Zumbi

WEBSITE OFICIAL:
http://www.nacaozumbi.com.br/

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segunda-feira, abril 02, 2012

CONHEÇAM A NOVA EXTRAVAGÂNCIA MUSICAL DE PAUL WELLER


Paul Weller é uma figura impagável.

Depois de brilhar 15 anos à frente de grupos como The Jam e Style Council, e de passar boa parte da década de 90 apostando numa carreira solo voltada para agradar o público americano -- em vão, pois os americanos não conseguem entendê-lo --, Weller desistiu de facilitar as coisas e passou a investir num trabalho independente cada vez mais pessoal e idiossincrático. Desde então, não pára de ganhar prêmios e de ser reconhecido como a artista mais importante e influente da cena inglesa desde David Bowie.

Agora, depois de algumas aventuras bem sucedidas pela soul music, nosso herói resolveu promover uma virada surpreendente em seu trabalho, enveredando pelo terreno às vezes pantanoso da música eletrônica. Só que fez isso com um bom humor contagiante e uma atitude musical camp que mescla os Beach Boys de “Good Vibrations” com o pop cafona do Human League, passando pelas experiências berlinenses de David Bowie e Brian Eno do final dos anos 70.

Perguntado sobre o porquê dessa reviravolta, Paul Weller simplesmente declarou que sua nova mulher gosta muito desse tipo de música e que esse novo disco é todo dedicado a ela.


O nome desse novo disco é “Sonik Kicks”. Os primeiros 5 minutos assustam um pouco, tamanha a quantidade de sintetizadores piando nos nossos ouvidos. Mas lá pela terceira música, “Kling-Klang”, já estamos à vontade com o curioso revisionismo psicodélico sci-fi de Paul Weller – até porque as canções são quase todas ótimas e bem grudentas, como a irônica “That Dangerous Age”, a grandiloquente “By The Waters” e a sublime “Be Happy Children”, onde divide os vocais com sua filha Leah Weller.

Paul Weller cansou de tentar agradar o mainstream e ser maltratado por ele. Hoje, faz o que bem entende, e o mainstream o trata como um gênio pop – coisa que ele jamais pretendeu ser. Daí, ele se diverte produzindo brincadeiras musicais deliciosas como essa.

Claro que é uma fase passageira. Certamente o próximo disco de Weller virá bem diferente desse. E o seguinte, mais diferente ainda.

Com Paul Weller, vale aquela máxima de Lô Borges: “Nada Será Como Antes, Amanhã”.
INFO:
http://www.allmusic.com/artist/paul-weller-p112851/biography

DISCOGRAFIA SOLO:
http://www.allmusic.com/artist/paul-weller-p112851/discography

DISCOGRAFIA COM THE STYLE COUNCIL:
http://www.allmusic.com/artist/the-style-council-p5548/discography

DISCOGRAFIA COM THE JAM:
http://www.allmusic.com/artist/the-jam-p4585/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.paulweller.com/

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NRBQ FLERTA ABERTAMENTE COM O PASSADO, MAS SEM SAUDOSISMOS, EM SEU NOVO LP

O quarteto novaiorquino NRBQ (New Rhythm & Blues Quartet) está perto de comemorar 45 anos de vida. É uma das bandas mais estranhas e peculiares que a América já produziu. Sempre seguiu orgulhosamente na contramão de todas as tendências musicais surgidas de 1970 para cá. Diz a lenda que em 1969, enquanto rolava o Festival de Woodstock, o NRBQ apresentava seu blend cativante de rock and roll, power pop e jazz no Clube de Cadetes da cidade de Woodstock.

Verdade ou não, essa é a metáfora perfeita para definir a carreira errante e diletante da banda nos anos que se seguiram. Hoje, mesmo depois de tanto tempo em cena, o NRBQ continua desconhecido da maioria do público do rock mainstream, apesar de quase ter “chegado lá” diversas vezes.

Composto originalmente pelo cantor e tecladista Terry Adams, pelo guitarrista Al Anderson, mais o baixista Joey Spampinato e o baterista Tom Ardolino, o NRBQ deu sinais claros de desgaste 8 anos atrás, logo após o album “Dummy”. Na ocasião, todos os integrantes acharam por bem deixar a banda descansando por uns tempos enquanto se dedicavam a projetos pessoais.

Ano passado, no entanto, Terry Adams tomou a iniciativa de convocar seus velhos parceiros para ressucitar o NRBQ, mas só Tom Ardolino atendeu ao chamado de prontidão. Daí, Adams decidiu que não havia o que esperar, chamou um novo baixista e um novo guitarrista, entrou com a nova encarnação da banda no estúdio e assim nasceu esse “Keep This Love Goin´”.

O disco é uma delícia.

Todas as faixas lembram o passado artisticamente glorioso da banda -- sem a intenção de resgatar coisa alguma, apenas manter viva a sonoridade única do NRBQ. Se por um lado os novos músicos não conseguem reproduzir o mesmo molho musical da banda original, por outro a essência do som do NRBQ está totalmente preservada, em números deliciosos e extremamente criativos que raramente excedem os 3 minutos de duração.

“In Every Dream”, por exemplo, é um tema de Tchaikowsky que se transformou numa adorável balada country -- o tipo de coisa que só Terry Adamss é capaz de fazer. A releitura beatle do clássico do jazz "Gone With The Wind” é outro número irresistível, tão delicado que nenhum jazzista diehard vai se aborrecer com tamanha leviandade. E os temas originais de Terry Adams -- o disco está repleto deles -- continuam sendo exemplos perfeitos de que é possível explorar o pop muito além de seus limites sem cair nas progressivices de praxe.

Em suma, “Keep This Love Goin´” parece um disco clássico do NRBQ, só que em tom menor. Seu único pecado talvez seja a falta de suor -- se é que isso é pecado.

Detalhe: pouco depois do fim das gravações do disco, o baterista Tom Ardolino morreu de um aneurisma cerebral. Mas a banda continua. Agora em homenagem a ele.

INFO:
http://www.allmusic.com/artist/nrbq-p5044/biography

DISCOGRAFIA:
http://www.allmusic.com/artist/nrbq-p5044/discography

WEBSITE OFICIAL:
http://www.nrbq.com/

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PASSADO O PRIMEIRO DE ABRIL, ESTAMOS DE VOLTA.


Este blog esteve paralisado por alguns meses.

Os motivos foram vários. Incapacidade da minha parte em gerenciar um projeto tão pretensioso e que exigia uma dedicação tão intensa para a produção de uma única (e gigantesca) postagem semanal. Dificuldade em conseguir encontrar toda semana lançamentos interrelacionados tematicamente para poder montar um painel com 5 discos comentados em paralelo. E, principalmente, falta de saco para seguir adiante com uma empreitada tão mastodôntica e sistemática.

Como havia prometido para mim mesmo que, assim que o Outono chegasse com uma infinidade de lançamentos fresquinhos, ALTOeCLARO voltaria à ativa, então vamos lá -- agora com postagens menores, mas com atualizações díárias.

De segunda a sexta, ALTOeCLARO comentará lançamentos dos mais diversos gêneros musicais.

Aos sábados, ALTOeCLARO trará minha videocrônica semanal para o Jornal da Orla Web.

E aos domingos, ALTOeCLARO vai fechar a semana com uma pensata a pretexto de algum acontecimento musical ocorrido nos últimos dias.

Enfim, abram alas que ALTOeCLARO está de volta.

Agora, com atualizações diárias.

Um abraço,

Chico Marques

(nessa primeira postagem, um apanhado das últimas quatro videocrônicas semanais para o Jornal da Orla Web)

O MILLÕR FERNANDES COMPOSITOR, ESSE DESCONHECIDO...

videoblog Jornal da Orla - ALTO E CLARO ( 30/03/2012) from Jornal da Orla on Vimeo.



A PAJELANÇA DE CAETANO VELOSO E DAVID BYRNE NO CARNEGIE HALL

videoblog Jornal da Orla - ALTO E CLARO ( 23/03/2012) from Jornal da Orla on Vimeo.



O BAIXINHO BRUCE SPRINGSTEEN NOVAMENTE NO TOPO DO MUNDO

videoblog Jornal da Orla - ALTO E CLARO (16/03/2012) from Jornal da Orla on Vimeo.



O SETENTINHA LOU REED, MAIS JOVIAL DO QUE NUNCA

videoblog Jornal da Orla - ALTO E CLARO ( 09/03/2012) from Jornal da Orla on Vimeo.